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Agenor Mendes Filho

Entrevista realizada por Maria Eugênia Noviski Gallo, em Recife (PE), no dia 25 de setembro de 2002.
Sumário
Fita 1 – Lado A
Informações sobre a formação escolar em Maceió e a mudança para Recife, com a família, em 1956; o diagnóstico recebido de hanseníase e o impedimento de realizar o vestibular para Medicina, em 1957; o tratamento com Sulfona e Rifampicina e a alta médica recebida em 1961; a realização do Curso Superior de Biblioteconomia, na UFPE concluído em 1958, o trabalho na faculdade de Direito e na escola de Engenharia e o ingresso na Faculdade de Medicina em 1962; comentários sobre a passagem pelo Hospital Santo Amaro, em Recife, a escolha pela especialização em Dermatologia e a transferência para a Clínica de Dermatologia, chefiada pelo professor Jorge Lobo; comentários sobre a formação acadêmica em 1967, a entrada como sócio na Sociedade Brasileira de Dermatologia em 1968 e a participação no Congresso Brasileiro de Dermatologia, em 1969, realizado em Recife; o trabalho no ambulatório de hanseníase nas Universidades Federais de Pernambuco e do Pará (UFPA) e o contato com outros profissionais, como Maria Leide W. de Oliveira e Marcos Virmond; comentário sobre a mudança do Hospital Santo Amaro para o Hospital das Clínicas, na Cidade Universitária, em 1988, sobre a implementação do serviço de fisioterapia e as pesquisas oftalmológicas do bacilo de Hansen na lágrima, na Fundação Altino Ventura, em 1990; a respeito de sua aposentadoria em 1991 e o fim do serviço de Dermatologia; sobre o estigma que envolve a hanseníase e o Morhan; o tratamento e as reações causadas pela doença.

Fita 1 – Lado B
Comentários sobre seu consultório particular e a impossibilidade de atender, nesse local, pacientes com hanseníase; relatos sobre os pacientes e a poliquimioterapia; considerações sobre os primeiros sintomas da hanseníase na adolescência, em Maceió, e o tratamento realizado em Pernambuco pelo médico e professor Jorge Lobo; a formação de uma junta médica presidida pelo professor Jarbas Pernambucano e a dificuldade do diagnóstico preciso de hanseníase; comentários sobre as sequelas ocasionadas pela doença, e como estas não impedem a vida normal do paciente; o atendimento no ambulatório até 1990 e o fato de não ter sido reconhecido oficialmente como professor da UFPE; comentários sobre René Garrido e Diltor Opromolla e a satisfação em trabalhar como médico dermatologista.

Maria Isabel Xavier Santana

Entrevista realizada por Dilene Raimundo do Nascimento para subsidiar a elaboração de um artigo científico versando sobre o Preventório Rainha Dona Amélia, uma instituição para crianças enfraquecidas.

Cláudio do Amaral Filho

Entrevistas realizadas pelos pesquisadores Tania Fernandes e Gilberto Hochman e pelas bolsistas Daiana Crus Chagas e Érica Mello de Souza, para subsidiar as pesquisas 'Cláudio do Amaral Jr e a erradicação da varíola: Fundação SESP' e 'Campanha de Erradicação da Varíola'. Foram gravadas duas entrevistas, na cidade de Niterói, em 2009 e em 11 de março de 2010.

Ermiro Estevam de Lima

Entrevista realizada por Marcos Chor Maio para o projeto 'Associativismo Médico no Rio de Janeiro'.

Nísia Trindade

Depoimento gravado on line por Angela de Castro Gomes, Kaori Kodama Flexor e Patricia Raffaini para integrar o dossiê: 'Mulheres intelectuais: práticas culturais de mediação', da Revista Ibero-Americana publicada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Integra o projeto de pesquisa coordenado por Kaori Kodama intitulado “Divulgação científica em impressos: mediação e público no Brasil (1870-1930)”. O objetivo central da entrevista é levar aos leitores da citada revista EIA, a trajetória, atuação e considerações como intelectual mulher, e assim, abrir um espaço de reflexão em torno da questão de gênero através da produção intelectual e das diferentes experiências e práticas exercidas ao longo do percurso profissional da depoente.

A Revolta da Vacina

Apresenta a história da varíola, da vacina e da revolta popular de 1904, ocorrida no Rio de Janeiro, contada através de depoimentos de médicos, pesquisadores e historiadores. Traz ainda esquetes teatrais alusivos à revolta.

Ato médico: versões, visões e reações de uma polêmica contemporânea no campo da saúde no Brasil

Reúne 8 depoimentos orais coletados durante pesquisa em nível de mestrado stricto sensu de Patricia Jacques Fernandes. Teve por objetivos: identificar e analisar as visões e reações de representantes corporativos de médicos, enfermeiros e psicólogos a respeito da regulamentação do ato médico; utilizar documentação primária, bibliografia secundária, com ênfase no uso da história oral; rastrear conflitos e interesses em jogo, presentes nas relações entre estes profissionais de saúde.

Depoimentos orais do projeto Saúde Coletiva, Medicina Preventiva e Saúde Pública- História e Memória

O Projeto intitulado Saúde Coletiva, Medicina Preventiva e Saúde Pública- História e Memória, apresenta como um de seus produtos um conjunto de entrevistas gravadas com 28 personagens que participaram ou, mesmo, lideraram a construção dessas três áreas no Brasil. Este conjunto compõe dois subprojetos, que envolvem os três temas e alguns tópicos de seus processos de institucionalização no país. Um conjunto de entrevistas aborda os temas sob a ótica de entrevistados da Universidade Federal da Bahia, sob a titulação “A Saúde Coletiva na Universidade Brasileira: o Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, desde suas origens no Departamento de Medicina Preventiva da UFBA”. O outro conjunto reúne entrevistas de representantes de várias instituições de pesquisa e ensino em Saúde que atuam com o foco nas três áreas compondo o subprojeto “História da Saúde Coletiva no Brasil”.
Coordenação: Tania Maria Dias Fernandes (DEPES/ COC/Fiocruz)
Pesquisadores: Ediná Alves Costa e Ana Cristina Souto (ISC/UFBA)/ Subprojeto “A Saúde Coletiva na Universidade Brasileira: o Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, desde suas origens no Departamento de Medicina Preventiva da UFBA”
Auxiliares de Pesquisa/ Bolsistas: André Luiz da Silva Lima; Eliene Rodrigues; Otto dos Santos de Azevedo; Joel Nolasco; Vanêssa Alves Pinheiro. Os depoentes são: Aníbal Muniz Silvany Neto; Everardo Duarte Nunes; Fernando Martins Carvalho; Francisco Eduardo Campos; Gastão Wagner de Souza Campos; Glaucia Maria de Luna Ieno; Heloisa Maria Mendonça de Morais; Ines Lessa; José Carvalho de Noronha; José da Rocha Carvalheiro; José Jackson Coelho Sampaio; José Wellington Gomes de Araújo; Kenneth Rochel de Camargo Jr; Lorene Louise Silva Pinto; Luiz Umberto Ferraz Pinheiro; Maria Andrea Loyola; Naomar de Almeida Filho; Paulo Ernani Gadelha Vieira; Paulo Marchiori Buss; Pedro Miguel dos Santos Neto; Rita de Cássia Barradas; Roberto de Andrade Medronho; Romélio Aquino; Ronaldo Ribeiro Jacobina; Sebastiao Loureiro; Sonia Fleury; Tatiana Wargas de Faria Baptista e Vera Lucia Almeida Formigli.

