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Agenor Mendes Filho

Entrevista realizada por Maria Eugênia Noviski Gallo, em Recife (PE), no dia 25 de setembro de 2002.
Sumário
Fita 1 – Lado A
Informações sobre a formação escolar em Maceió e a mudança para Recife, com a família, em 1956; o diagnóstico recebido de hanseníase e o impedimento de realizar o vestibular para Medicina, em 1957; o tratamento com Sulfona e Rifampicina e a alta médica recebida em 1961; a realização do Curso Superior de Biblioteconomia, na UFPE concluído em 1958, o trabalho na faculdade de Direito e na escola de Engenharia e o ingresso na Faculdade de Medicina em 1962; comentários sobre a passagem pelo Hospital Santo Amaro, em Recife, a escolha pela especialização em Dermatologia e a transferência para a Clínica de Dermatologia, chefiada pelo professor Jorge Lobo; comentários sobre a formação acadêmica em 1967, a entrada como sócio na Sociedade Brasileira de Dermatologia em 1968 e a participação no Congresso Brasileiro de Dermatologia, em 1969, realizado em Recife; o trabalho no ambulatório de hanseníase nas Universidades Federais de Pernambuco e do Pará (UFPA) e o contato com outros profissionais, como Maria Leide W. de Oliveira e Marcos Virmond; comentário sobre a mudança do Hospital Santo Amaro para o Hospital das Clínicas, na Cidade Universitária, em 1988, sobre a implementação do serviço de fisioterapia e as pesquisas oftalmológicas do bacilo de Hansen na lágrima, na Fundação Altino Ventura, em 1990; a respeito de sua aposentadoria em 1991 e o fim do serviço de Dermatologia; sobre o estigma que envolve a hanseníase e o Morhan; o tratamento e as reações causadas pela doença.

Fita 1 – Lado B
Comentários sobre seu consultório particular e a impossibilidade de atender, nesse local, pacientes com hanseníase; relatos sobre os pacientes e a poliquimioterapia; considerações sobre os primeiros sintomas da hanseníase na adolescência, em Maceió, e o tratamento realizado em Pernambuco pelo médico e professor Jorge Lobo; a formação de uma junta médica presidida pelo professor Jarbas Pernambucano e a dificuldade do diagnóstico preciso de hanseníase; comentários sobre as sequelas ocasionadas pela doença, e como estas não impedem a vida normal do paciente; o atendimento no ambulatório até 1990 e o fato de não ter sido reconhecido oficialmente como professor da UFPE; comentários sobre René Garrido e Diltor Opromolla e a satisfação em trabalhar como médico dermatologista.

Fuad Abílio Abdala

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel e Maria Leide W. de Oliveira, em Guarulhos (SP), no dia 04 de maio de 2002.
Sumário de assuntos
Fita 1 - Lado A
Lembranças dos pais, a infância na cidade de Pedregulho, Minas Gerais e a origem e o significado de seu nome; a vinda dos pais do Líbano para o Brasil e a permanência no país devido ao início da Primeira Guerra Mundial; lembrança dos irmãos, a confeitaria do pai, sua formação escolar e relato da infância tranquila e feliz; a aprovação no exame para ingresso na Aeronáutica; o diagnóstico da hanseníase e a denúncia sofrida por seu médico particular; relato sobre o aparecimento de possíveis sintomas e o tratamento com injeções de óleo de chaulmoogra; a viagem de trem para o Sanatório de Cocais e a despedida dos familiares e amigos que ficaram em Pedregulho, em 1935; observações sobre o médico Luiz Marino Bechelli; o possível diagnóstico equivocado de lepra; o início das lesões em 1945 e a cauterização sofrida no olho; relato sobre o cotidiano hospitalar em Cocais e o péssimo estado de saúde de seus internos; as cartas escritas por ele para as famílias dos pacientes que não eram alfabetizados; relato sobre as visitas e o preconceito sofrido por sua família; a falência econômica do pai e a ida da família para São Paulo; a ida para o Sanatório Padre Bento, em 1937, a inauguração do clube de esportes do sanatório e o trabalho neste clube; o aparecimento de medicamentos como a Sulfona (Promim); sobre o Sanatório Padre Bento e seu jardim perfumado; a socialização entre os pacientes e a instituição como um hospital de referência; a vinda de médicos argentinos para conhecer o Serviço Nacional de Lepra, em 1940; sobre o médico Francisco Sales Gomes; comentários sobre o paciente que cometeu suicídio quando soube que seria transferido para o Asilo-Colônia Santo Ângelo; o ambiente tranquilo que vigorava no Sanatório Padre Bento; as fugas do depoente do hospital; sua admiração pelo leprologista Lauro de Souza Lima e a construção de um pavilhão destinado exclusivamente à crianças, já que sua especialização na leprologia era na área infantil; sobre o primeiro teste realizado no país com o medicamento Promim idealizado por Lauro de Souza Lima, em 1945; o uso do Promim em alguns pacientes e seu efeitos positivos na respiração; o acordo com o laboratório farmacêutico Park Davis para conseguir Promim para todos os pacientes hansenianos; as reações provocadas pelo uso da sulfona tal como uremia; o caso do paciente tratado e curado com a sulfa e comentários sobre o exame da baciloscopia.

Fita 1 - Lado B
Sobre o início de uso de medicamentos como a sulfona (Promim) no Sanatório Padre Bento, em 1945; a alta obtida em 1948 após o uso do Promim; o falecimento do pai e a proibição de Francisco Sales Gomes em deixá-lo ir ao enterro; a ida para a casa dos irmãos, a piora na visão e a carta para o Instituto Penido Burnier, considerado um dos grandes centros de oftalmologia no país; a consulta no Instituto e a cirurgia que o fez recuperar a sua visão; o emprego no escritório de contabilidade; a nomeação de Lauro de Souza Lima como diretor geral do Sanatório Aymorés e o convite recebido por ele para trabalhar no Departamento de Profilaxia de Lepra em 1950; o trabalho de assistência social no Sanatório Padre Bento; sobre as recidivas da hanseníase em alguns pacientes que abandonaram o tratamento; o casamento em 1954, o nascimento da filha em 1959, os netos e a construção de sua casa; a demissão do Departamento de Profilaxia da Lepra por Joacir Moacir de Alcântara Madeira, por motivos políticos, em 1962; o trabalho como vendedor de livros e a perda da visão pela segunda vez; o exame de madureza, a reprovação em matemática e a aprovação no vestibular para o curso de Direito, na Universidade de São Paulo (USP), em 1975; sobre o Conselho Estadual de Educação que permitiu seu ingresso na USP e o início do curso em 1976, com o estudo através da audição; o trajeto para a faculdade, o término da graduação e a construção do seu escritório de advocacia na própria casa, em 1981; o transplante de córnea, a recuperação da visão, a rejeição da córnea sofrida após 12 anos de transplantado; a participação no Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN), seus objetivos e opinião sobre a direção deste movimento; sobre a ideia da construção de um pensionato para os ex-internos do Sanatório Padre Bento com a ajuda do padre Francisco; o pedido do terreno à prefeitura em 1975, seu recebimento em nome das freiras do Sanatório Padre Bento, a nomeação do padre Francisco como bispo na Itália e sua morte.

Fita 2 - Lado A
Informações sobre a vida do Padre Bento dias Pacheco, a fundação do Sanatório Padre Bento e a equipe de médicos e o tratamento com o óleo de chaulmoogra; sua opinião contrária sobre a mudança do nome lepra para hanseníase; as discussões com Dr. Abraão Rotberg a favor da popularização do termo lepra; menção à discriminação sofrida pelo depoente na Secretaria da Saúde; sobre a filha Iraci e o genro; sobre a adoção de sete crianças, filhos de um amigo falecido; comentário sobre os estagiários de Direito, inclusive com deficiência visual, que teve em seu escritório e o período em que exerceu a advocacia; os possíveis casos de hanseníase na família e a demora do depoente em apresentar lesões cutâneas; opinião sobre as atuais medidas de controle da hanseníase, o leprologista Diltor Vladimir Araújo Opromolla e seu coquetel de medicamentos para combater a lepra tuberculoide; a necessidade de informar melhor a população sobre a doença; o uso do Lamprem pela primeira vez por seu amigo Pedro; o rompimento com a deputada estadual Conceição da Costa Neves, devido ao pequeno valor das pensões dos pacientes; a construção das enfermarias do Sanatório Padre Bento e ampliação do hospital implementada pelos próprios internos; o movimento para encampar as enfermarias da Caixa Beneficente; o atendimento no Hospital Padre Bento e a facilidade no tratamento para quem é hanseniano; a reforma de uma parte do hospital e o empréstimo das enfermarias do pensionato para alojar pacientes do hospital.

Fita 2 - Lado B
Sobre os moradores do pensionato; a necessidade de realizar o diagnóstico precoce da doença e ampliação do tratamento no Norte e no Nordeste; seu bom relacionamento com os juízes e seu trabalho como advogado dativo (advogados que defendem a causa de pessoas sem recursos financeiros); sua vida feliz e saudável, mesmo sendo ex-hanseniano.

Maria Ângela Alcalde Torrencilla

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel, em Salvador (BA), no dia 07 de agosto de 2002.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Lembranças da Espanha e da família; sobre a morte do pai, em 1940, em decorrência da Guerra Civil Espanhola (1936-1939); a decisão de ser missionária aos 18 anos e a entrada para a congregação das Franciscanas Missionárias de Maria, em 1948; a ida para Portugal em 1949 e o curso técnico em Enfermagem; a atuação como enfermeira e o primeiro contato com pacientes hansenianos em 1953; o trabalho efetivo com os doentes em 1966; comentários sobre o surgimento de medicamentos como a Sulfona e a Rifampicina e os doentes que se tornaram auxiliares de enfermagem; a vinda para o Brasil em 1971 e a melhora na situação social dos doentes, após a atuação das irmãs na Colônia Antônio Aleixo, em Manaus; a implantação do Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) naquela colônia; seu ingresso na faculdade de Enfermagem; a imposição, aos doentes, de ter que sair da Colônia na década de 1970, e a formação de um asilo para acolher os que a deixaram; o leprosário Casa Amarela e sua transformação em dispensário; o curso de sanitarista pela Fiocruz; as missões nas aldeias amazônicas e a entrega de medicamentos a esses doentes; sobre a equipe múltipla como médicos, bioquímicos, enfermeiros e assistentes sociais; o início da poliquimioterapia na região amazônica, em 1982, com a ajuda do Conselho Mundial de Saúde, da Congregação Mariana e da Ong Associação Alemã de Assistência aos Hansenianos e Tuberculosos (DAHW).

Fita 1 – Lado B
Continuação dos comentários sobre a introdução da poliquimioterapia em Manaus; observações sobre a disseminação dessa prática por todo o Brasil; comentários sobre Maria Leide Oliveira e Fabíola Aguiar Nunes e o trabalho em parceria com o Ministério da Saúde; considerações sobre o crescimento da Colônia Antônio Aleixo e sua transformação em bairro praticamente igual aos
demais; sobre Abraão Rotberg e a mudança do nome ‘lepra’ para ‘hanseníase’; a questão da reinserção social do paciente e a opinião sobre não separar o paciente da sociedade; os cuidados tomados para não contrair a doença e a ótima relação com as médicas da região amazônica, onde trabalha.

Silvia Vecellio

Entrevista realizada por Maria Eugênia Noviski Gallo, em Campo Grande (MS), no dia 27 de Maio de 2002.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
O trabalho como missionária em Auxiliadora, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 1964; o primeiro contato com filhos de hansenianos no Educandário Getúlio Vargas e no Hospital São Julião; o caso da mulher que fugiu do hospital com medo de se separar do filho recém-nascido; a primeira ida ao hospital e o encontro de um filho com o pai hanseniano e interno da Colônia São
Julião; a proibição das madres superioras em frequentar o hospital; sobre as atividades sociais que desenvolvia com suas alunas do Educandário São Julião; a discriminação de outras irmãs em relação à depoente por trabalhar com pessoas atingidas pela
hanseníase; os familiares dos internados que estudavam no colégio e os renegavam; a visita de um grupo de rapazes italianos ao hospital, em 1969; o curso de Educação Cinematográfica, em Veneza, e o curso de Teologia, na Universidade Franciscana em Petrópolis (RJ); a situação precária e o abandono em que viviam os pacientes na Colônia São Julião; sobre a Operação Mato Grosso (jovens que visitavam leprosários e que mais tarde divulgavam suas experiências pelo mundo); a formação, em 1969, de um grupo de apoio ao Hospital; o início de sua administração no Hospital São Julião em 1970; a socialização entre homens e mulheres doentes para a criação de famílias integradas; a distribuição de remédios como a Talidomida e anticoncepcionais aos internos; o desenvolvimento do Hospital e a verba vinda da Alemanha; a primeira reforma dos pavilhões efetivada pelo governo; as melhorias realizadas em sua gestão, como criação de hortas, criação de gado e construção de salas cirúrgicas; a dificuldade em encontrar médicos para tratar a hanseníase; o convênio com a Universidade de Turim e o intercâmbio entre médicos do Brasil e da Itália; a vinda de Frank Duerksen, do Canadá, e o curso de reabilitação em hanseníase; o atendimento quase integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS); a necessidade em realizar broncoscopia e a doação de dois aparelhos mais apropriados pelo Ministério da Saúde; o atendimento hospitalar no Hospital São Julião e sua equipe de médicos; comentários a respeito dos pacientes que ainda vivem no hospital, como Lino Villachà, sua chegada ao Hospital São Julião e as mutilações sofridas em decorrência da doença; o seu dom de escrever e a máquina elétrica que transmitia eletricidade estática, provocando coceira nos dedos; as obras realizadas no Hospital, suas transformações e melhorias durante os anos em que vem trabalhando na instituição; a integração do Hospital com a cidade através da Escola Estadual Padre Franco Delpiano; a desobediência ao Ministério de Saúde em desativar o Hospital; a derrubada das casas da Colônia e a reestruturação de alguns pavilhões.

William John Woods

Entrevista realizada por Maria Elisa Ribeiro Lenzi, em Rio Branco (AC), no dia 04 de maio de 2002.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Sobre a origem de seu apelido, ‘Bill’, criado por Maria Leide W. de Oliveira; data e local de nascimento; lembranças da família; comentários a respeito da Segunda Guerra Mundial e da profissão dos pais; a influência da religião em sua vida; o primeiro contato com a hanseníase e as ONGs que ajudavam seus portadores; formação escolar e a passagem por um seminário Batista; a vinda para o Brasil em 1960 como missionário; o trabalho como paramédico e a opção pela Medicina para ajudar os habitantes da Vila de Canutama, na Amazônia; o ingresso na Universidade Federal do Amazonas em 1968 e os colegas de faculdade; o estágio com o professor René Garrido Neves no Hospital Frei Antônio, no Rio de Janeiro, em 1973; a escolha pela especialização em oftalmologia; a mudança do Amazonas para o Acre em 1979; observações sobre a oficina de calçados que montou em Manaus, em 1969, para prevenir as deformidades causadas pela hanseníase, e as oficinas montadas em outras regiões como Marituba, em Belém, e no ILSL, em Bauru; seu trabalho como gerente do Programa de Dermatologia do Acre a partir de 1981; comentários sobre o Leprosário
Souza Araújo e o isolamento compulsório; a situação precária do Leprosário, com cerca de 400 pacientes; ceticismo em relação à municipalização do serviço de hanseníase no Acre; a utilização da Sulfona e a poliquimioterapia no combate à doença; a respeito das 12 doses medicamentosas e os casos de recidivas; sua dúvida em relação à cura da hanseníase.

Fita 1 – Lado B
Relatos sobre pacientes e ex-pacientes e as dificuldades no atendimento a essas populações; comentários sobre o papel das ONGs internacionais e o Morhan no Brasil; observações sobre Francisco Augusto Vieira Nunes, o Bacurau, e o caminho errado que, segundo o depoente, o Morhan vem seguindo; o prêmio de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico, concedido pela Rainha da
Inglaterra, em 1997, por seu trabalho no combate à hanseníase no estado do Acre; os congressos de que participou, os planos de aposentadoria e a equipe de trabalho.

Thomas Ferran Frist

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel, em Salvador (BA), em 09 de agosto de 2002.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Sobre o local de seu nascimento; lembranças da infância e dos pais; formação escolar nos Estados Unidos, no Davidson College, Carolina do Norte e Universidade de Montpellier, na França; a ida à Índia, para lecionar no Goverment College Commerce, em 1968; a passagem pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) durante a guerra do Vietnã e sua oposição; sua estada por dois anos na Universidade Yale, nos Estados Unidos, e o início do interesse pela hanseníase através do contato com a ALM; a bolsa de estudos para estudar na Tanzânia; o casamento e a vinda para o Brasil para trabalhar na Divisão Nacional de Dermatologia Sanitária em 1973; a ida a Bauru para fazer pesquisa e o contato com o dr. Opromolla; o início da transformação de sanatórios em
hospitais gerais na década de 1980; o trabalho no Sanatório Aimorés, atual Instituto Lauro de Souza Lima; a passagem em estados como Amazonas, Pará e Rondônia, entrevistando doentes; relatos da resistência de doentes em assumir seus próprios nomes e o estigma em torno da doença; sobre o Projeto de Reabilitação do Hanseniano (PRO-Rehab) implementado por ele em Bauru; a
reestruturação do Sanatório Aimorés e as melhorias em todas as áreas; a criação da Sociedade para a Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri), em 1981, e seu êxito; a criação do primeiro curso no Brasil para conselheiros de reabilitação, com o auxílio da faculdade Southern University, norte-americana; os cursos em Harvard e Columbia em 1984; a criação do programa “A Turma do
Bairro” para esclarecer a população sobre aspectos gerais da doença; sobre a expansão das Sorris para o restante do país; sua luta contra o estigma e o preconceito que envolvem a doença.

Fita 1 – Lado B
Sobre Francisco Augusto Vieira Nunes, o Bacurau, e a ideia de utilizá-lo como símbolo de esclarecimento à população; a reunião em Brasília com a participação de pacientes para consolidar esse movimento; sobre os fatores que levaram à criação do Morhan em São Bernardo do Campo; a respeito da presidência da ALM; a amizade com Bacurau e a participação na administração do Congresso da International Leprosy Association (ILA) em Orlando (Flórida, EUA), em 1993, com a efetiva participação de portadores e ex-portadores de hanseníase; sua permanência no Brasil por 14 anos; opinião sobre a mudança na designação da doença e sobre a necessidade de se dar maior importância à manutenção da dignidade dos pacientes; os movimentos implementados por ele para reintegração do ex-paciente à sociedade; sobre as campanhas de combate à doença no país e o início do uso de medicamentos, como a Talidomida.

Fita 2 – Lado A
Comparação do tratamento da doença no Brasil e nos Estados Unidos; relatos sobre o baixo índice de hanseníase naquele país; comentários a respeito do sanatório de Carville, Louisiana, e a descoberta da Sulfona; sobre a vida de ex-pacientes residentes nos Estados Unidos e a independência destes em relação aos sanatórios, depois de curados; sua opinião favorável em relação à cura da
hanseníase; o receio de contrair a doença em razão de sua baixa resistência; a respeito da meta de eliminação da hanseníase estipulada pelo governo e sobre a possibilidade do surgimento de uma vacina eficaz; sobre as graves questões sociais do país, como a desigualdade social; ênfase na reintegração e manutenção da dignidade dos pacientes e ex-pacientes.

Ulrico Frederico da Gama

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel e Maria Leide W. de Oliveira, em Guarulhos (SP), no dia 04 de maio de 2002.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Local de nascimento e lembranças sobre sua tia, interna na Colônia de Marituba, no Pará; o comportamento da família quando visitava essa tia e retornava para casa; a vinda para o Rio de Janeiro com 14 anos e a internação na Colônia Tavares de Macedo, em Itaboraí, em 1946; observações sobre o chaulmoogra e os sintomas após seu uso; as deformidades decorrentes da hanseníase; as
atividades existentes na Colônia Tavares de Macedo, tais como cinema, baile e escola; a falta de contato com a família; as fugas da Colônia, a detenção na cadeia e os funcionários; a ida para o Hospital Frei Antônio em 1949, e em 1952 para o Sanatório Padre Bento, em Guarulhos, São Paulo; o exame de madureza no Hospital Frei Antônio e o professor José Cerejo; comentários sobre os
médicos Rubem David Azulay e Moura Costa; os Hospitais Frei Antônio e Padre Bento; a saída do Hospital Padre Bento e a ida para Votuporanga, São Paulo, na década de 1960, para trabalhar no Dispensário da cidade; seus filhos, netos e lembranças sobre a namorada que teve no Rio de Janeiro; o isolamento compulsório e o Educandário Vista Alegre, em São Gonçalo, próximo à Colônia
Tavares de Macedo; os amigos do período de internação e relatos sobre a dificuldade em reintegrar o ex-paciente à sociedade; a opinião favorável ao isolamento compulsório; observações sobre o pensionato São Francisco, instituição que abriga os ex-pacientes do Sanatório Padre Bento.

Fita1 – Lado B
Lembranças sobre Lauro de Souza Lima, que conheceu quando este completou 50 anos; o trabalho desempenhado pelos pacientes dentro do Hospital e a laborterapia; relatos da época em que o Instituto de Leprologia era localizado no mesmo terreno do Hospital Frei Antônio, em São Cristóvão; sobre a Irmandade da Candelária, que administra o Frei Antônio e descrições sobre sua estrutura, localização e arquitetura; lembranças de Belém do Pará; relatos de casos e pacientes do Hospital Frei Antônio; a opinião desfavorável a respeito da mudança da designação ‘lepra’ para ‘hanseníase’; sobre o início da utilização de medicamentos no combate à doença, como Sulfona e Promim; o estigma que envolve a doença e o Morhan.

Abraão Rotberg

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel e Maria Leide W. de Oliveira, na residência do depoente, em São Paulo (SP), no dia 03 de maio de 2002.
Sumário
Fita 1 – Lado A
O início dos estudos no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro; a origem romena de sua família e a profissão dos pais, que eram comerciantes; o ingresso na Faculdade de Medicina, em 1928, na USP; a defesa da tese de doutoramento, exigida na época, cujo tema foi a Reação de Mitsuda, em 1934; o interesse pela área da Dermatologia; o estágio no Serviço de Profilaxia da Lepra, no Sanatório Padre Bento, em 1933, no sexto ano da faculdade; lembranças dos colegas e destaque para Luiz Marino Bechelli; o curso de dermatologia no Skin Cancer Hospital, em Nova York (EUA), em 1939; o trabalho na Inspetoria de Profilaxia da Lepra, em São Paulo, que consistia em fazer busca ativa aos doentes, diagnosticá-los e encaminhá-los para a internação compulsória; a criação da Fundação Paulista contra a Hanseníase; comentários sobre o isolamento compulsório e o uso do óleo de chaulmoogra; o início do tratamento com a Sulfona, em 1948; sobre um dos trabalhos escritos em coautoria com Luiz Marino Bechelli; considerações sobre a ineficácia do óleo de chaulmoogra.

Fita 1 – Lado B
Comentários sobre o implante de cabelo, sugerido por um paciente de hanseníase para amenizar a aparência dos doentes de lepra que apresentavam madarose (perda dos pelos das sobrancelhas); o trabalho na Inspetoria de Profilaxia da Lepra e relato sobre seu diretor, Francisco Salles Gomes Junior, defensor e adepto do isolamento compulsório; o fim dessa prática no Brasil; menção à Campanha Nacional contra a Lepra (CNCL), em 1956; observações sobre a insistência do estado de São Paulo em continuar com a política de isolamento compulsório; a entrada para a Escola Paulista de Medicina, em 1959; o convite feito por Walter Sidney Pereira Lezer, secretário estadual de Saúde em 1967, para assumir a direção do DPL e o término da política de isolamento compulsório em São Paulo; a mudança do nome da doença de ‘lepra’ para ‘hanseníase’, a opinião dos doentes sobre o novo nome e comentários sobre a petição internacional de mudança do nome no International Leprosy Congress, em Bergen, 1974; a criação das revistas Hansenologia Internationalis, Hanseníase, Resumo de Notícias e sobre o neologismo ‘hanseníase’; sobre as leis que aprovaram a mudança do nome da doença.

Fita 2 – Lado A
Sobre a baixa adesão do termo hanseníase pelas camadas populares, que reconhecem a terminologia ‘lepra’; os plágios realizados de sua pesquisa sobre o Fator N de Rotberg; as atribuições e o trabalho realizado no DPL e a suspensão da obrigatoriedade de isolamento dos pacientes com lepra; o uso dos serviços do Lions Club e do Rotary Club para a realização do trabalho de Educação
Sanitária que informava a população sobre as mudanças que estavam sendo implantadas na saúde; a desativação dos leprosários que se tornaram hospitais gerais, com outras especialidades, ou institutos de pesquisas, entre 1967 e 1969; a mudança na medicação utilizada que passou a ser química com a introdução das Sulfonas e o aumento na procura pelo novo medicamento; explicações sobre as condições para o paciente obter a alta e como esta era concedida pelas Comissões de Alta; a necessidade de apresentar, em média, 12 exames negativos no decorrer do ano.

Fita 2 – Lado B
Continuação dos comentários sobre as Comissões de Alta; explicações sobre os diferentes tipos de hanseníase e as principais formas de contágio; a eficácia da Sulfona, que possibilitou o fim do isolamento compulsório; o VII Congresso Internacional de Lepra, em 1958, em Tóquio, e o debate sobre a abolição dessa prática como tratamento; a resistência ao fim do isolamento compulsório
em São Paulo e o posicionamento dos anti-isolacionistas, que se concentravam na Faculdade de Saúde Pública; o trabalho da deputada estadual Conceição da Costa Neves, de São Paulo, e seu discurso contrário ao isolamento; esclarecimentos sobre sua trajetória profissional e o trabalho concomitante de professor na Faculdade Paulista de Medicina, entre 1959 a 1972, e na direção do Departamento de Profilaxia da Hanseníase.

Fita 3 – Lado A
Comentários sobre a campanha contra o nome ‘lepra’ que realizou entre os alunos de graduação, e o apoio recebido por estes; sobre o ensino de dermatologia durante sua graduação na USP, em 1928, e as aulas do professor João de Aguiar Pupo; considerações sobre a rivalidade que existia entre os anti-isolacionistas e os que eram a favor dessa prática; o funcionamento dos preventórios e o cotidiano dos leprosários; as creches para crianças nascidas dentro dos leprosários e a inviabilidade encontrada nesse serviço; as atividades oferecidas nos leprosários, como as oficinas de trabalho, com o objetivo de dar uma ocupação aos internos; a condenação da Igreja ao uso de métodos contraceptivos; a apresentação do trabalho escrito em parceria com Luiz Marino Bechelli sobre a ineficiência do óleo de chaulmoogra no X Congresso Internacional de Lepra, em Bergen, em 1973; comentários sobre o leprologista Heráclides César de Souza-Araújo e sua pesquisa sobre a lepra em diferentes países; a meta não alcançada de eliminação da hanseníase no Brasil até 2002; as três formas de combate às doenças: imunização, tratamento e eliminação do agente transmissor.