Wim Maurits Sylvain Degrave

Entrevista realizada por Nara Azevedo, Wanda Hamilton, Simone Kropf e Luis Otávio Ferreira, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 02 de setembro, 10, 23 e 24 de outubro de 1996.

Sumário

Fita 1
Origem familiar; formação escolar; a opção pelo estudo de línguas; a escolha da carreira; comentários sobre o curso de Química da Universidade Federal de Gent, na Bélgica; o interesse pelo campo de Biologia Molecular; o estágio no laboratório de Biologia Molecular de Walter Fiers; o ingresso no doutorado; o trabalho com sequenciamento de interferon; o contrato como professor assistente no laboratório de Walter Fiers.

Fita 2
Comparação entre os laboratórios de Walter Fiers e Mark Van Montagu na Bélgica; os contratos entre o laboratórios e as empresas privadas de biotecnologia; a criação da Biogent em associação com a Biogen e o colapso do laboratório de Walter Fiers; o interesse em vir para o Brasil; o contato com Carlos Morel.

Fita 3
A vinda para o Brasil; panorama das pesquisas em Biologia Molecular de Trypanosoma cruzi na década de 1980; a inserção no Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular (DBBM), do Instituto Oswaldo Cruz; a viagem a Virgem da Lapa em Minas Gerais para colher amostras de sangue; a ida para a UCLA a convite de Larry Simpson e o trabalho com a técnica de PCR; comentários sobre a relação entre os laboratórios brasileiros e internacionais; considerações sobre a prática científica no Brasil e nos EUA.

Fita 4
Comparação entre a prática científica no Brasil, EUA e Europa; comentários sobre a interação entre as indústrias privadas no campo da biotecnologia e as instituições públicas de pesquisa científica no Brasil; comentários sobre o desenvolvimento de projetos de biotecnologia na Fiocruz e a relação entre os laboratórios de pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz e Bio-Manguinhos.

Fita 5
Considerações a respeito da co-autoria e assinatura de artigos científicos; considerações sobre a importância das publicações na avaliação da carreira científica nos EUA e no Brasil; a circulação do conhecimento científico entre os pares; a Organização Mundial da Saúde e o desenvolvimento do projeto Genoma de Trypanosoma cruzi; o crescimento do DBBM na década de 1980.

Fita 6
A saturação do campo de pesquisa em Trypanosoma cruzi; a competição entre os vários grupos de pesquisa por financiamento; a diversificação dos temas de investigação no DBBM e a saturação do campo de pesquisa em T. cruzi; a escolha do DBBM como centro do Projeto Genoma em T. cruzi; os fatores políticos que influenciam as decisões e as fontes de financiamento de pesquisa; o papel de Carlos Morel no crescimento do DBBM.

Fita 7
Considerações sobre a necessidade de uma política científica de financiamento e incentivo a projetos de produção e desenvolvimento tecnológico na área da saúde; a pauta de produção do DBBM e o mercado para esses produtos; comentários sobre os entraves burocráticos aos quais estão sujeitas as instituições públicas para a comercialização de seus produtos; a relação entre pesquisa básica e aplicada; as transformações na cultura científica em função do desenvolvimento do campo da biologia molecular e dos interesses do mercado; a necessidade de investimento financeiro e de recursos humanos na área de biotecnologia; a opção por trabalhar em uma empresa pública; a opção por permanecer no Brasil.

Fita 8
Comparação da Fiocruz com outras instituições públicas e privadas no Brasil e no mundo; as pesquisas desenvolvidas pelo seu laboratório em doença de Chagas e leishmaniose e a contribuição desses trabalhos para o conhecimento sobre as doenças; os financiamentos conseguidos pelo DBBM ao longo do tempo; considerações sobre sua inserção e definição no campo científico; a pesquisa em biotecnologia e a interação entre o setor público e as empresas privadas; considerações sobre as fontes de financiamento para a pesquisa em biotecnologia no Brasil; dificuldades enfrentadas por Bio-Manguinhos para a produção do kit de diagnóstico para doença de Chagas desenvolvido no DBBM por Samuel Goldenberg.

Vinicius da Fonseca

Entrevista realizada por Nara Brito e Wanda Hamilton, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 27 de junho, 07 e 22 de agosto, 03 e 04 de outubro de 1995.

Sumário

Fita 1
Nascimento e vida na Paraíba. Os pais. A família. A paixão pela música. A entrada e a militância no Partido Comunista. O trabalho no Jornal do Povo. O convite para secretariar o jornal Correio da Paraíba . O conflito político. A idéia de vir para o Rio de Janeiro. As articulações para o ingresso no IBGE. O ingresso no IBGE. A participação na organização do recenseamento de 1950. A crise dentro do IBGE. A geração dos economistas dentro do IBGE. O curso de Direito e Economia. A atração pela demografia. Os cursos no CELAD. As discussões na área de demografia na década de 1950. Os trabalhos na ONU. As relações com Celso Furtado. A criação e os vínculos com o IPEA.

Fita 2
As funções exercidas no Ministério do Planejamento. A permanência no Rio de Janeiro. Rocha Lagoa no IOC e no Ministério da Saúde. O Massacre de Manguinhos. O exercício da Presidência da Fundação Oswaldo Cruz em 1975. A situação calamitosa de Manguinhos nesse período. Os contatos para ser chamado para a presidência da Fiocruz. A situação da saúde no período anterior ao Ministro Paulo de Almeida Machado. A missão de ressuscitar Manguinhos. A relutância em aceitar tal cargo. Os filhos.