Fita 3 – Lado B
Explicações sobre a impossibilidade de imunização da lepra em razão do Fator N de Rotberg em comparação com outras doenças nas quais se pode combater o agente transmissor; a importância do tratamento ao doente para impedir o surgimento de novos casos, e as dificuldades encontradas no longo tratamento, que induzem ao abandono; o trabalho censitário de Wandick Del Fávero, na cidade de Candeias, Minas Gerais, e o trabalho atual de Leontina Margarido, no Norte, sobre os elevados índices de novos casos de hanseníase; relato sobre a persistência do estigma da lepra, que inibe o doente em buscar tratamento, mesmo após a mudança de sua denominação para hanseníase.

Fita 4 – Lado A
Comentários sobre a implantação da poliquimioterapia e o longo período de tratamento, que leva ao desinteresse da população; a diminuição do estigma da doença a partir da mudança para o nome ‘hanseníase’; considerações sobre a cura da hanseníase; observações sobre congressos de dermatologia, atualmente financiados pela indústria farmacêutica, e lembranças de como eram os congressos de que participava; seu trabalho no consultório particular de dermatologia, que funcionava desde 1940; observações sobre a diferença no tratamento entre ricos e pobres.

Fita 4 – Lado B
Comentários sobre a hesitação em aceitar a possibilidade do fim do isolamento compulsório; explicações sobre o posicionamento conservador a favor dos asilos, embora soubesse da ineficácia da internação como tratamento; sobre os diagnósticos feitos pelos motoristas do Serviço de Profilaxia da Lepra e a aceitação dos médicos; comentários sobre a reação contra o isolamento e a criação do leproestigma, termo elaborado por ele, que significa o preconceito em relação à doença lepra e que persiste, mesmo após a mudança de seu nome.

Antônio Ademar Barahuma Bezerra

Entrevista realizada por alunas da professora Maria Leide W. de Oliveira, em Cruzeiro do Sul (AC), no dia 30 de maio de 2002.
Sumário
Fita 1 – Lado A
Sobre o local de nascimento em Vila Portoval, no Alto Juruá, Acre; informações sobre a origem de seu apelido ‘Coragem’ e a apreciação pelo futebol; comentários sobre os pais, irmãos, esposa e filhos, e lembranças da infância; o trabalho na secretaria do Dispensário de Lepra, de Cruzeiro do Sul e o primeiro contato com a hanseníase, em 1958; formação escolar e a mudança com a família de Vila Portoval para Cruzeiro do Sul, em 1951, aos 15 anos; o emprego de tesoureiro no Hospital Geral de Cruzeiro do Sul em 1963 e o retorno, em 1971, ao Serviço de Dermatologia, da Secretaria de Saúde do estado do Acre; comentários sobre Hélio
Nunes e Francisco de Pádua e o aprendizado com esses médicos; informações sobre como se tornou funcionário público federal e sua aposentadoria, em 1996; comentários sobre o isolamento compulsório, a separação das famílias dos hansenianos e o leprosário de Cruzeiro do Sul; o preconceito que cerca a doença, a não ida para a Superintendência de Campanhas (Sucam) e a satisfação com o trabalho de atendimento à população atingida pela doença no Alto e Baixo Juruá e com a equipe de trabalho; as mudanças nas políticas de controle da hanseníase e a poliquimioterapia; o trabalho de conscientização dos habitantes daquela região e a insatisfação com a municipalização do Serviço Nacional de Lepra (SNL); questões relativas à cura da hanseníase e sua mudança de nome; as doses dos medicamentos; o Morhan e a relação dos doentes com a comunidade; relatos de casos de
pacientes e sua esperança em ver o Acre eliminar a hanseníase; considerações sobre a necessidade de maior assistência às pessoas que residem no Baixo Juruá.

Cristiano Cláudio Torres

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel e Maria Leide W. de Oliveira, em Salvador (BA), no dia 09 de agosto de 2002.
Sumário
Fita 1 – Lado A
Informações sobre o local de nascimento na Colônia da Prata, em Igarapé-Açu, Pará; comentários sobre os pais e irmãos, seu nascimento e a ida para a creche Santa Teresinha; o aparecimento dos primeiros sintomas de hanseníase, em 1944, aos cinco anos de idade e a internação na Colônia de Marituba; a transferência para a Colônia do Prata em 1945, aos seis anos, para encontrar os pais; o espanto ao ver, pela primeira vez, as deformações físicas dos pais e a inexistência de tratamento adequado na época; sobre Alfredo Brutz e a saída da colônia para a capital Belém com os pais, em 1948; a permanência dos irmãos saudáveis na creche; o trabalho na quitanda e a vinda dos irmãos para junto da família; os primeiros problemas decorrentes da doença aos 20 anos de idade, conseqüente do abandono do tratamento; a piora no estado de saúde do depoente aos 21 anos, a volta para Marituba com os pais e a revolta em retornar à colônia em 1960; comentários sobre a repressão sofrida na colônia e os embates com os diretores pelos direitos dos internos; relatos sobre os namoros, as medidas profiláticas para impedi-los e a briga com o diretor Chaves Rodrigues por causa de seu casamento; o casamento em 1967, apesar da proibição, e a sua prisão por oito dias; relato sobre a vida de casado na colônia; o falecimento do pai em 1966 e a ida para a casa da mãe; a visita do governador Jarbas Passarinho à colônia em 1964 e as circunstâncias da saída dos pais do pavilhão coletivo para uma casa individual; sua separação em 1974, após sete anos de casamento e o que a motivou; seu emprego como auxiliar de enfermagem; sobre o jornal clandestino Clarim elaborado por sua mãe e outros pacientes da colônia do Prata; sobre os temas que o jornal abordava como críticas às medidas profiláticas e disciplinares; as freiras que ajudavam a esconder o jornal, a relação da igreja católica com a doença e a presença da igreja nos leprosários; sobre Reinaldo Sá, diretor da colônia, que morreu de infarte após jogar bola com o depoente.

Fita 1 – Lado B
Sobre os dois times de futebol da colônia de Marituba e a criação do Nauas, seu time de futebol; comentários sobre o intercâmbio esportivo entre as colônias e as atividades culturais da colônia como teatro e grupos musicais e folclóricos; a vinda do governador Jarbas Passarinho à colônia, em 1964, a encenação da peça de teatro contestando a ditadura militar e a amizade com Passarinho; relatos sobre o carnaval na colônia e a rivalidade entre os dois blocos existentes; considerações sobre o isolamento compulsório; o início do uso de medicamentos como óleo de chaulmoogra e as reações; o tratamento quimioterápico com a sulfona e as dores decorrentes da doença; as primeiras deficiências na mão com o avanço da doença; sobre Marcelo Cândia e a prevenção de incapacidade; o seu engajamento na luta por melhoria na condição de vida dos pacientes; as entidades sociais ligadas ao combate da doença; o irmão Gedová e a Sociedade de Pobres e Cegos da Divina Providência; a respeito do loteamento de casas efetuado pelo governo, na década de 1970, na área onde estava situada a colônia; quando o depoente passa a pagar por serviços básicos, como o uso de água e energia elétrica; o fracasso do ônibus coletivo gratuito e a criação de uma linha de ônibus; sua ligação com o Partido dos Trabalhadores (PT) e o conflito com o prefeito do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) por falta de prestações de contas; o julgamento e o juiz comprados, segundo o depoente, pelo prefeito.

Fita 2 – Lado A
O outdoor acusando o prefeito de esconder o dinheiro do município; a defesa do depoente pelos advogados do PT; a união com o novo prefeito e a construção da Câmara Municipal dentro da colônia de Marituba; sobre a criação da Secretaria Municipal de Saúde e do Serviço Social; a fundação do Centro de Referência em hanseníase do município na Colônia e a proposta de mudança do nome da Colônia para bairro D. Aristides; sobre a visita do Papa João Paulo II ao leprosário em 1980 e a luta para preservação dessa igreja como lugar histórico; sua ligação com o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e observações sobre seu início, fundadores, o primeiro encontro em São Bernardo do Campo, SP, e as diversas representações pelos estados; o estigma que ainda permanece; a mudança do nome do Morhan de Movimento de Reintegração do Hanseniano para Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase; a respeito do alto índice da doença no Pará; sua participação no Morhan e erudição sobre aspectos referentes à doença; a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e dificuldade de implantar um sistema de saúde eficiente; sua eleição como Presidente do Conselho de Saúde; a bolsa de estudos concedida por Jarbas Passarinho para o término de seus estudos; o preconceito sofrido nas escolas por ter morado em uma colônia e a doação da bolsa para a filha saudável de um paciente; a criação de um curso supletivo com professores voluntários e a não conclusão desse curso por sua atuação no Morhan; sobre o livro que está escrevendo, o segundo casamento em 1980 e a criação de suas enteadas, como filhas legítimas, e seus netos; sobre sua amizade com Regina Barata, atual vereadora do PT; a morte de sua segunda mulher; o estudo da lei nº 4320 sobre orçamento público.

Fita 2 – Lado B
Continuação do comentário sobre o estudo da lei nº 4320 e sua relação com representantes do município de Marituba; a implementação da lei orgânica e a participação dos movimentos sociais dentro da Câmara Municipal; os 30 artigos que o depoente elaborou para a Câmara, tais como, a criação de cargos públicos para deficientes físicos; comentários sobre a funcionalidade do Conselho de Saúde do município de Marituba; a luta do depoente em superar traumas, preconceitos e marcas da doença, como um exemplo para as gerações futuras.

Luiz Marino Bechelli

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel e Maria Leide W. de Oliveira, em Ribeirão Preto (SP), no dia 07 de maio de 2002.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Lembranças da primeira esposa Laura e dos filhos; comentários sobre a vinda dos pais da região de Toscana, Itália, para o Brasil; formação escolar nos colégios Dante Alighieri e Anglo Latino, em São Paulo; a opção pela Medicina e a amizade com Abraão Rotberg e o estágio dos dois no Sanatório de Cocais; a admiração pelos mestres Jairo Ramos e Lemos Torres e seus ensinamentos; o uso do óleo de chaulmoogra e da Sulfona; a ida para o dispensário regional em Araraquara; o isolamento compulsório e a escolha pela dermatologia; seu casamento em 1936 e a bolsa em dermatologia na Columbia University em 1945; o curso de Epidemiologia e Estatística na Case Western Reserve University, em Cleveland, em 1945; a volta para o Brasil depois de dois anos e a livre-docência em 1947 na USP; a atuação no Hospital das Clínicas como dermatologista em um consultório particular, ao mesmo tempo em que trabalhava no DPL; o convite de Zeferino Vaz, em 1957, para tornar-se professor de Dermatologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto; a atuação na Liga Contra a Sífilis e a participação na fundação da Sociedade Paulista de Leprologia; a ida para Ribeirão Preto em 1957; relatos sobre a fundação da Faculdade de Ribeirão Preto por Zeferino Vaz e seu corpo docente; os prêmios recebidos e a participação na introdução da Sulfona no combate à lepra; os trabalhos em parceria com Abraão Rotberg, Reinaldo Quagliato e Elza Berquó; a aposentadoria do DPL; sobre o concurso e a ida para a OMS, em 1959, e sua permanência em Genebra por 10 anos.

Fita 1 – Lado B
Comentários sobre a Campanha Nacional contra a Lepra e sua relação com a política de controle da doença no país; o trabalho na OMS pelos diferentes países do mundo, como Birmânia e Índia; comentários sobre a inexistência de medicamentos eficazes ao combate da hanseníase nas décadas de 1960 e 1970 e a dificuldade em tratar a doença nesse período; comentários sobre Lauro
de Souza Lima e Nelson Souza Campos e os trabalhos em parceria com ambos; opinião sobre a recidiva da doença, o isolamento, o estigma e o sofrimento dos doentes, principalmente das mães que se separavam dos filhos que nasciam no leprosário; formas de tratamento antigas e atuais contra a doença no Brasil e o uso da vacina BCG; seu artigo contestando a suposta eliminação da hanseníase em 2000 no Congresso dos Estados Unidos, em 1994; sobre os fatores sociais mantenedores da doença e opinião sobre a nova data estipulada para sua eliminação, 2005; a concessão do prêmio Luiz Marino Bechelli e a relutância deste em participar do XVI Congresso Internacional de Lepra, realizado em agosto de 2002, em Salvador, Bahia; relatos sobre sua saúde fragilizada; lembranças do distanciamento da família quando estava em Genebra, trabalhando na OMS; sobre a vida e a carreira dos filhos.

Fita 2 – Lado A
A morte de sua primeira esposa Laura em 1978; o casamento com Maria Helena em 1982; a desinformação do público em relação à doença quando se adota o termo hanseníase, mas a opinião favorável em relação à mudança de ‘lepra’ para ‘hanseníase’; a crença na cura da doença e a pesquisa utilizando o BCG em seu combate; a alta incidência de hanseníase em países com grande desigualdade social, como a Índia; os congressos de que participou, destacando o VIII Congresso Internacional de Lepra, realizado no Brasil em 1963; as diversas políticas de controle da hanseníase no Brasil, como os dispensários, o isolamento compulsório, a Campanha Nacional contra a Lepra e o tratamento ambulatorial; comentários sobre seu colega Shaik Kahder Noordeen, ex-diretor do Programa Global de Controle da Hanseníase; a vida de professor acadêmico e a aposentadoria compulsória em 1996; a vida esportiva e a convivência amistosa com pacientes dos leprosários; os medicamentos como óleo de chaulmoogra e o elevado índice de altas com o advento do Promim; a respeito da má remuneração dos profissionais de saúde no Brasil e a dedicação destes ao Serviço de Lepra.