Fita 3
O convite para assumir a Fundação. A postura de dar uma versão vinculada ao conceito de desenvolvimento econômico-social. A idéia da poupança interna sendo posta em prática. A divisão sócio-econômica do mundo. O problema da compra de tecnologias prontas e acabadas. A necessidade de se aprender a fazer a tecnologia. As modificações no CNPq . A sobrevivência da Fundação Oswaldo Cruz. O crescimento auto-sustentável. Os conflitos do ponto de vista das prioridades enfrentados na presidência da Fundação. A política de administração dos recursos. As causas do isolamento que passava Manguinhos. O exemplo de Oswaldo Cruz. As mudanças nos anos e 50 e 60. O início das áreas de Virologia e Bioquímica. Os problemas que encontrou em Manguinhos. As mudanças de nome da atual ENSP. A política implantada em Manguinhos de acordo com o programa geral do governo Geisel. O programa de Roberto Campos e as críticas de Carlos Lacerda. A questão tecnológica central no plano tendo como ápice a pesquisa e o desenvolvimento. A ida para o IPEA em 1965. O cargo de assessor especial. A entrada de Reis Veloso nos governos militares. As perspectivas no governo Médici. As ações coordenadas e seus problemas. A postura ideológica nacionalista. A postura de Roberto Campos. A tradição nacionalista dos militares. As características do governo Geisel.

Fita 4
A relação com o governo Geisel. As formas de administração e articulação política de Delfim Neto e Reis Veloso. A relação com o Presidente Costa e Silva. O IBGE e suas novas funções. A importância do Ministério da Fazenda tendo Reis Veloso como Ministro do Planejamento. A força política como força intelectual nos governos militares. Os dois lados dos governos militares. A questão da repressão. A opinião sobre o governo Jango. As relações com o amigo Celso Furtado. Os conflitos ideológicos. As visões diferentes de Castelo Branco e de Costa e Silva. As divergências de pensamento dentro do meio militar. O governo militar como um arranjo institucional. Os tecnocratas. O entusiasmo de trabalhar junto ao governo dos militares.

Fita 5
A iniciativa de Manguinhos vinculada a um projeto político do governo Geisel. Os dois grupos divergentes dentro do governo militar. O interesse de determinado grupo dos militares na soberania tecnológica. A organização do IPEA. Os militares e a produção de armas. As vacinas produzidas na Alemanha e experimentadas no Brasil. Os primeiros atritos com os pesquisadores da Fundação. Os limites do Ministério da Saúde antes do Dr. Paulo de Almeida Machado. O perfil de Reis Veloso. Os militares e a educação. As reuniões de coordenação presididas por Reis Veloso. O investimento do Presidente Geisel na ciência e tecnologia. O perfil do Presidente Geisel. A diferença dos projetos de um planejador e de um especialista na área de pesquisa. O difícil relacionamento com Mário Magalhães. A impossibilidade de dialogar com o Ministro Rocha Lagoa.

Fita 6
A organização do PND. As funções do Ministério do Planejamento no governo Geisel. A importância na determinação das idéias de um Presidente da República. O exemplo de Geisel. As questões da Saúde Pública. A participação na saúde antes de estar vinculado ao Ministério da Saúde. A fraca estrutura do Ministério da Saúde antes do Ministro Paulo de Almeida. O pedido de revisão de punições e de maior liberdade para os cientistas. O pedido de admissão para Carlos Morel. Opiniões sobre o Serviço Nacional de Informações. O Departamento de Segurança e Informações. Sua relação com o ASI (Assessoria de Segurança e Informação).

Fita 7
A entrada na Fundação Oswaldo Cruz. O convite do Ministro da Saúde, Dr. Paulo de Almeida Machado. O desafio e os obstáculos para assumir a Fundação. A situação em que se encontrava Manguinhos. As propostas do Ministério da Saúde para Manguinhos. A falta de legitimidade de Manguinhos. A festa da posse. Os vários órgãos desarticulados que faziam parte da Fundação. O problema da agregação. O estado de decadência que estava Manguinhos. O problema com o meio científico. O problema administrativo. A necessidade de afirmar a autoridade do Presidente. As primeiras medidas tomadas. A necessidade de compreender a linguagem do meio científico. O ponto de vista sobre Oswaldo Cruz. A falta de credibilidade dos cientistas na época.

Fita 8
As áreas prioritárias de pesquisa na Fiocruz quando assume a Presidência. O motivo da prioridade da doença de Chagas e da esquistossomose. A competição no meio científico e a dificuldade administrativa. Os apoios aos projetos. A proposta de produção de vacinas. O projeto vinculado ao CEME. Os núcleos de pesquisa do INERu. O Aggeu Magalhães e o René Rachou. O fim da apatia de alguns pesquisadores da Fundação. A incorporação da Escola Nacional de Saúde Pública. A tentativa de incorporação do Fernandes Figueira. O conflito com os membros do Fernandes Figueira. As conseqüência desse conflito. O novo estatuto de 1976. A criação de uma estrutura administrativa em Manguinhos. Como ocorrem as indicações dos membros da Comissão Administrativa e dos novos pesquisadores.

Fita 9
A reforma administrativa na Fundação. A distribuição dos cargos. O problema dos estagiários. O problema das vacinas. As negociações com o Instituto Mérieux. A produção de vacinas veterinárias. As negociações com o Instituto Bhering da Alemanha. A viagem à Alemanha. A intenção de unir as forças na pesquisa em doença de Chagas. A força do grupo de Chagas. A adesão inicial dos cientistas brasileiros. A decepção posterior com a reviravolta na postura desses mesmos cientistas. As relações individuais dos pesquisadores de doença de Chagas brasileiros superando as relações entre instituições.

Fita 10
A divisão do IPROMED. As produções individuais dos pesquisadores. O surto de meningite. A necessidade de criar um núcleo de produção tecnológica. Os contatos com o Mérieux. A montagem de uma equipe de pesquisadores. Os recursos para o financiamento das pesquisas. A centralização do controle dos financiamentos. A estruturação de Bio-Manguinhos. A prioridade na produção da vacina de sarampo. Comentário a respeito de Charles Mérieux. Os confrontos de interesses internacionais em contraponto ao convênio com a Fundação Mérieux. A transferência do Laboratório Central de Controle de Drogas e Medicamentos. Os problemas enfrentados no final da gestão. A necessidade de ir para a Europa. As articulações no final do mandato.

Fita 11
As reformas administrativas. O caso do zelador. A busca da interação com os pesquisadores. O museu de Manguinhos. A vigilância interna de Manguinhos. O DSI (Diretoria de Segurança e Informação) e o SNI (Serviço Nacional de Informação). Os limites do poder de influência desse órgão. As contratações vetadas mas que foram realizadas. O concurso da ENSP. A luta pela legitimidade do concurso diante dos vetos do SNI. As estratégias do SNI. O relacionamento com a ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública). O Conselho Técnico Científico. A estratégia de cooptar cientistas de renome na tentativa legitimar a instituição, até ali, sem credibilidade.