Diltor Vladimir Araújo Opromolla

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel Maria Leide W. de Oliveira, em Bauru (SP), no dia 06 de maio de 2002.
Sumário
Fita 1 - Lado A
Sobre o local de seu nascimento, origem familiar e a separação dos pais; formação escolar e o emprego de office-boy no Tribunal Regional do Trabalho aos 15 anos de idade; sobre o curso Ditúlio?, o vestibular para a Universidade de São Paulo (USP) e o ingresso na Faculdade de Medicina de Sorocaba/PUC-SP em 1952; os professores da faculdade tais como Carlos Lacaz, Humberto Cerruti e Lauro de Souza Lima; o estágio no Hospital de Pirapitingui e lembranças das lições aprendidas na faculdade; sobre o médico José Mário Pernambuco e as reformas implementadas por ele no Sanatório Aimorés; a viagem de férias para Salvador e a sua graduação em 1957; o retorno para São Paulo, o estágio no Hospital das Clínicas e no Hospital do Câncer e a ida para Bauru em 1958 para trabalhar no Sanatório Aimorés; a respeito do isolamento compulsório, principalmente em São Paulo, e relatos sobre a Campanha Nacional contra a Lepra e a direção de Orestes Diniz no Serviço Nacional da Lepra, no final dos anos 1950; seu casamento em 1960; comentários sobre a estrutura do Sanatório Aimorés.

Fita 1 - Lado B
Sobre os doentes que exerciam suas profissões na colônia como médicos e dentista; a administração de Mário Pernambuco e iniciativas para acabar com o estigma dentro das colônias; comentários sobre os médicos que trabalharam no Sanatório Aimorés; o aparecimento da Sulfona no Brasil, em 1946, e a participação do depoente nas Comissões de Alta na década de 1960; a mudança de nome da Instituição de Sanatório Aimorés para Hospital Lauro de Souza Lima em 1973 e mais tarde, em 1989, para Instituto Lauro de Souza Lima; o convívio com Lauro de Souza Lima e as drogas experimentadas no combate à hanseníase, tais como Vadrini e Tiouréia; a apresentação de seu trabalho sobre Rifampicina no 8° International Congress of Leprosy, em 1963, no Rio de Janeiro, Brasil; a implementação do tratamento com DADDS (Diacetil-Diamina-Difenil-Sulfona) no Brasil e os primeiros casos de resistência aos medicamentos na década de 1970.

Fita 2 - Lado A
A poliquimioterapia nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e as dosagens dos medicamentos; a satisfação do depoente com a mudança do nome da doença para hanseníase; os projetos de pesquisa desenvolvidos no Instituto como a inoculação do bacilo de Hansen; relatos da passagem do Instituto Lauro de Souza Lima no primeiro centro de referência na luta contra a hanseníase no país e a sua vasta biblioteca; lembranças de Abrahão Rotberg, Eduardo Rabelo e Rubem David Azulay na Jornada Dermatológica, evento realizado no início da década de 1970, em São Paulo; as reuniões do Serviço Nacional de Lepra com as entidades internacionais que interferiam em questões referentes à doença no Brasil; a divisão do Instituto na área social e na área do Hospital; a criação do Centro de Reabilitação no Instituto Lauro de Souza Lima, na década de 1960.

Fita 2 - Lado B
Continuação dos comentários sobre a organização e a formação do Centro de Reabilitação do Instituto Lauro de Souza Lima; relatos sobre as mortes de Reinaldo Quagliato e Lauro de Souza Lima; críticas à atuação de Luiz Marino Bechelli por não ter tido nenhuma iniciativa para combater a doença nas décadas de 1960 e 1970, quando ocupava o posto de perito da Organização Mundial de Saúde (OMS) em lepra; sobre o 10° International Leprosy Congress, em Bergen, Noruega, em 1973 e o debate de Abrahão Rotberg com Luiz Marino Bechelli por este não ter apoiado o projeto de Rotberg em mudar a designação da doença; a participação do depoente na reunião para elaboração da Portaria Ministerial nº 165 de 1976, junto com Abraão Rotberg, Carlos Lezer e Paulo Almeida Machado; os cursos oferecidos pelo Instituto Lauro de Souza Lima tais como o de Residência Médica de Dermatologia, os cursos de aprimoramento, o curso de Dermatopatologia, os cursos de prevenção de incapacidade e de reabilitação; comentários sobre os profissionais do Centro de Reabilitação; sobre os filhos, netos e informações sobre a vida pessoal; considerações sobre a nomeação do Instituto com o nome de Lauro de Souza Lima.

Fita 3 – Lado A
Sobre as reações físicas provocadas pela hanseníase e o início da utilização de medicamentos eficazes como a Talidomida e o Doriden?; a pesquisa realizada pelo depoente na qual empregava Talidomida para o tratamento da doença e a publicação desse trabalho no periódico “O Hospital”; o vasto acervo da biblioteca do Instituto Lauro de Souza Lima, herança do antigo Departamento Profilaxia de Lepra de São Paulo; sobre o consultório clínico que mantém até a sua morte em parceria com dois amigos dermatologistas; as dificuldades enfrentadas pelo Instituto Lauro de Souza Lima na década de 1980 e a importância deste no Brasil, sobretudo no que se refere a prevenção de incapacidades e cirurgias de reabilitação; comentários sobre o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN), da Sociedade para a Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (SORRI), de Francisco Augusto Vieira Nunes (Bacurau) e a importância de Thomas Ferran Frist; sobre o médico Frank Duerksen , a reinserção dos ex-pacientes na sociedade e a importância das cirurgias de reabilitação para isso.

Fita 3 – Lado B
Continuação dos comentários sobre o médico Franke os cursos de reabilitação ministrados por ele no Brasil e seu método de trabalho, como a realização de 30 cirurgias em uma semana no país, em 1974; a respeito das cirurgias reabilitadoras que passaram a ser feitas em diferentes regiões do Brasil.

Marcos da Cunha Lopes Virmond

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel e Maria Leide W. de Oliveira, em Bauru (SP), no dia 06 de maio de 2002.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Lembranças da infância e do pai militar; os diversos estados onde residiu, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco; formação escolar; comentários sobre a Revolução de 1964 e o ex-presidente João Goulart; a ida para Porto Alegre e o ensino médio no Colégio Estadual Júlio de Castilhos; o vestibular para a UFRGS; recordações do avô médico e sua biblioteca; a formação como
músico e sua participação na Ordem dos Músicos do Brasil; a escolha pela Medicina e a graduação na UFRGS, em 1974; a profissão dos irmãos; a residência em cirurgia geral e comentários sobre Jair Ferreira; a ida para o Hospital Colônia Itapuã em 1976, por intermédio de César Bernardes e o início do trabalho com cirurgia de reabilitação em hanseníase; a participação no Curso de Cirurgia de Hanseníase no Brasil em 1979, com Frank Duerksen; a respeito do professor Arvelo e seus ensinamentos sobre prevenção de incapacidade; a ida para Bauru em 1980 e a total identificação com a área cirúrgica; o aprendizado com o cirurgião Frank Duerksen no período em que trabalharam juntos; a ida para a Índia, com financiamento da American Leprosy Missions (ALM); sobre Maria Leide W. de Oliveira e os avanços nas questões referentes à doença, como reabilitação, prevenção de incapacidade e implementação de poliquimioterapia, quando esta ocupou o cargo de gerente estadual de dermatologia sanitária do Rio de Janeiro, entre 1983 e 1985.

Fita 1 – Lado B
Comentários sobre cursos e realização de cirurgias no ILSL; o início da atuação na área de cirurgia, em 1990, e a entrada para o ILSL em 1994; os problemas existentes para formar e manter bons cirurgiões de reabilitação em hanseníase no país; a passagem pelo Hospital Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, convidado por Maria Leide W. de Oliveira; sobre novas técnicas de cirurgia reparadora
de mãos; relatos sobre os diversos serviços de reabilitação espalhados pelo país, como em Rondônia, no Amazonas e no Maranhão; sobre a necessidade de as Secretarias Estaduais de Saúde apoiarem as cirurgias de reabilitação; opinião sobre a doença em países como Venezuela, México e Argentina, e as razões de o Brasil registrar alto índice endêmico; a decepção com os recentes diagnósticos no país e a ineficácia da cirurgia em tais casos; comentários sobre o livro que escreveu a respeito da importância da reabilitação em hanseníase, a relevância das cirurgias e a necessidade de realização de mais cursos nessa área; comentários sobre a necessidade de o serviço básico de saúde estabelecer um diálogo com a hanseníase e o incentivo à integração de médicos das mais diferentes áreas na luta contra a doença; observações sobre o XVI Congresso Internacional de Lepra, em 2002, e a presidência do comitê organizador ocupado pelo depoente; a vice-presidência na ILA e a importância de o Brasil sediar esse congresso.

Fita 2 – Lado A
Sobre o trabalho junto à ILA e na OMS; comentários sobre os congressos de que participou; o interesse musical do depoente, sua família, a ópera que elaborou A Glorinha e o hino comemorativo do aniversário da Revolução Farroupilha, composto por ele; o doutorado e o cargo de professor de Regência na Universidade do Sagrado Coração; relatos sobre as cirurgias de deformidades congênitas.

Fita 2 – Lado B
Comentários sobre a família e os filhos gêmeos; a importância das cirurgias de reabilitação em hanseníase no país; sobre os hansenologistas Diltor Opromolla, Aguinaldo Gonçalves, Gerson Fernando e Gerson Penna.

Miguel Chalub

Entrevista realizada por Anna Beatriz de Sá Almeida e Laurinda Rosa Maciel, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 19 de fevereiro de 2001.
Sumário
Fita 1 – Lado A
Lembranças da cidade natal, São João Nepomuceno, em Minas Gerais; ida da família para o Rio de Janeiro em função da crise econômica na cidade na década de 1940. As origens familiares libanesa e italiana; o curso primário na Escola Rio Grande do Sul, no Engenho de Dentro e a continuação dos estudos no Colégio Metropolitano, no Méier, e no Colégio Pedro II, no Engenho Novo. Lembranças do curso secundário quando era presidente do grêmio estudantil e os principais professores que marcaram este período, tais como o de Latim, Florentino Marques Leite, e Manuel Jairo Bezerra, de Matemática. As leituras de História que suscitaram o interesse pela medicina. As circunstâncias que o levaram a ser professor primário aos 15 anos. O ingresso na graduação de medicina, na UERJ, em 1958; a simpatia pela área de ciências humanas que o levaria à Psiquiatria. Sobre a Faculdade de Ciências Médicas, na Universidade do Estado da Guanabara (UEG, hoje UERJ) e comentários sobre professores que marcaram esse momento, como Américo Piquet Carneiro e Raul Bittencourt. O estágio no Centro Psiquiátrico Pedro II (CPP II), que o levou a conhecer o Dr. Washington Loyello. Comentários sobre os hospitais em que trabalhou como plantonista, tais como Fernando Magalhães, em São Cristóvão e Antônio Pedro, em Niterói. Sobre a Especialização em Psiquiatria, da Escola de Saúde Pública, atual Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), em 1964. A contratação definitiva no CPP II, em 1962. O curso de especialização em Neurologia no Instituto de Neurologia da UFRJ, em 1965, coordenado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio). A rotina administrativa do CPP II, as internações e o programa de reabilitação de pacientes, cuja responsabilidade era da Dra. Nise da Silveira.

Fita 1 – Lado B
Opinião sobre os motivos de criação de um hospital psiquiátrico como a Colônia Juliano Moreira. Uso de medicamentos no tratamento aos pacientes. Concursos para professor na UFRJ e na UERJ, na década de 1960. Razões para fazer os mestrados de Psiquiatria e de Psicologia, comentários sobre psicoses reativas, tema da dissertação em Psiquiatria na UFRJ, em 1973. Comentários sobre delírio, tema de sua dissertação em Psicologia defendida na UERJ, em 1974. A importância dos cursos de Filosofia e Ciências Sociais em sua formação. A tese de doutorado em Medicina, defendida na UFRJ, em 1979, com tema de psiquiatria legal. Comentários sobre a lei brasileira de isenção da pena ao doente mental. A história de Custódio Serrão, um paciente que foi internado no Hospício de Pedro II, no início do século XX, e pediu para ser julgado. As atuais atividades profissionais, o consultório particular, a docência e a supervisão em Residência Médica. A formação psicanalítica no Instituto de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, em 1980. As atividades acadêmica e de pesquisa. O pós-doutorado na Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, sobre dependência química. Comentários sobre o Movimento da Reforma Psiquiátrica e a assistência hétero-familiar de Gustavo Riedel.

Fita 2 – Lado A
Comentários sobre a fundação do Hospício de Pedro II, na Praia Vermelha, no século XIX e o tratamento aos doentes naquele momento; as mudanças ocorridas com o movimento de reforma da psiquiatria tais como o CAPS, os ambulatórios e o hospital-dia. Sobre a rotina da Residência Terapêutica, recentemente regulamentada. Observações sobre a diminuição do interesse dos alunos pelo curso de Psiquiatria e, por outro lado, a procura cada vez maior pelas áreas mais tecnológicas da Medicina; sua preocupação em ensinar a importância da relação médico-paciente e motivos para continuar as atividades de professor na graduação. Sobre os congressos financiados pela indústria farmacêutica; a participação na Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro e no Conselho Regional de Medicina (CREMERJ). A publicação do livro Introdução à psicopatologia forense, pela Editora Forense, em 1981, originalmente sua tese de doutorado. A publicação de Temas de Psicopatologia, pela Editora Zahar, em 1977, onde reuniu as dissertações de mestrado em psiquiatria e em psicologia. O curso de psiquiatria jurídica, ministrado na UERJ, destinado a advogados e psicólogos. Relato sobre a experiência em perícia civil; comentários sobre a propaganda de cigarros. A falta de financiamento ao projeto de pesquisa desenvolvido no IPUB, em psiquiatria forense que pretende analisar a cidadania do doente mental. As diferenças entre clínica pública e privada.

Fita 2 – Lado B
A necessidade de um atendimento ambulatorial mais humano, destacando algumas dificuldades para manter a relação médico-paciente, como a falta de lugar adequado para atendimento ao doente. Comentários sobre o Hospital Pinel, anteriormente considerado um modelo de assistência e por isso uma contradição na vida humilde dos pacientes. A importância do atendimento no posto de saúde na formação dos alunos.

Memória e história da hanseníase no Brasil através de seus depoentes (1960-2000)

Reúne 46 entrevistas do projeto que teve como objetivo registrar as memórias e vivências de profissionais de saúde e de ex-pacientes de hanseníase. As entrevistas foram realizadas com personagens que trabalharam com a hanseníase de diversas formas como, por exemplo, na elaboração de políticas de controle à doença, na administração hospitalar, pesquisa básica, atendimento às populações atingidas e etc., ou dos que padeceram com o diagnóstico positivo para a lepra/hanseníase e sua experiência com o adoecimento e o isolamento imposto como prática médica até as décadas de 1960 e 1970. Com estas entrevistas é possível recuperar aspectos como: as estratégias de sobrevivência numa época de grande estigmatização da doença; as dificuldades com a pesquisa básica pelas particularidades morfológicas do bacilo de Hansen; os diferentes tipos de medicamentos utilizados para controle da doença; a formação acadêmica; o surgimento de associações como a SORRI e o MORHAN; os embates entre a cosmética e a dermatologia sanitária, dentre vários outros aspectos relevantes.

Germano Traple

Entrevista realizada por Maria Eugênia Noviski Gallo, em Curitiba (PR), no dia 15 de novembro de 2001.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Relato sobre o treinamento em hanseníase realizado no Central Leprosy Teaching and Research Institute e no Hand and Reconstructive Surgery and Rehabilitation Unit, no início de 1980, na Índia; o curso e treinamento realizado na Louisiana, Estados Unidos, no Department of Health and Human Services, em 1985; o trabalho como Consultor da OMS e da OPAS em países como Chile, Cuba e Peru; sua atuação como assessor da Germany Leprosy and Tuberculosis Relief Association nos Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, entre 1977 e 1995; a passagem pelo Hospital Colônia Antônio Aleixo, em Manaus; a criação da Associação Paranaense de Hansenologia e a função da Liga Brasileira de Reabilitação em Hanseníase; a participação em congressos e sua importância; comentários sobre a demora na eliminação da doença no Brasil e a implantação da poliquimioterapia; as políticas de prevenção da hanseníase; o trabalho realizado para implantação do programa de prevenção e reabilitação em hanseníase no Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, entre 1977 e 1992; os cursos ministrados em diferentes estados do Brasil e organizados pelas Secretarias Estaduais de Saúde; opinião sobre a mudança do nome da doença de ‘lepra’ para ‘hanseníase’ e a criação e atuação do Morhan; a importância em realizar a prevenção de incapacidades para poder possibilitar ao paciente uma vida normal.

Lygia Madeira César de Andrade

Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Recordações familiares, a infância em Copacabana e a carreira do pai como médico sanitarista; lembranças sobre os primeiros estudos em Petrópolis; as circunstâncias da ida para a Suíça, em 1930, e lembranças dessa viagem realizada para a mãe fazer tratamento da tuberculose; o curso prémédico, preparatório para a entrada na Faculdade Nacional de Medicina.

Fita 1 – Lado B
O ingresso na Faculdade de Nacional de Medicina, em 1937, e lembranças de algumas colegas, como Clotilde Souto Maior, e de alguns professores, como Carlos Chagas Filho e Francisco Rabello; as aulas de Dermatologia e os primeiros contatos com a lepra; a escolha pela Dermatologia diante de tantas opções para especialização; o estágio na função de Técnica de Laboratório, no Museu
Nacional, no setor de Mineralogia, Geologia e Paleontologia; a transferência para o hospital Artur Bernardes, atual Instituto Fernandes Figueira; as circunstâncias da ida para o SNL, em 1945; o trabalho na seção de Epidemiologia daquele Serviço e a convivência com profissionais como João Batista Rizzi e Rubem David Azulay; sobre o curso de leprologia do Departamento Nacional de Saúde, em 1947; o tema de sua monografia de fim de curso, a história do Hospital Frei Antônio.

Fita 2 – Lado A
O trabalho no SNL, as pesquisas de transmissão experimental e o uso do óleo de chaulmoogra; o impacto de novas medicações como a Sulfona e a Dapsona; a participação nas Comissões de Alta e a concessão de altas aos pacientes após apresentarem exames negativos e terem acompanhamento ambulatorial; comentários sobre a interdisciplinaridade nas especialidades médicas como Dermatologia, Leprologia e Sifilografia; a reação da família à sua entrada na área da Hansenologia; a criação do Instituto de Leprologia, em 1952, e a construção do prédio sede; circunstâncias da ida para o Amapá, em 1956; as dificuldades em obter material para pesquisas laboratoriais, como reagentes, líquidos e materiais biológicos; as novas instalações do IL e sua incorporação à Fiocruz em 1976.

Fita 2 – Lado B
Comentários sobre o interesse em trabalhar com lepra, após as aulas de Dermatologia com o professor Francisco Rabello, no terceiro ano da Faculdade de Medicina, em 1940; o trabalho no Hospital Artur Bernardes, atual Fernandes Figueira, depois de formada em 1942, e a classificação no concurso do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), como técnica de laboratório médico, em 1945; o convite do diretor de Manguinhos para trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz e sua recusa por causa da dificuldade de transporte para se chegar ao IOC; a vontade de trabalhar no IOC, a exemplo do pai, que faleceu nos seus 8 anos; a escolha em trabalhar no SNL, em 1945, e observações sobre seu funcionamento; a estrutura e a organização do Hospital Frei Antônio, a criação do IL em terreno pertencente à Irmandade Candelária, na década de 1940, e seus responsáveis, respectivamente; comentários sobre os aspectos burocráticos do SNL e a biblioteca do IL; a transferência deste Instituto para a Fiocruz; sobre o trabalho com Rubem David Azulay e René Garrido Neves; comentários sobre as dificuldades encontradas na realização de pesquisas no IL; referência à descoberta de novos medicamentos, como a Dapsona e a Rifampicina, na pesquisa sobre a lepra.

Fita 3 – Lado A
O momento de transferência do IL para a Fiocruz, o Ambulatório Souza Araújo e as reformas no Pavilhão Mourisco realizadas pelo Ministério da Saúde; o trabalho na direção do IL durante a transferência para a Fiocruz; a possível explicação para a recusa dos profissionais do IL em se transferir; lembranças dos congressos de que participou e comentários sobre os órgãos de gerenciamento e controle da lepra em diferentes países; as razões para não seguir a carreira de clínica médica em hanseníase; o papel da biópsia e do exame clínico para o diagnóstico em hanseníase e os avanços tecnológicos que auxiliaram esse diagnóstico, bem como seu tratamento; o tratamento com óleo de chaulmoogra e a pesquisa de transmissão experimental, realizados no IL.

Fita 3 – Lado B
Comentários sobre a mudança do nome da doença de ‘lepra’ para ‘hanseníase’; o fim dos leprosários e a vida dos pacientes nos asilos, convivendo com o medo do contágio e da discriminação; a melhoria na eficácia do tratamento e o tratamento usado na década de 1940, quando entrou para o SNL, após a medicação química; o uso de outra planta brasileira em substituição ao chaulmoogra para tratamento da doença; lembranças da disposição física dos prédios da Fiocruz.

Osmar Mattos

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel, Maria Eugênia Noviski Gallo e Maria Leide W. de Oliveira, em Niterói (RJ), nos dias 02 de outubro e 03 de dezembro de 2001.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Seu nascimento e infância em Maceió e sobre os pais e irmãos; a mudança da família para Recife, em 1932; o ingresso na Faculdade de Medicina do Recife, em 1934, e o término em 1939; o início da vida profissional, a mudança o Amazonas, a vinda para o Rio de Janeiro e o ingresso no Instituto de Leprologia, a volta para o Amazonas e o trabalho em colônia de leprosos, o retorno para a capital do estado, Manaus, e a direção do leprosário; a segunda vinda para o Rio de Janeiro e o trabalho na Campanha Nacional Contra Lepra, de 1950; o fechamento do Instituto de Leprologia, na década de 1970 e a transferência para a Saúde dos Portos e indo trabalhar no aeroporto Internacional do Rio de Janeiro; a respeito do uso da talidomida no tratamento da hanseníase e a apresentação deste método como tratamento no exterior; o aparecimento da Sulfona e o início de seu uso.

Fita 1 - Lado B
Comentários sobre os filhos; volta a comentar sobre sua saída do Instituto de Leprologia e a ida para a Saúde dos Portos e a Campanha Nacional contra a Lepra; opinião quanto à mudança do nome lepra para hanseníase; relato de casos; tratamento atual da hanseníase e a nova classificação para a doença; o isolamento compulsório no Rio de Janeiro e em São Paulo; opinião quanto à abertura e ao fechamento dos leprosários, a posição dos médicos quanto à política de isolamento compulsório; comentários sobre os professores Ramos e Silva, Eduardo Rabelo e Rubem David Azulay; o Programa Nacional de Lepra e o convite recebido por Fausto Gaioso para assumir a direção; sobre os diretores do Instituto de Leprologia; comentários sobre Luiz Marino Bechelli, Nelson de Lauro, Nelson Cavalcanti e Lauro de Souza Lima; a especialização em dermatologia no Rio de Janeiro e o Professor Armínio Fraga.

Fita 2 - Lado A
Sobre suas atribuições e o cargo na Campanha Nacional Contra a Lepra; o atendimento aos hansenianos nas unidades municipais e seus funcionários como guardas e enfermeiras; sobre o uso da Sulfona e da talidomida no combate à hanseníase; sobre a recusa do depoente em internar pacientes hansenianos com reações; a aplicação do BCG enquanto trabalhava no Instituto de Leprologia; o trabalho como chefe de setor na Campanha Nacional contra a Lepra em municípios do Estado do Rio de Janeiro e a extensão da Campanha para outros municípios; o controle dos comunicantes; os dispensários e a descentralização do centro de saúde; a respeito da necessidade de internação de alguns pacientes e a pressão que sofreu para internar dois pacientes em Cabo Frio; sobre possíveis voluntários na luta contra a doença; a remessa falsa de talidomida comprada pelo Serviço Nacional de Lepra; o cargo de mediador na Policlínica Geral do Rio de Janeiro; o professor Ramos e Silva e a cátedra de Dermatologia da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro; o convite para ministrar um curso de dermatologia em São Paulo e a participação de René Garrido Neves nesse curso como assistente; sobre a cura da hanseníase e o caso dos dois advogados curados em Niterói; o uso do CB1; a respeito da transmissibilidade da doença de mãe para filho; os preventórios e as internações no Hospital Frei Antônio; o tratamento da doença através da descompressão dos nervos; o uso da talidomida e suas reações; a cura da reação leprosa pelo Xécio (?);(Sheskin) os variados tipos da doença tais como virshowiano e polimorfa; o estudo sobre a doença com os paulistas Leo e Robson Janine (?); sobre seu trabalho de evolução anômala da lepra; sobre o caso da lepra de Lucio e sua intercorrências; o episódio com Periassu (?) e o diagnóstico de lepra pelo nervo auricular; a publicação desse trabalho como lepra de Lucio.

Fita 2 - Lado B
O doutor Sheskin (?) e a publicação do trabalho da talidomida no tratamento contra a lepra; sobre as políticas de controle da hanseníase no país e na Baixada Fluminense (Rio de Janeiro); o trabalho experimental da Campanha implementada pelo Rossis (?) e sua extensão pelo país todo; os meios de transportes utilizados na Campanha; sobre o preconceito que envolve a doença; a Campanha em Cabo Frio e o caso Otacílio; a decepção com Wandick Del Fávero devido ao fim da campanha estipulado por ele; a nomeação como chefe da Campanha Nacional contra a Lepra; o VIII Congresso Intenacional de Tóquio em 1958 e a abolição do isolamento terapêutico; sobre a diferença entre a Campanha Nacional e a de Orestes Diniz; a respeito de pessoas conhecidas contaminadas pela doença; sobre seu consultório na Rua da Carioca, no Rio de Janeiro; sobre sua aposentadoria; o consultório em parceria com Hinálio de Castro (também do Instituto de Leprologia) e sua admiração pelo colega; sobre as lesões cutâneas decorrentes da doença e suas diferentes designações; a ida para a Saúde dos Portos depois de uma passagem pelo Cais do Porto; a questão estatutária e a Consolidação das Leis do Trabalho; sobre a temporada que passou com a família na Colônia Antônio Aleixo; a vinda para o Rio de Janeiro para fazer o curso de lepra; a volta para a colônia e a sua nomeação como chefe do Serviço Nacional de Lepra; o caso do roubo do cimento da colônia; o rompimento com Edson Stanislau (?) devido a desavenças políticas e a demissão do Serviço; o curso de doenças venéreas no Rio de Janeiro e a ida para Fortaleza a convite do diretor de saúde do Ceará.