Fita 12
Os membros cooptados para o Conselho. As ligações com outras instituições de prestígio. Os contatos com a OMS (Organização Mundial da Saúde). A saída da Fundação. A ida para a França. As funções que assumiu na França. As funções da OCDE. As razões de não ter pleiteado para permanecer no cargo. O recolhimento atual. As leituras, musicas e entretenimento. As razões das reservas, quanto a Fundação, nos últimos 10 anos. As mágoas com o não reconhecimento pelo seu trabalho. Fim da entrevista.

Samuel Goldenberg

Entrevista realizada por Nara Azevedo e Wanda Hamilton, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 13 de novembro de 1996.

Sumário

Fita 1
Origem familiar; a formação no curso secundarista; a opção pelo estudo de biologia; considerações sobre seu ingresso na UNB para fazer o curso de biologia; o interesse pela biologia molecular; breves considerações sobre sua formação no curso secundarista e a opção pela biologia; comentários sobre a ida de sua família para Brasília; o encantamento por Brasília; considerações sobre o curso de biologia da UNB; o mestrado em biologia molecular e o trabalho com Morel; o modelo de trabalho trazido por Morel da Suíça para trabalhar com biologia molecular; breves considerações sobre a opção em estudar biologia molecular; breve comentário sobre a sua tese de mestrado em biologia molecular; comentário sobre quem estava trabalhando com biologia molecular na época em que cursou o mestrado na UNB; considerações sobre os acontecimentos na UNB durante o período da ditadura militar; a saída de alguns cientistas da UNB no período da ditadura militar; a saída de pessoas do grupo de Biologia Molecular da UNB; considerações sobre as dificuldades encontradas pelo grupo da biologia molecular na UNB; breve comentário sobre pretensões de trabalho após o término do mestrado; o trabalho desenvolvido com trypanosoma cruzi no laboratório de Carlos Morel; considerações sobre sua tese de mestrado; a decisão em fazer doutorado na França; o trabalho desenvolvido no laboratório do Dr. Klaus durante o doutorado na França; a importância da objetividade em pesquisa de laboratório; breve descrição de sua própria equipe de trabalho; características da formação de sua equipe de trabalho; a relação entre os estudantes e o laboratório; considerações sobre a equipe de trabalho que gostaria de formar em seu laboratório; opiniões sobre como se ter um laboratório de sucesso; a relação entre competição e ciência; a questão da competição de trabalhos científicos nacionais e trabalhos internacionais; o sonho de fazer ciência no Brasil; opiniões sobre a graduação, a pós-graduação e a formação de profissionais pesquisadores no Brasil.

Fita 2
Considerações sobre a formação de profissionais de pesquisa no Brasil; a importância da avaliação da pós-graduação na formação dos profissionais; breve comentário sobre a importância em se ter bons profissionais para desenvolver pesquisa em biotecnologia no Brasil; comentários sobre a massificação das universidades no Brasil e os problemas advindos dela; considerações sobre a massificação da pós-graduação no Brasil; breves comentários sobre os concursos públicos nas instituições de pesquisa; a opção em trabalhar com pesquisa no Brasil; opiniões sobre a participação dos cidadãos na vida política; breve comentário sobre a reforma política no Brasil; comentários sobre sua formação no doutorado na França; a bolsa de doutorado na França em 1976; o convite para trabalhar na Fiocruz em 1982; as pesquisas desenvolvidas com Trypanosoma cruzi; referência ao trabalho de Carlos Morel desenvolvido no IOC; comentários sobre o Programa Integrado de Doenças Endêmicas (PIDE) e o financiamento para pesquisas; comentários sobre a atuação de Aluízio Prata na gestão do PIDE; a importância do financiamento na área de pesquisa; comentários sobre a importância do congresso de pesquisa em Caxambu para a ciência no Brasil; as avaliações de projetos feitas pelo PIDE; a atuação do CNPq na área de pesquisa como financiador de projetos; comentários sobre a falta de verbas para a área da ciência e tecnologia; opiniões sobre a importância do balcão do CNPq para financiamento de pesquisas; referência ao programa de incentivo a pesquisas criadas na Fiocruz, o PAPES; menção ao TDR e o financiamento de pesquisas; comentário sobre a produção de kits para diagnóstico em Bio-Manguinhos; a importância das políticas de estímulo à pesquisa; opiniões sobre a distribuição dos royalties gerados por patentes registradas pela Fiocruz; menção ao seu trabalho com Trypanosoma cruzi; breve comentário sobre o trabalho com pesquisa aplicada; o financiamento de pesquisas; considerações sobre as pesquisas desenvolvidas em Bio-Manguinhos; a falta de interação entre IOC e Bio-Manguinhos; considerações sobre o INCQS.

Fita 3
Continuação dos comentários sobre o trabalho desenvolvido pelo INCQS; opiniões sobre Bio-Manguinhos; a importância de disseminar a ciência no Brasil e a formação de pesquisadores; o papel do PAPES na Fiocruz; a falta de integração entre as unidades da Fiocruz; comentários sobre o kit desenvolvido para diagnóstico de doença de Chagas; a estrutura dos laboratórios no IOC quando começou a trabalhar na Fiocruz; o tempo que levou para desenvolver o kit para diagnóstico em doença de Chagas; considerações sobre o projeto Bio-Rio; as dificuldades encontradas para patentear seu kit de diagnóstico para doença de Chagas; posição sobre a questão das patentes; a burocratização da ciência; breves comentários sobre a importância de não se separar pesquisa básica e pesquisa aplicada; observações sobre o que é biotecnologia no Brasil; o perfil do cientista e da ciência no Brasil; referências ao papel do cientista na sociedade; a importância de a Fiocruz ter um curso superior de nível técnico; a pesquisa básica e aplicada na Fiocruz; breves comentários sobre as dificuldades encontradas para se produzir o kit de diagnóstico de doença de Chagas em Bio-Manguinhos; considerações sobre patenteamento de produtos na Fiocruz e no Brasil; a massificação da ciência no Brasil; considerações sobre a importância de um pesquisador publicar o seu próprio trabalho; comentários sobre o que seria uma pesquisa boa; as características do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular quando ingressou na Fiocruz; considerações sobre o uso de recursos financeiros para pesquisa; visões sobre o que é ser biotecnologista; o perfil biotecnológico dos cientistas da Fiocruz; características para se ter uma boa biotecnologia; o cargo de chefe de departamento do IOC; descrição das dificuldades encontradas em se produzir o kit para diagnóstico em doença de Chagas em Bio-Manguinhos; o mercado de kits de diagnóstico em doença de Chagas no Brasil.