Fita 3 - Lado A
Sua entrada na Campanha Nacional de Lepra em 1954; sobre o Dr. Borges Filho e a alta incidência da doença por todo o Brasil; as dificuldades por quais passam os profissionais que lidam com a hanseníase no país; o controle da doença e as questões sociais que envolvem a doença tais como a pobreza da população; relatos sobre sua passagem pelo Amazonas e as péssimas condições de vida das famílias que habitavam esse estado; lembranças de alguns casos de hanseníase nos locais em que já atuou tais como: Roraima, Amapá e Acre; a especialização em dermatologia ministrada pelos doutores Armínio Fraga e Ramos e Silva; memórias acerca desses professores; a admiração pelo professor Ramos e Silva e por sua filha Márcia Ramos e Silva; o caso do professor Arton (?) da Itália e sobre os doutores Mário Rutovit (?) e Jarbas Porto; sua opinião sobre o Movimento de Reintegração de pessoas atingidas pela Hanseníase (MORHAN); o congresso de Dermatologia em 1979; a respeito de medicamentos utilizados no tratamento da doença como o óleo de chaulmoogra, a Sulfona e a diazona; lembrança de alguns casos tratados com Sulfona (DDS).

René Garrido Neves

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel, Maria Leide W. de Oliveira e Márcio Campista, no Rio de Janeiro e em Niterói (RJ), nos dias 21 de setembro e 02 de outubro de 2001.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Seu nascimento e infância em Niterói, no Rio de Janeiro; as atividades profissionais de seus pais e sua intenção de seguir a carreira militar; lembranças do Curso Científico no Liceu Nilo Peçanha, em Niterói; a opção pela Medicina e o ingresso na Faculdade Fluminense de Medicina, atual UFF, em 1948; comentários sobre professores, colegas e o fim da obrigatoriedade da tese para obtenção do diploma no curso de Medicina.

Fita 1 – Lado B
Sobre a opção pela Dermatologia e as aulas do professor Paulo de Figueiredo Parreiras Horta e seu assistente, Rubem David Azulay; o estágio no ambulatório de Dermatologia da Universidade, em 1951; a contratação para trabalhar no Laboratório de Anatomia Patológica, no Instituto de Leprologia (IL), após a formatura, em 1954; suas perspectivas de trabalho durante a graduação e a primeira experiência como professor da parte prática do Curso de lepra, oferecido pelo Ministério da Saúde, em 1954; os cursos de extensão oferecidos pela Sociedade dos Internos da Santa Casa do Rio de Janeiro, tais como o Curso de Dermatologia, em 1952; comentários sobre o curso de Histopatologia da Pele com o professor Hildebrando Portugal, na Universidade do Brasil, em 1962, a impossibilidade de fazer o curso de Micologia e o pouco valor dados à qualificação profissional no país; o concurso para auxiliar médico da Secretaria de Saúde e Assistência do Distrito Federal, de 1953 a 1954; a transferência do IL para a fundação Oswaldo Cruz, na década de 1970; sobre a Campanha Nacional contra a Lepra e o Dr. Orestes Diniz, diretor do Serviço Nacional da Lepra à época, comentários sobre Ernani Agrícola.

Fita 2 - Lado A
Comentários sobre a política de isolamento compulsório; o funcionamento do Hospital Frei Antônio, em São Cristóvão/RJ; o Curso de Leprologia, do Serviço Nacional de Lepra, em 1956, cujos professores eram Rubem David Azulay e Avelino Miguez Alonso, entre outros; as mudanças na estrutura do curso, como enviar os professores para os estados para realizar cursos intensivos; as atividades do IL; a pesquisa para a implantação da Sulfona no Brasil; comentários sobre o Dr. Diltor Vladimir Araújo Opromolla, médico do Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru (SP); as pesquisas do Dr. Inálio de Castro; o curso de Especialização em Lepra, do Departamento Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde, em 1957.

Fita 2 – Lado B
As atividades do IL no combate a hanseníase após a descentralização; os critérios das comissões de alta; relato de um estudo de caso em paciente. Seu trabalho como diretor do IL, em 1964; o projeto com a Organização Mundial de Saúde, para tornar o instituto um centro de referência em pesquisa de Sulfona; algumas dificuldades; a produção da Lepromina. O trabalho como Chefe de Anatomia Patológica do IL, em 1969. Comentários sobre os vínculos empregatícios e os salários dos funcionários públicos que trabalham na área da saúde.

Fita 3 – Lado A
Outras observações sobre a incorporação do Instituto de Leprologia a Fundação Oswaldo Cruz, na década de 1970; a biblioteca do IL especializada em hanseníase; relato sobre a transferência da área do IL para a Irmandade da Candelária, em 1976; e a transferência do Serviço Nacional de Lepra para Brasília; as tentativas de resistência; sua ida para o Instituto do Câncer; as dificuldades de implantação do serviço de atendimento ao câncer de pele; o curso de Dermatologia, de 1952.

Fita 3 – Lado B
Os estágios oferecidos pelo IL; a assessoria dada pelo Instituto para diagnóstico de lepra de outros estados e até de outros países, como a Guiana Holandesa; sobre o Dr. Lauro de Souza Lima e suas atividades com a hanseníase; sua carreira de docente como professor titular da Universidade Federal Fluminense, em 1986; as atividades do Dr. Rubem David Azulay; sobre as técnicas de laboratório para diagnóstico de lepra; o trabalho como Assistente do Serviço de Dermatologia, em 1958.

Fita 4 – Lado A
As atividades como presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, em 1986; sobre a Associação Brasileira de Leprologia e o simpósio acerca da utilização da vacina BCG contra a lepra; o primeiro Curso de Dermatologia Tropical realizado em 1979, na cidade de Manaus, Amazonas e as circunstâncias da realização do curso em Porto Velho, Rondônia; comentários sobre o médico Abraão Rotberg; o ensino da Dermatologia no Brasil; observações sobre a catalogação de seus artigos publicados; as circunstâncias de sua aposentadoria, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1979; como se deu a organização da pós-graduação na UFF, durante o período em que trabalhou como Coordenador, sendo, ao mesmo tempo, aluno.

Fita 4 – Lado B
Lembranças de situações vivenciadas durante o curso de pós-graduação; seu trabalho como avaliador da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) nos cursos de pós-graduação; as circunstâncias de sua ida para a UFRJ, como professor titular em Dermatologia, em 1992 e como foi realizado o concurso; os títulos de Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em 1967, e de Especialista em Hansenologia, pela Sociedade Brasileira de Hanseníase (SBH), em 1974; o concurso para médico dermatologista do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), em 1973; sua formação musical em teoria e solfejo pelo Teatro Municipal de Niterói, em 1939.

Fita 5 – Lado A
O Curso de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas, realizado em 1985, no Instituto de Pós-Graduação Carlos Chagas; a diminuição da carga horária da disciplina Dermatologia na graduação, atualmente e o maior interesse dos professores e alunos na área de estética; sua participação em congressos; a meta de eliminação da hanseníase no Brasil e o alto índice dos casos da doença; a importância da mudança do nome lepra para hanseníase.

Fita 5 – Lado B
O estigma que envolve a doença; comentários sobre a proposta de Abraão Rotberg para a adesão internacional do termo hanseníase e o embate deste com Luís Marino Bechelli devido a isto.

Rubem David Azulay

Entrevista realizada por Laurinda Rosa Maciel, Maria Leide W. de Oliveira e Márcio Campista, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 09 e 17 de outubro de 2001.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Lembranças da infância e o primeiro contato com a hanseníase; admiração pelo livro "La contagion de la lèpre en l'état de la science", de Zambaco Pacha; formação escolar no Colégio São Geraldo Magela, no Pará; o ensino primário, os castigos aplicados pelos professores e a educação rigorosa no Ginásio Paraense; a família, os irmãos; a experiência como líder estudantil e orador do diretório ginasial; o interesse pela medicina; a revista do diretório; a publicação da foto do major Barata na primeira página do jornal do diretório, como forma de agradecimento pelo dinheiro oferecido para ajudar na elaboração da revista; a oposição de Jarbas Passarinho ao major Barata; o projeto de lei para transformar o curso ginasial; a dificuldade financeira em pagar o pré-vestibular, e o primeiro lugar obtido no vestibular; a Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará e sua graduação; a excursão com
a caravana do major Barata, em 1935, e a bolsa oferecida pelo governo para ingressar na faculdade, em 1936; o impeachment de Barata, em setembro de 1936, e a perda da bolsa de estudos; a difícil situação econômica dos pais; a abertura do curso de Histologia; a transferência para o Rio de Janeiro no terceiro ano da graduação; a União Democrática Estudantil e a experiência como orador, o discurso no Teatro da Paz e a suspeita de comunismo.

Fita 1 – Lado B
Sobre os motivos da mudança do Pará para o Rio de Janeiro, em 1938, e lembranças dessa viagem; o ingresso na Faculdade Fluminense de Medicina, a moradia na pensão de dona Buzuga e a descoberta de que estava tuberculoso; a relação com o professor Parreiras Horta, o período de repouso em Itaipava e comentários sobre o tratamento e estigma da tuberculose; o primeiro encontro com sua esposa Ester, com quem viveu por mais de 60 anos; o concurso para Manguinhos entre
1939 e 1940; o Curso de Aplicação no IOC no sexto ano da graduação; relato sobre professores, alunos, disciplinas, duração do curso e a premiação recebida com a medalha de ouro confeccionada por sua mãe; os critérios para a nomeação de pesquisador do IOC; o curso de lepra do professor Heráclides César de Souza-Araújo, no âmbito do Curso de Aplicação do IOC; o concurso para
laboratorista do IOC e a suspeita de discriminação sofrida por ser judeu; o ingresso na carreira universitária e os problemas com o concurso para a Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará; o retorno para Belém, após a formatura, e a volta para o Rio de Janeiro, após curta permanência na terra natal.

Fita 2 – Lado A
A vida profissional na UFF, os cargos ocupados e a melhoria na infraestrutura da faculdade; o início do curso de pós-graduação em dermatologia, a criação do primeiro curso de mestrado em dermatologia do Brasil, o começo da internação de doentes de hanseníase em hospitais universitários, os motivos de sua saída da UFF; a vida profissional na UERJ; o início da carreira como assistente do professor Hildebrando Portugal, a direção do professorado de dermatologia, o início do curso de pós-graduação em dermatologia na UERJ e comentários sobre alguns alunos formados; o concurso para preenchimento da vaga deixada pelo professor Eduardo Rabello e a disputa com o professor Sílvio Fraga; a vida profissional na UFRJ; a retomada da pós-graduação e a criação do doutorado na UFRJ; sua aposentadoria e a entrada do professor René Garrido Neves; a volta para a Santa Casa da
Misericórdia, a chefia de serviço e a pós-graduação; o cargo de professor de graduação na Universidade Gama Filho, na Universidade Souza Marques e na Pontifícia Universidade Católica; comentários sobre a Santa Casa da Misericórdia, a permanência no IL, os cargos ocupados, produção científica, o trabalho realizado no Instituto; a primeira experiência utilizando a vacina BCG; a
viagem para os Estados Unidos e os cursos em Carville e no Skin and Cancer Unit.

Fita 2 – Lado B
O curso realizado nos Estados Unidos e sua produção científica; o contato com a hanseníase durante a vida acadêmica e seu tratamento através do isolamento compulsório; sua experiência profissional, lembranças e casos; a situação social dos doentes com hanseníase; sobre a Campanha Nacional contra a Lepra e o combate à doença durante e depois dela; os professores Francisco
Rabello, filho de Eduardo Rabello, e Luiz Marino Bechelli e a mudança do nome ‘lepra’ para ‘hanseníase’; relato sobre Abraão Rotberg e sua teoria Fator N de Rotberg (fator natural que impede, ou não, que se tenha a doença); sua participação nas Comissões de Alta na década de 1950 e os trabalhos científicos realizados nesse período; a política contida nas Comissões de Alta, quem e
quantos eram os participantes dessas Comissões e as mudanças com os novos tratamentos para a hanseníase; o que era necessário para que obtivesse alta; a existência, ou não, da cura da hanseníase, e os critérios da OMS em relação à cura; as políticas de controle da hanseníase e as divergências entre sanitaristas e epidemiologistas; sobre o professor Ernani Agrícola e o incentivo à produção científica; sobre Eunice Weaver e a bolsa de estudos oferecida ao depoente pelo primeiro lugar no curso de lepra; sobre a promiscuidade nos hospitais-Colônia; a separação dos filhos dos pais, portadores de hanseníase, e a permanência de crianças em preventórios.