Fita 4
A necessidade de se investir no mercado de biotecnologia; a função social do cientista; breves comentários sobre a falta de entrosamento entre Bio-Manguinhos e IOC; a falta de uma política institucional na Fiocruz; novas perspectivas de trabalho em seu laboratório; os estudos sobre leishmania em cooperação com Bio-Manguinhos; novas perspectivas para pesquisas em doença de Chagas; breve comentário sobre a possível disseminação da doença de Chagas no Brasil; considerações sobre o uso do Trypanosoma para estudo de outras doenças; a satisfação em trabalhar com pesquisas na área de biologia molecular; o convite para dar uma conferência sobre doença de Chagas em Uberaba; breves comentários sobre a Reunião de Pesquisa em Doença de Chagas realizada em Caxambu; A Sociedade Brasileira de Protozoologia; a visão moderna sobre doença de Chagas; considerações sobre as pesquisas em doença de Chagas e novas tecnologias; a falta de investimentos do Estado nas pesquisas em biotecnologia; a necessidade de se investir em ciência no Brasil; críticas em relação ao processo eleitoral da Fiocruz; críticas às estruturas políticas na Fiocruz; críticas ao pólo Bio-Rio

Salvatore Giovanni de Simone

Entrevista realizada por Wanda Hamilton, Simone Kropf e Nara Azevedo, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 11 de dezembro de 1996.

Sumário

Fita 1
Origem familiar; a vinda para o Brasil ainda quando criança; a participação de seu pai na Segunda Guerra Mundial; considerações sobre sua vinda para o Brasil aos dois anos de idade; a opção em fazer biologia e a formação de seus três irmãos; considerações sobre a imigração italiana para o Brasil; o trabalho de seu pai na construção civil; a decisão em deixar o curso de medicina após a morte de sua mãe; as aulas que lecionava na Universidade Gama Filho; o desejo em estudar bioquímica; comentários sobre as dificuldades que enfrentou durante o ginásio estudando em escolas públicas; a aprovação para o vestibular da UERJ em ciências biológicas; o convite de Hugo de Castro de Faria para trabalhar no Hospital do Câncer como bolsista de iniciação científica; o mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro em bioquímica; breve comentário sobre a procura de estágio em bioquímica em Manguinhos; a decisão em cursar medicina para complementar o curso de bioquímica; a entrada para o doutorado no Instituto de Química da UFRJ; a saída do Instituto de Química da UFRJ e a vinda para Manguinhos para concluir o doutorado; o contato com Bernardo; a nova linha de trabalho em Trypanosoma Cruzi; os departamentos do IOC que trabalhavam com Tyipanosoma Cruzi; breve comentário sobre a publicação de seus primeiros trabalhos junto com pesquisadores do Departamento de Imunologia do IOC; a preocupação em ampliar seu campo de conhecimento em bioquímica; seu pós-docutoramento; a decisão em estudar malária; comentário sobre sua entrada para Universidade Federal Fluminense no Departamento de Bioquímica; o primeiro contato com Samuel Goldenberg e o convite para trabalhar em seu laboratório; a entrada para a Fiocruz com bolsa de pesquisador visitante.

Fita 2
A decisão em mudar sua pesquisa de malária para doença de Chagas; considerações sobre o financiamento de seus projetos de pesquisa; descrição dos grupos que trabalhavam com química de proteínas no período que estava desenvolvendo sua pesquisa; a criação de seu laboratório apoiado por Carlos Morel; o contato com European Molecular Biology Laboratory (EMBL) na Alemanha e o aprendizado em sequenciamento e purificação de proteínas; descrição da instalação do seqüenciador de proteínas em seu laboratório; considerações sobre o uso da aparelhagem de seu laboratório; opinião acerca do contrato de gestão na Fiocruz; considerações sobre a organização da pesquisa e a prestação de serviços em institutos europeus e americanos; considerações sobre as dificuldades de conciliar a lógica acadêmica da pesquisa com a legislação de patentes; o projeto para teste e substituição de drogas para Aids; a questão das patentes e do trabalho de pesquisa acadêmico; comentários sobre sua pesquisa em T. cruzi, Leishmania e HIV.

Fita 3
Continuação dos comentários sobre a pesquisa desenvolvida em T. cruzi e Leishmania; comentário sobre o tempo médio em que leva para desenvolver uma pesquisa; novas perspectivas para o desenvolvimento de pesquisas em nível de mercado; retrospectiva sobre o surgimento do seu laboratório em 1993; comentários sobre o vínculo institucional com a Fiocruz; os vínculos do seu laboratório com Bio-Manguinhos; comentários sobre os grupos de pesquisa em biotecnologia na Fiocruz; visões pessoais sobre a biotecnologia dentro da Fiocruz; panorama dos grupos que trabalham com biotecnologia na Fiocruz; comentários sobre as pesquisas em imunobiologia; a relação entre biotecnologia e pesquisa básica e aplicada; opiniões sobre os temas de pesquisa que poderiam estar sendo desenvolvidos na Fiocruz; a política científica dentro da Fiocruz; o financiamento de pesquisas na Fiocruz; as perspectivas no campo da Biologia molecular.

Fita 4
Comentários sobre o patenteamento de produtos e processos; comentários sobre o contrato de gestão na Fiocruz.

Naftale Katz

Entrevista realizada por Nara Azevedo e Luis Otávio Ferreira, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 16 de abril de 1996.

Sumário
Fita 1
Origem familiar; breve relato sobre a história de sua família e profissão de seu pai; considerações sobre sua militância política; breves comentários sobre as tradições judaicas de sua família; considerações sobre o governo de Juscelino Kubitschek; a militância dentro da universidade; o desejo em participar de ações sociais ainda quando era estudante universitário; as dificuldades financeiras durante o curso universitário; a opção pela carreira de medicina; os estudos sobre esquistossomose no 4º ano de medicina; o primeiro contato com o INERu; breve comentário sobre a proposta para ir trabalhar com José Pelegrino no INERu; a bolsa da CAPES para trabalhar no Centro de Pesquisa René Rachou; breve histórico sobre o DENERu e o INERu; as dificuldades para conseguir equipamentos e verbas para pesquisa; o programa estratégico de pesquisa do CNPq para doenças endêmicas em 1970; a criação do PIDE; considerações sobre a área de pesquisa em doenças endêmicas; considerações sobre a saúde nos governos militares; os estudos sobre doença de Chagas realizados por Amilcar Vianna Martins; o trabalho de Emanuel Dias em pesquisa sobre doença de Chagas; o trabalho de José Pelegrino; o reconhecimento do trabalho de José Pelegrino; breve comentário sobre a vida e morte de José Pelegrino; considerações sobre o trabalho no campo da medicina.

Fita 2
Continuação dos comentários sobre o campo da medicina; breve comentário sobre as carreiras de pesquisa na área médica; o convite para fazer pesquisas em esquistossomose; a saída da UFMG o e trabalho no René Rachou; o convite para trabalhar no hospital da polícia militar; a opção em não fazer pós-graduação; a saída de José Pelegrino do Centro de Pesquisa René Rachou e sua posse como chefe de laboratório no lugar de Pelegrino; o convênio do Centro de Pesquisa René Rachou e a UFMG; o primeiro grupo de pesquisadores do René Rachou; considerações sobre as discussões referentes à incorporação do René Rachou à Fiocruz; perfil de Celso Arcoverde; perfil de Amilcar Vianna Martins e seu trabalho no René Rachou; perfil, filiação partidária e o trabalho de Zigman Brener; breve comentário sobre as ações de Vinícius da Fonseca durante sua gestão como presidente de Fiocruz; o papel de Aluízio Prata na implantação do PIDE; comentários sobre os objetivos do PIDE nos governos militares; breves considerações sobre os principais trabalhos de sua carreira; a influência de José Pelegrino em sua carreira; breves considerações sobre seu trabalho em pesquisa clínica; comentários sobre os seus primeiros ensaios clínicos realizados em conjunto com José Pelegrino; a influência de José Rodrigues da Silva no Ministério da Saúde; a importância das publicações realizadas em co-autoria com José Pelegrino para sua formação profissional; seus estudos sobre epidemiologia; observações sobre o desenvolvimento do método de diagnóstico Kato-Katz em esquistossomose; o interesse pelas pesquisas em esquistossomose; os centros colaboradores para pesquisas em esquistossomose da Fiocruz indicados pela OMS; o programa integrado de esquistossomose da Fiocruz.

Fita 3
Continuação dos comentários sobre a criação dos centros colaboradores de esquistossomose da OMS/Fiocruz; a verba recebida da OMS para os centros colaboradores da esquistossomose; o Programa de Esquistossomose da Fiocruz e as perspectivas de trabalho na área; considerações sobre o PIDE; a verba para pesquisas em doença de Chagas; as perspectivas de pesquisa do grupo de esquistossomose; os profissionais da área de esquistossomose; comentários sobre o TDR; o perfil dos funcionários que trabalham em seu laboratório; comparação das administrações de Vinícius da Fonseca e de Guilardo Martins Alves à frente da presidência da Fiocruz; a gestão de Sérgio Arouca na Fiocruz; o fim do PIDE; considerações sobre a biotecnologia e o mercado nacional; comentários sobre a questão das patentes na Fiocruz; considerações sobre o relatório que fez para o TDR; a ida para o TDR.

Fita 4
Comentários sobre o grupo de pesquisa em esquistossomose da Fiocruz; breves comentários sobre as reuniões no CNPq para liberação de verbas de pesquisa; a questão da fabricação de vacinas no Brasil; breve comentário sobre o comitê de esquistossomose do CNPq e o fim deste comitê; novas perspectivas em pesquisa com Schistosoma mansoni; a questão das patentes e direitos autorais na Fiocruz; as pesquisas com o Sm14; a criação do laboratório de biologia molecular; a produtividade do Centro de Pesquisa René Rachou em relação ao IOC; o curso de biologia molecular do IOC; considerações sobre sua gestão à frente do Centro de Pesquisa René Rachou.

Mauro Mazochi

Entrevista realizada por Wanda Hamilton e Simone Kropf, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 01 de agosto de 1996.

Sumário
Fita 1
Origem familiar; breves comentários sobre seu nascimento e infância; comentários sobre o perfil de seu pai; as universidades de São Paulo na época em que era estudante; a vontade inicial de estudar antropologia; o cenário político do país no período em que era estudante secundarista; o curso de ciências Biológicas da faculdade de Ribeirão Preto; a desistência de fazer o curso de Antropologia; o fascínio pelas cadeiras básicas do curso biomédico; a ida para a faculdade de medicina de Ribeirão Preto; a opção pela parasitologia; o grupo de professores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e o interesse pela parasitologia; o interesse em estudar parasitologia e doença de Chagas; o contato com Samuel Pessoa; a decisão em fazer o curso clínico da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto; o encantamento pelo curso de medicina preventiva; a ida para Londrina a fim de estruturar o Departamento de parasitologia da Universidade; comentários sobre o curso de parasitologia médica da faculdade; o primeiro emprego na universidade de Londrina conseguido por intermédio de Samuel Pessoa; o convite para trabalhar no Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA); descrição do trabalho realizado no INPA; comentários sobre sua proposta de criação da cadeira de ecologia para o curso médico como introdução ao curso de parasitologia; breves comentários sobre o trabalho desenvolvido na universidade de Londrina; o interesse pelos estudos dos casos de câncer de fígado; a criação de um projeto para verificar a incidência de câncer de fiado na região de Londrina; comentários sobre os problemas de ordem política ocorridos na universidade de Londrina; o convite para fazer o concurso para o Departamento de Ciências Biológicas da ENSP; considerações sobre sua decisão em vir trabalhar na ENSP; o doutorado em Londrina; a decisão em vir para o Rio de Janeiro; comentário sobre o concurso que fez para ingressar na ENSP; a ida para o IOC; a diferença entre o departamento de Ciências Biológicas da ENSP e o IOC; breve comentário sobre a descoberta de um surto de calazar no Rio de Janeiro; as pesquisas em leishmaniose realizadas no IOC.

Fita 2
Comentários sobre o departamento de Ciências Biológicas da ENSP; a relação entre as ciências Sociais e a Saúde Pública; estrutura do departamento de ciências biológicas da ENSP; a clientela de alunos dos cursos do Departamento de Ciências Biológicas da ENSP; comentários sobre a atualização da profissão de sanitarista; os trabalhos desenvolvidos no laboratório de parasitologia na ENSP; breves comentários sobre as pesquisas com leishmaniose; comentários sobre o desenvolvimento de um produto no laboratório até sua produção em escala industrial.; a necessidade de o campo de pesquisas estar integrado com situações emergentes da saúde pública; comentários sobre a falta de política de valorização de pesquisas dentro da Fiocruz no que se refere às patentes; o processo de desenvolvimento de uma pesquisa científica até a sua produção em escala industrial; a preocupação dos membros de seu laboratório em encaminhar a pesquisa para o desenvolvimento tecnológico;o departamento de Ciências Biológicas e a preocupação em atender as necessidades de saúde pública; o perfil profissional de um bom pesquisador; críticas à falta de formação de pesquisadores na universidade nas diversas áreas da ciência; a incorporação das ciências sociais na área de saúde pública; o perfil dos pesquisadores do departamento de Ciências Biológicas da ENSP; a organização das linhas de atividade do laboratório de Ciências Biológicas; o relacionamento do laboratório de Ciências Biologias da ENSP com o IOC.