Fita 3 – Lado A
Um pouco sobre a história da lepra e de outras doenças infecciosas: a origem da palavra lepra, Moisés como primeiro sanitarista, a lepra, a Bíblia e Jesus Cristo; a entrada em Jerusalém, Cristo como traidor, a ressurreição; lições deixadas para os técnicos mais jovens; o estigma negativo que envolvia a palavra ‘leproso’; possíveis diferenças existentes entre lepra e hanseníase; sobre os
professores Daniel C. Danielssen e Gerhard Armauer Hansen; as diferentes classes sociais e a lepra; aspectos religiosos: a origem do monoteísmo e do “amor ao próximo”, a perseguição aos judeus e sua origem, assim como a da religião católica e da Igreja; alguns aspectos do judaísmo; problemas trazidos com a mudança do nome ‘lepra’ para ‘hanseníase’; lembranças sobre um paciente; outras observações sobre o professor Abraão Rotberg; a perseguição aos judeus e a contribuição científica destes à medicina; a medicina nas antigas civilizações.

Orlando Vicente Ferreira

Entrevista realizada por Anna Beatriz de Sá Almeida e Magali Romero Sá, no Rio de Janeiro (RJ), em 21 de fevereiro de 2001.
Sumário
Fita 1 - Lado A
O perfil de Fred Soper, dirigente da Fundação Rockefeller no Brasil; comentários a respeito da participação como assistente-técnico e desenhista na Fundação Rockefeller entre 1940 e 1946; a organização do Setor de Entomologia da Fundação Rockefeller e a rotina de trabalho; o destino das coleções científicas da Fundação Rockefeller após a saída da instituição do Brasil; considerações acerca de sua especialização e a necessidade de reconhecer as várias espécies de mosquitos para a realização do trabalho de taxonomia; a participação na coleta de mosquitos em Teresópolis (RJ); considerações sobre as várias espécies coletadas por profissionais da Fundação Rockefeller e levadas para os Estados Unidos; as excursões de coletas organizadas pela Fundação Rockefeller e sua participação nestas; os vários espécimes de mosquitos e larvas coletados nas excursões organizadas pela Fundação Rockefeller; a catalogação e o armazenamento do material coletado pelo Laboratório de Entomologia da Fundação Rockefeller.

Fita 1 - Lado B
O perfil de Nelson Cerqueira e suas funções na Fundação Rockefeller, assim como aquelas exercidas pelos desenhistas contratados; a transferência para o Serviço Nacional de Febre Amarela (SNFA), como auxiliar de entomologia, após a saída da Fundação Rockefeller do Brasil; o destino das coleções de mosquitos organizadas pela Fundação Rockefeller; os atuais curadores de parte das coleções de mosquitos da Fundação Rockefeller, catalogadas no Centro de Pesquisas René Rachou; comparação entre os curadores das coleções científicas atuais e os do passado; o processo de transferência da Fundação Rockefeller para o SNFA; breve comentário sobre as rivalidades entre os funcionários da Fundação Rockefeller e os do IOC; o ingresso no setor de desenhos da Seção de Zoologia Médica na década de 1950 no IOC; referência à formação de grupos na Seção de Entomologia; o perfil profissional de Edith da Fonseca e de Antônio Pugas, desenhistas da Seção de Zoologia Médica do IOC; a formação profissional e os primeiros trabalhos como desenhista.

Fita 2 - Lado A
O investimento profissional na área de desenho científico; o trabalho com a Coleção Entomológica de Costa Lima, pesquisador do IOC; a formação da coleção do professor Costa Lima; os critérios para a incorporação de novos espécimes coletados por pesquisadores do IOC na coleção organizada por Costa Lima; referência à Bertha Lutz; as coleções deixadas por Adolpho Lutz; o perfil profissional de Adolpho Lutz e de Costa Lima; a formação da coleção organizada por Costa Lima; o relacionamento profissional entre os pesquisadores Lauro Travassos e Costa Lima; a formação da Coleção Geral de Entomologia; referência aos
roubos de espécimes das coleções científicas; considerações acerca de sua participação na organização da Coleção Geral de Entomologia; as coletas realizadas pelo coronel Moacyr Alvarenga; a falta de apoio institucional do IOC para a coleta, catalogação e organização das coleções científicas; a idealização de um prédio para armazenar as coleções na Fiocruz; a necessidade de curadores para as coleções científicas; o envolvimento dos pesquisadores na organização das coleções no passado; o perfil profissional de Hugo de Souza Lopes.

Fita 2 - Lado B
Comparações entre os colecionadores do passado e do presente; a necessidade de organizar as coleções científicas da Fiocruz para facilitar o acesso dos pesquisadores de outras instituições; relato das atividades realizadas quando exerceu a curadoria da Coleção Entomológica; reflexão sobre as implicações do "Massacre de Manguinhos" na trajetória de alguns pesquisadores do IOC; comparações entre os curadores de coleções científicas na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil; o perfil profissional de Herman Lent e José Jurberg; a transferência das coleções científicas para o Hospital Evandro Chagas (HEC) na Fiocruz; as questões políticas envolvidas na transferência das coleções científicas para o HEC; a contribuição para organização das coleções científicas da Fiocruz; os prejuízos causados às coleções científicas devido a transferência para o HEC; reflexões acerca do futuro das coleções científicas da Fiocruz.

Antônio Borges Júnior

Entrevista realizada por Maria Eugênia Noviski Gallo, em Salvador (BA), no dia 20 de novembro de 2001.
Sumário
Fita 1 – Lado A
Informações pessoais e a lembrança dos pais; a percepção dos primeiros sintomas de hanseníase em 1936, aos 14 anos e o diagnóstico recebido em 1942; sobre os médicos Otávio Torres e Reginaldo Sarmento; o preconceito e o estigma da doença; comentários sobre os irmãos e a morte do pai em 1930; a ida para o leprosário de Quintas dos Lázaros em 1943, aos 21 anos e o sofrimento pela separação da família; relatos sobre o cotidiano no leprosário e seu precário funcionamento; a ida para a Colônia Águas Claras e a atuação como prefeito desta Colônia; a respeito de medicamentos como o óleo de chaulmoogra, o Promim a Sulfona.

Fita 1 – Lado B
A saída da Colônia Águas Claras em 1953 e a ida para Santo Amaro da Purificação (BA); lembranças da família e o trabalho como feirante na Bahia; sua opinião sobre a cura da hanseníase, as comissões de alta na década de 1950; a eliminação da doença no Brasil e a necessidade do diagnóstico precoce; a utilização da vacina BCG na prevenção da hanseníase e formas e reações da doença; a necessidade de se eliminar definitivamente a hanseníase e conselhos para os atuais pacientes; sobre o Morhan, sobre Francisco Augusto Vieira Nunes, o Bacurau, e a importância deste movimento no combate à doença; relatos sobre a dificuldade em reintegrar o ex-paciente de hanseníase à sociedade.

Luis Aurélio Alves Orsini

Entrevista realizada por Maria Eugênia Noviski Gallo, em Belo Horizonte (MG), no dia 26 de novembro de 2001.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A
Lembranças dos pais, da infância e adolescência; a formação escolar e a entrada na Universidade, em 1949; os motivos da opção pela Medicina e as aulas de dermatologia e hanseníase na graduação; o título de Especialista em Hanseníase concedido pela Associação Brasileira de Hansenologia em 1975; o curso no SNL e sua passagem pela Colônia Santa Isabel, em Minas Gerais; opinião sobre as atividades de controle de hanseníase no período de sua atuação profissional e nos dias de hoje; relato de casos relacionados ao estigma e ao preconceito que envolvem a doença; os medicamentos utilizados no combate à hanseníase como a Sulfona e opinião sobre a poliquimioterapia; relatos e casos de ex-pacientes e o atendimento a pacientes em seu consultório particular; as atuais políticas públicas de saúde empreendidas pelo Ministério da Saúde; a respeito da improvável possibilidade de se eliminar a hanseníase até 2005; sobre a mudança da terminologia ‘lepra’ para ‘hanseníase’; sobre sua filha Maria Beatriz, que também trabalha na área da hanseníase; a respeito do período em que atuou como diretor do Sanatório Cristiano Machado, em Sabará, Minas Gerais, e os motivos que o levaram a deixar a direção da instituição; a importância da prevenção de incapacidades nos pacientes atingidos pela hanseníase; a poliquimioterapia e as 12 doses; seu trabalho na Instituição Caio Martins, em Sabará, Minas Gerais, para menores infratores, e comentários sobre os doutores Ernani Agrícola, Barreto Damasceno e Wandick Del Fávero; outras considerações sobre o trabalho de sua filha Maria Beatriz com a hanseníase e observações sobre Diltor Opromolla.

Washington Loyello

Entrevista realizada por Anna Beatriz de Sá Almeida e Laurinda Rosa Maciel, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 1º e 14 de fevereiro de 2001.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A:
Sua infância na cidade de Cruzeiro, São Paulo; origem e atividades dos pais. O início de sua formação no Grupo Escolar Cruzeiro. A vinda para o Rio de Janeiro aos 16 anos para completar os estudos no Colégio Universitário e o firme propósito de cursar Medicina; seu ingresso neste estabelecimento de ensino; lembranças de professores e colegas de classe. O ingresso na Faculdade de Medicina em 1940.

Fita 1 – Lado B:
Lembranças do período da faculdade de colegas e professores. Primeiras atividades profissionais como plantonista em 1941 num hospital psiquiátrico e as dificuldades financeiras de sua família; a influência deste período para a escolha da psiquiatria e não mais a cirurgia, seu interesse inicial. A formatura dos alunos internos do Hospício de Pedro II em que foi orador da turma, em 1946. O retorno à Cruzeiro para assumir o posto de saúde e a prisão por motivos políticos.

Fita 2 – Lado A:
O retorno ao Brasil, após a fuga para o Uruguai; seu trabalho na Casa de Saúde Santa Helena, em Botafogo, Rio de Janeiro. As circunstâncias de sua designação para o Serviço Nacional de Doenças Mentais; sua nomeação para o Centro Psiquiátrico Pedro II (CPP II), no Engenho de Dentro. Relato sobre o concurso e a necessidade de apresentar atestado ideológico. Comentários acerca da situação dos pacientes e do CPP II e seu trabalho como Diretor. A criação no CPP II de um laboratório para fabricação de remédios próprios.

Fita 2 – Lado B:
A transferência para trabalhar no pavilhão de doentes crônicos, na Colônia Juliano Moreira (CJM). O retorno ao CPP II como assessor técnico. A residência médica oferecida naquela instituição; mudanças no atendimento ao paciente, a formação de uma equipe de profissionais de diferentes áreas como: psiquiatras, enfermeiros e assistentes sociais. O concurso para livre docência em psiquiatria na UERJ. Comentários sobre o início do movimento da reforma psiquiátrica no CPP II e as mudanças nas teorias sobre a doença mental.

Fita 3 – Lado A:
Continuação dos comentários sobre as diferentes teorias usadas na psiquiatria para compreender a doença mental. As dificuldades encontradas para sua inscrição no concurso para livre docente na UERJ.

Fita 3 – Lado B:
Comentários sobre os cursos de Higiene Mental e Psiquiatria Clínica, do Departamento Nacional de Saúde, com professores como Odilon Galote, Adauto Botelho e Cincinato Magalhães. As práticas médicas como climaterapia, hidroterapia e insulinoterapia. A criação das equipes de profissionais no tratamento ao doente que substituiu o trabalho de um único profissional. O curso de neurologia clínica sob a supervisão do prof. Costa Rodrigues, na França, e o curso ‘Temas de Psiquiatria Social’, com prof. Maurício de Medeiros.

Fita 4 – Lado A:
Relato sobre o trabalho de Aldir Blanc e Oswaldo nos ambulatórios do CPP II. As experiências de ensino; o início da carreira docente nos plantões do CPP II. A realização anual dos Cursos de Higiene Mental e Psiquiatria Clínica. A implantação da Residência Multidisciplinar, no CPP II, em 1964. O concurso de livre docente na UERJ; a reestruturação do curso. A pesquisa “Doença mental e clínica psiquiátrica” realizada na UERJ, com apoio do CNPq. A pesquisa realizada sobre lobotomia no Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro, atual Hospital de Tratamento e Custódia Psiquiátrico Heitor Carrilho.

Fita 4 – Lado B:
Os cursos de pós-graduação realizados na UERJ, aulas práticas e teóricas. Relato sobre sua participação em congressos. Comentários sobre o movimento da reforma psiquiátrica e a extinção dos manicômios. O I Congresso Internacional Psiquiatria, em Paris, em 1951. O Congresso de Psiquiatria no México em 1971 e sua participação em associações brasileiras de psiquiatria. Sobre a ‘indústria’ da loucura. Breve explanação sobre o uso do eletrochoque e da farmacoterapia.

Fita 5 – Lado A:
As possibilidades de assistência alternativa para tratamento dos doentes mentais. Discussão sobre o genoma humano e a descoberta da hereditariedade das doenças.

Não há gravação no Lado B.