Fita 3
Continuação dos comentários sobre o relacionamento do laboratório de biologia molecular e o IOC; breves comentários sobre as novas pesquisas em biotecnologia desenvolvidas em conjunto com o IOC; considerações sobre os recursos recebidos para pesquisas; breves considerações sobre a questão das patentes; a satisfação em ter sido um descendente de Samuel Pessoa.

Leon Rabinovitch

escola Israelita Brasileira de Madureira; o estudo secundário; a graduação em farmácia na UFRJ; a formatura em farmácia em 1962 e a entrada no Instituto de Microbiologia como bolsista; descrição do trabalho desenvolvido nos laboratórios da faculdade; a opção pela graduação em farmácia; descrição das cadeiras que compunham o curso de farmácia da UFRJ no período em que estudou na graduação; a entrada para o laboratório de Imunologia no Instituto de Microbiologia; o convite para trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz; o trabalho como bolsista do CNPq; considerações sobre a reedição do Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz em 1964; comentários sobre a profissão de seu pai e da mãe; breves considerações sobre a chegada de sua família ao Brasil; comentários sobre a origem de sua família; considerações sobre a escola judaica fundada por seu pai; comentários sobre as escolas judaicas no Brasil; considerações sobre a miscigenação no Brasil e no mundo; o judaísmo no Brasil; o trabalho desenvolvido com o Dr Gobert de Araújo Costa; o concurso para professor da faculdade de farmácia da Universidade Federal Fluminense.

Fita 2
Comentários sobre a entrada de pesquisadores no IOC durante o governo de João Goulart; os biologistas do IOC em 1964; o panorama da Fiocruz durante o governo militar; as opções profissionais após o término de sua graduação no curso de farmácia; a produção de vacinas na Fiocruz; breve comentário sobre o curso que fez com o Dr. José Fonseca da Cunha; o mandato universitário do IOC; o regime militar e o IOC; breve comentário sobre o trabalho desenvolvido por sua equipe de pesquisadores; a questão das descobertas científicas e as patentes; a opção pela pesquisa científica; a relação entre ciência e mercado; novas considerações sobre a questão das patentes; o mercado e o cientista; a relação entre ciência, política e apoio financeiro para pesquisa; considerações sobre o trabalho de pesquisa desenvolvido na Fiocruz; as dificuldades do pesquisador em patentear sua descoberta; a importância dos convênios para a atividade científica.

Fita 3
Considerações sobre a relação entre ciência e mercado; descrição de seu projeto de pesquisa em bacteriologia aplicada ao controle de vetores; novos comentários sobre a questão das patentes; a publicação do catálogo sobre a produção científica da Fiocruz; o processo de desenvolvimento da toxina produzida por seu laboratório para controle de vetores; as parcerias para desenvolver produtos dentro da Fiocruz.; o prestígio da Fiocruz; a relação entre a ciência e as empresas privadas; a questão das patentes e as empresas privadas.

Fita 4
Considerações sobre sua dedicação ao seu tema de pesquisa; o interesse em estudar bactérias anaeróbicas e aeróbicas; o trabalho no Departamento de Bacteriologia no IOC após a saída do Dr Gobert de Araújo Costa; breve comentário sobre as teses de livre docente; o panorama do Departamento de Bacteriologia após a saída do Dr. Gobert de Araújo Costa; breve comentário sobre a questão do concurso público para ingresso na instituição; a entrada de estagiários no IOC; a atividade científica no IOC; considerações sobre a administração de Rocha Lagoa; a produção de vacinas na Fiocruz antes da construção de Bio-Manguinhos; a área de produção do IOC; o panorama do IOC nos anos 60; as vacinas produzidas na Fiocruz; as dificuldades do Departamento de Bacteriologia nas décadas de 1960 e 1970; as agências de financiamento à pesquisa; o financiamento da Finep para o desenvolvimento das pesquisas em seu laboratório em 1988; a criação do catálogo de coleções; a importância de treinar estagiários em seu Laboratório; a dificuldade em se ter bolsas de pesquisa nos anos 1960.

Fita 5
Continuação dos comentários sobre a entrada de bolsistas no IOC; considerações sobre a formação de sua equipe de trabalho; o problema da permanência dos bolsistas de iniciação científica treinados no IOC; os concursos públicos para ingresso na Fiocruz; comentários sobre a trajetória de seu laboratório; a vontade de trabalhar com engenharia genética; a especificidade de seu campo de atuação na área de pesquisa; breve comentário sobre a pesquisa desenvolvida para o controle de vetores; o convênio firmado com Fergus Prist, da Heriot Watt University para isolamento de microorganismos ; comentários sobre as indústrias farmacêuticas no Brasil; novas considerações sobre a relação entre ciência e mercado; a questão das patentes e as verbas para os pesquisadores; crítica à mercantilização da ciência; considerações sobre a produção de Bio-Manguinhos; relação entre empresa privada e ciência.

Fita 6
Novos comentários sobre as pesquisas do IOC; novos comentários sobre a relação entre ciência, empresa privada e o mercado; o trabalho desenvolvido em parceria com a Impal; crítica ao salário dos pesquisadores; comentários sobre a questão das patentes; o encantamento pelo trabalho no IOC.

Geraldo Armôa

Entrevista realizada por Nara Azevedo, Luis Otávio Ferreira e Simone Kropf, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 20 de novembro de 1996.

Sumário
Origem familiar; o curso de Farmácia na Escola de Ouro Preto, Minas Gerais; o mestrado em Microbiologia na UFMG; a vinda para a UFRJ para trabalhar sob orientação de Paulo Gontijo; o contrato para trabalhar no INCQS, em 1983, com controle de qualidade de vacina BCG; a ida para o Statens Serum Institute em Copenhagen, em 1987; considerações sobre os problemas de qualificação enfrentados pelo INCQS; o doutorado na Universidade George Washington, nos EUA; o trabalho no Centro de Biológicos do FDA em Bethesda em biologia molecular; a opção por trabalhar com vacina BCG contra a tuberculose; a volta ao INCQS; o convite para trabalhar em Bio-Manguinhos; considerações sobre o uso da vacina BCG como vetor de vacinas multivalentes; a colaboração com Odir Dellagostin, da Universidade de Pelotas; o financiamento do Papes a esse projeto.