Maria Inez de Moura Sarquis

Entrevista realizada por Anna Beatriz de Sá Almeida, Magali Romero Sá, com participação da pesquisadora Gisela Lara Costa, na Fiocruz (RJ), em 08 de fevereiro de 2001.
Sumário
Fita 1 - Lado A
O interesse pela ciência desde a infância; os estudos de medicina na Universidade de Coimbra, em Portugal; a necessidade de voltar ao Brasil e o ingresso na Faculdade de Ciências Biológicas; a expectativa em retomar os estudos de medicina; comentários sobre o primeiro estágio na Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA); as primeiras pesquisas com roedores na área de bacteriologia realizadas na instituição; a importância de Jair da Rosa Duarte, pesquisador da FEEMA, em sua trajetória profissional; a contratação pela FEEMA para trabalhar no Laboratório de Bacteriologia de Vetores; comentário sobre a área de pesquisa na FEEMA; recapitulação dos anos como estagiária na FEEMA; as primeiras pesquisas realizadas no IOC; a transferência para o Departamento de Micologia do IOC; a importância do apoio das pesquisadoras Alia Tubajis Salminto e Pedrina Cunha de Oliveira em sua trajetória profissional; os primeiros trabalhos realizados com fungos no Departamento de Micologia do IOC; breve histórico dos pesquisadores envolvidos com a Coleção de Culturas de Fungos do IOC; a personalidade e o perfil profissional de Pedrina Cunha de Oliveira; considerações sobre o trabalho em consultoria e em treinamentos nos Serviços Técnicos Especializados do Departamento de Micologia do IOC; a necessidade de dedicação integral ao trabalho em taxonomia de fungos filamentosos; o treinamento de estagiários e a dificuldade de mantê-los na área de taxonomia de fungos do IOC; as pesquisas de campo na FEEMA; a identificação de inúmeros fungos arenosos encontrados nas praias do Rio de Janeiro; breve relato de sua dissertação de Mestrado em Microbiologia Veterinária sobre a incidência de fungos encontrados na praia de Ipanema, defendida na UFRRJ; a carência de pesquisadores especializados em taxonomia de fungos no Brasil; relato das atividades docentes atuais visando à preparação de profissionais para a área de micologia; o período do ingresso no Departamento de Micologia do IOC da Fiocruz e o corpo de pesquisadores e estagiários.

Fita 1 - Lado B
O período do ingresso no Departamento de Micologia do IOC e o corpo de pesquisadores e estagiários; a implantação do laboratório da Coleção de Culturas de Fungos, no Departamento de Micologia do IOC; as atividades na área de taxonomia de fungos no laboratório; a curadoria exercida por Pedrina Cunha de Oliveira; as atividades docentes em diversas instituições; as impressões sobre a necessidade de divulgação das pesquisas realizadas na área de micologia; relato do impacto causado pela divulgação dos primeiros resultados de sua dissertação de mestrado; o convite para chefiar o Laboratório da Coleção de Culturas de Fungos; o estágio atual da catalogação da Coleção de Culturas de Fungos; breve relato do histórico do acervo da Coleção de Culturas de Fungos e a incorporação de novas cepas; as estratégias de controle de empréstimos de cepas para a realização de pesquisas em outras instituições; comentários acerca da metodologia de preservação das cepas da coleção; o reconhecimento internacional da Coleção de Micologia do IOC; considerações sobre os cuidados necessários para preservação e reconhecimento das cepas; as dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores que atuaram no Departamento de Micologia; o procedimento dos antigos pesquisadores diante das coleções; o despreparo e a falta de incentivo do IOC no passado para a preservação das coleções científicas; considerações acerca do estado atual da Coleção de Micologia; comentários sobre o auxílio prestado a outras instituições para a preservação de coleções micológicas; novos relatos sobre o empréstimo de materiais da Coleção de Fungos para instituições públicas e privadas; o incentivo à pesquisa realizada com fungos no INPA; comentários sobre a divisão de tarefas com Gisela Lara da Costa.

Fita 2 - Lado A
Comentários sobre os esforços em conjunto com Gisela Lara da Costa para manutenção do acervo da Coleção de Culturas de Fungos do IOC; a origem dos recursos para manutenção e conservação da coleção; sua opinião e a de Gisela Iara Costa acerca da gerência das coleções científicas na Fiocruz; as dificuldades financeiras para manutenção da Coleção de Culturas de Fungos; a importância do apoio da Casa de Oswaldo Cruz (COC) aos acervos das coleções científicas da instituição; relato das técnicas e métodos de manutenção e conservação da Coleção de Culturas de Fungos do IOC; relato sobre as atividades de catalogação do acervo da Coleção de Culturas de Fungos do IOC; considerações acerca da nomenclatura das cepas; a importância da cooperação entre unidades da Fiocruz para a manutenção das coleções científicas; considerações acerca das medidas tomadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em relação ao transporte de espécimes de uma região para outra; considerações de Gisela Lara da Costa sobre a filosofia institucional em relação às coleções na Fiocruz; novas considerações das pesquisadoras Maria Inez Sarquis e Gisela Lara sobre os desafios enfrentados pelo Departamento de Micologia do IOC; a satisfação pessoal de trabalhar na área de micologia.

Dely Noronha

Entrevista realizada por Anna Beatriz de Sá Almeida, Laurinda Rosa Maciel e Nathacha Regazzini Bianchi Reis, na Fiocruz (RJ), no dia 01 de fevereiro de 2000.
Sumário
Fita 1 – Lado A
Origem familiar e o fascínio pelo pai; os primeiros estudos; a sensação quando pela primeira vez foi ao Teatro Municipal; o prêmio recebido do presidente Dutra; resultado de um concurso promovido entre estudantes de jardim de infância; lembranças da infância; o desejo de fazer um concurso para integrar o corpo do balé do Teatro Municipal e a reação da família; as disciplinas durante o curso básico e seu interesse por História e, principalmente, Química, a partir da vivência em laboratórios; as aulas de ciências com Domingos Arthur Machado Filho, pesquisador do IOC; o primeiro pré–vestibular em Química e o motivo de sua desistência; a segunda opção, História; a opção por Medicina e as aulas de Biologia com Fritz de Lauro.

Fita 1 - Lado B
Influência de Fritz de Lauro e o primeiro contato com uma coleção científica; a desistência da Medicina e a escolha por História Natural; comentários sobre o estágio no Departamento de Bacteriologia do IOC e a importância de Arthur Machado Filho; o convite de Lauro Travassos para trabalhar na coleção de borboletas e o início de sua carreira em pesquisa científica; a reação da família por sua opção pelo trabalho no IOC e pelo vestibular em História Natural; o trabalho na coleção de borboletas e sua relação com Lauro Travassos, Hugo de Souza Lopes e outros pesquisadores, neste período; a experiência como aluna na Faculdade de História Natural no período do golpe militar de 1964; as várias disciplinas e os professores da faculdade; comentários sobre as diferenças entre História Natural e Biologia; as bolsas de estudo para pesquisa; a repressão política na Faculdade Nacional de Filosofia.

Fita 2 – Lado A
Comentários sobre a repercussão do período de repressão política na década de 1960, no IOC; o início do trabalho na helmintologia junto a João Ferreira Teixeira de Freitas e o aprendizado com desenhos microscópicos; as atividades como professora de ciências na rede particular e estadual de ensino; o trabalho no IOC ainda como bolsista; comentários sobre as atividades de Delir Corrêa Gomes na Coleção Helmintológica e sobre a situação dos pesquisadores bolsistas no IOC; a contratação efetiva em 1983 para trabalhar com Míriam Tendler no Laboratório de Esquistossomose Experimental; o trabalho como responsável pelo moluscário; a difícil situação das Coleções Científicas na mudança do IOC para Fundação Oswaldo Cruz, na década de 1970 e o desejo da transferência para o Museu Nacional; mulheres cientistas no IOC e dificuldades do campo profissional feminino em ambiente majoritariamente masculino; as reuniões realizadas mensalmente para discussão de trabalhos na Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro; a publicação de trabalho próprio nas Atas da Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro, sua importância como periódico de divulgação científica e o processo de extinção; detalhamento das rotinas de trabalho no moluscário, cuidados com a temperatura ambiente e a cloração da água; o retorno para a helmintologia e o trabalho de rotina na manutenção da coleção; a atividade docente no IOC.

Fita 2 – Lado B
Continuação da abordagem sobre a atividade docente no IOC e a predileção pela área de pesquisa em laboratório; considerações sobre o início da constituição da Coleção Helmintológica com Adolpho Lutz e Gomes de Faria; importância histórica e científica das amostras do Instituto Bacteriológico de São Paulo, do Instituto Pasteur, do Butantan e da Escola Baiana de Medicina, incorporadas posteriormente à coleção do IOC; depósitos, empréstimos e doações entre instituições e o trabalho de agregar novas amostras coletadas nas excursões científicas à Coleção Helmintológica; informatização das coleções e o trabalho do curador; viagens para coleta de novas amostras; a divulgação e o envio de material das coleções para outras instituições; as condições ideais para a existência e manutenção de uma coleção; o apoio do IOC às coleções; a falta de quadros na Fiocruz e a necessidade de realização de concurso público.

Fita 3 – Lado A
A carência de funcionários para um tratamento adequado à Coleção Helmintológica; a descontinuidade nas atividades cotidianas de bolsistas e seu vínculo precário com a Fiocruz; a utilização da coleção por um pequeno grupo de pesquisadores do departamento; o apoio do IOC na participação em congressos e o incentivo às publicações; diversidade e particularidade da Coleção Helmintológica; considerações sobre o nome da coleção e sua correta designação como Coleção Parasitológica; trabalhos desenvolvidos em equipe e seus resultados; os procedimentos de informatização e acondicionamento da coleção; a abrangência da formação de Lauro Travassos; comentário sobre as metas de trabalho dos pesquisadores; a importância da informatização das lâminas e dos cadernos da coleção; breve comentário sobre o período pós-64 e o trabalho na Coleção Helmintológica.

História da cooperação técnica em recursos humanos para a saúde no Brasil

Reúne oito entrevistas de História oral realizadas no âmbito do projeto coordenado por Gilberto Hochman e Fernando Pires. O projeto investigou a história da cooperação técnica entre o governo brasileiro e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) durante a década de 1970. Tal cooperação técnica implementada por acordos bilaterais foram fundamentais para o desenvolvimento de uma agenda de reformas na formação de recursos humanos para a saúde em nosso país. Nesse contexto, estudaram-se as conexões internacionais que concorreram para a elaboração, em 1975, do Acordo Complementar ao acordo de cooperação técnica celebrado em 1973 entre o governo brasileiro – por meio dos Ministérios da Saúde e da Educação e Cultura – e a OPAS para a realização de um Programa de Recursos Humanos para a Saúde, que significou importante avanço para a área. Sob ponto de vista mais amplo a pesquisa enfocou as propostas de mudanças institucionais relevantes no campo da formação dos recursos humanos em saúde pública no Brasil e na América Latina a partir dos anos 1960. Esta década é marcada pelo arranjo do Primeiro Plano Decenal de Saúde Pública da Aliança para o Progresso, documento que não apenas balizará os encontros de ministros da Saúde das Américas em Washington (1963), Buenos Aires (1968) e Santiago (1972), como trará mudanças teóricas, conceituais e práticas importantes na gestão de recursos humanos e nas políticas de saúde de todo o continente, inclusive do Brasil. As entrevistas foram realizadas entre 15/02/2000 a 10/03/2010.

Adolfo Hoirisch

Entrevista realizada por Anna Beatriz de Sá Almeida e Laurinda Rosa Maciel, na Academia Nacional de Medicina (RJ), nos dias 23 e 30 de novembro de 2000.
Sumário
Fita 1 – Lado A
Lembranças familiares e de infância. O curso ginasial no colégio Souza Marques, em Cascadura, Rio de Janeiro, e a escolha pelo curso de medicina. O estágio no Sanatório Santa Helena; professores marcantes como José Afonso Netto, o diretor do Sanatório. Comentários sobre a escolha da Universidade do Brasil, onde ingressou em 1949; expectativa com o curso, os professores e as disciplinas. A realização das aulas práticas no Hospital Estadual Moncorvo Filho e no Instituto Médico Legal. O curso equiparado de Clínica Médica, realizado sob a supervisão do Dr. Américo Piquet Carneiro, no Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Estivadores e Transportes de Cargas (IAPETEC). Comentários sobre Eustáquio Portela, colega de classe que se destacou durante a faculdade. A experiência de ter sido acadêmico interno do Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB), de 1952 a 1954; o concurso para monitor. As primeiras experiências profissionais. Relato sobre a convivência com o Dr. Maurício de Medeiros.

Fita 1 – Lado B
Explicações sobre os métodos de tratamento usados na Psiquiatria como malarioterapia e insulinoterapia. Seu trabalho na Clínica Paranapuã, em 1954. O Curso de Especialização em Psiquiatria no Departamento Nacional de Psiquiatria, em 1955: disciplinas e professores. O concurso para Médico Interino, do quadro permanente do Ministério da Saúde, em 1955.

Fita 2 – Lado A:
Comentários sobre o trabalho de elaboração dos laudos de perícia no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho (MJHC), atual Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho, em 1964. Considerações sobre o Curso de Psiquiatria Forense oferecido pelo MJHC. O ingresso no Curso de Formação de Oficiais Médicos da Aeronáutica em 1957. Relato sobre o concurso para Psiquiatria do Ministério da Saúde em 1958. Considerações sobre as transformações no prédio e no atendimento aos pacientes no MJHC. Esclarecimentos sobre o cargo de instrutor de ensino. O funcionamento do IPUB e a atuação dos institutos internos. Comentários sobre as administrações de Leme Lopes e Raffaele Infante no IPUB. O concurso de livre docência em psiquiatria para a UFRJ, em 1970.

Fita 2 – Lado B
O Curso de Aperfeiçoamento em Metodologia do Ensino Superior (CIAMES), no Instituto de Estudos Avançados em Educação, da Fundação Getúlio Vargas, em 1975. As circunstâncias do concurso para professor titular de Psicologia Médica, para a UFRJ, em 1977. Como se constituíam as etapas para a formação em psicanálise do Instituto de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Comentários sobre as mudanças científicas devido às descobertas de novas tecnologias, como a pílula anticoncepcional, a penicilina e a Psicofarmacologia.

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