Fita 2
Comentários sobre a falta de prioridade conferida à biotecnologia pela Fiocruz e Ministério da Saúde; a equipe do laboratório; comentários sobre as transformações culturais pelas quais deveria passar a instituição em função de sua possível inserção no campo competitivo do desenvolvimento tecnológico; a diferença entre a pesquisa desenvolvida em Bio-Manguinhos e no Instituto Oswaldo Cruz; considerações sobre a importância de realizar parcerias com empresas privadas e públicas para desenvolvimento de biotecnologias, os entraves encontrados na instituição e a necessidade de uma política que regulamente essas parcerias; considerações sobre as dificuldades na produção de vacinas enfrentadas por Bio-Manguinhos atualmente.

Fita 3
Comentários sobre a falta de investimento em infra-estrutura e desenvolvimento tecnológico em Bio-Manguinhos e na Fiocruz; o papel do INCQS no monitoramento da qualidade de produtos imunobiológicos; a precariedade das instalações de Bio-Manguinhos a falta de prioridades da Fiocruz no setor de obras; comentários sobre a planta industrial em construção em Bio-Manguinhos; os grupos de pesquisa que desenvolvem projetos de biotecnologia na Fiocruz.

Eduardo Leser

Entrevista realizada por Nara Azevedo, Wanda Hamilton e Simone Kropf, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 20 e 26 de junho de 1996.

Sumário
Fita 1
Origem familiar; a carreira de seu pai o médico Walter Leser nos campos da medicina e da saúde pública; a escolha da carreira; a influência cultural da família; formação escolar; o vestibular para engenharia na USP; a militância política no colégio e na universidade; a escolha pelo curso de engenharia química; a militância na universidade; o mercado de trabalho de um engenheiro químico;

Fita 2
O trabalho na Escola Politécnica em São Paulo, no Departamento de Engenharia Química; o convite de Vinícius da Fonseca para implantar a Usina Piloto para produção de vacinas contra a meningite na Fiocruz, em 1975; a situação da produção à época de sua chegada na Fiocruz; o estágio em Lyon, na França, para aprender as técnicas de produção da vacina contra a meningite no Instituto Mérieux; o processo de implantação da Usina Piloto em Bio-Manguinhos.

Fita 3
A constituição de Bio-Manguinhos em 1976; comentários sobre a não concretização da idéia de transformar Bio-Manguinhos em uma Sociedade Anônima; as dificuldades do relacionamento entre os setores de pesquisa e de produção na Fiocruz; comentários sobre o Centro de Biotecnologia; a aproximação com a Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP); o trabalho com Akira Homma em Bio-Manguinhos; as negociações com a Japan International Corporation Agency (Jica) para implantação da produção de vacina contra o sarampo; o curso no Japão a convite da Jica.

Fita 4
O contato com Charles Manclarck e a ida ao NIH para treinamento em produção e controle da vacina contra a coqueluche; o curso no Rijks Institut, na Holanda e a tentativa de montar um setor de pesquisa biotecnológica em Bio-Manguinhos; considerações sobre o estado da pesquisa e desenvolvimento em biotecnologia na Fiocruz; os melhoramentos tecnológicos introduzidos na vacina contra a febre amarela; os problemas da adaptação de espaços destinados a outras finalidades em função das normas que envolvem a produção de imunobiológicos; a construção da planta industrial de Bio-Manguinhos; o investimento na produção de reagentes e kits para diagnóstico; comentários sobre o tempo e as etapas de desenvolvimento de uma vacina; a estruturação de Bio-Manguinhos ao longo dos últimos anos; descrição das linhas de pesquisa em desenvolvimento de Bio-Manguinhos.

Fita 5
Considerações sobre a configuração da pesquisa e desenvolvimento em Bio-Manguinhos; a questão dos recursos para investimento em pesquisa e desenvolvimento; considerações sobre a definição do conceito de biotecnologia; a diversidade disciplinar do campo de desenvolvimento biotecnológico; considerações sobre as políticas públicas no campo da biotecnologia; a diferença entre o papel das empresas públicas e o setor privado no campo da biotecnologia; o doutorado na Inglaterra; as atividades desenvolvidas atualmente em Bio-Manguinhos.

Carlos Médicis Morel

Entrevista realizada por Nara Azevedo, Simone Kropf e Luiz Otávio Ferreira, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 05 e 06 ou 08 de janeiro de 1998.

Sumário
Fita 1
Comentários sobre sua inserção na área de biologia molecular; o nascimento da biotecnologia moderna; o curso de biologia molecular realizado em Harvard em 1971; breves considerações sobre o nascimento da engenharia genética; panorama da engenharia genética nos anos 70; as pesquisas com Trypanosoma cruzi; o trabalho no laboratório de Biofísica da UFRJ; o interesse pelo campo da engenharia genética; o convite para trabalhar em Paris; comentários sobre seus projetos desenvolvidos com DNA; as pesquisas em biologia celular no Brasil; a decisão em trabalhar com biologia molecular na Fiocruz; a relação da bioquímica com a biologia molecular; breves comentários sobre o surgimento da biologia molecular; o desenvolvimento de pesquisas em biologia molecular no Brasil; a ida para a Universidade de Brasília; breve comentário sobre a questão da pesquisa básica e pesquisa aplicada; impressões sobre sua visita à Fiocruz; considerações sobre novas perspectivas entre pesquisa básica e pesquisa aplicada; o exemplo de cientista observado em Samuel Pessôa; o debate sobre as patentes; a pós-graduação no Instituto de Biofísica da UFRJ; a pós-graduação na UNB.

Fita 2
Comentários sobre o curso de pós-graduação que organizou no IOC; a organização do IOC antes de sua chegada no Instituto; o convite para organizar o Departamento de Bioquímica do IOC; novas considerações sobre a organização do curso de pós-graduação do IOC e a escolha de professores para o curso; as perspectivas da biologia molecular e seu avanço no Brasil; descrição da estrutura do curso de pós-graduação em Biologia Molecular do IOC; breve comentário sobre o perfil dos alunos que entram para os cursos de pós-graduação do IOC; o perfil de alguns pesquisadores que ingressaram no quadro de funcionários da Fiocruz; breve consideração sobre o primeiro financiamento recebido para pesquisa no IOC; a atração pelo trabalho no IOC e a decisão em ir trabalhar na Fiocruz; breve comentário sobre sua visão em relação à tradição de pesquisas na Fiocruz; comentários sobre a gestão de Vinícius da Fonseca como presidente da Fundação Oswaldo Cruz; considerações sobre a contribuição de seu trabalho na Fiocruz; comentário sobre a importância de suas publicações científicas; a instalação do laboratório de biologia molecular no IOC; o pedido de verbas para pesquisas em seu laboratório; o financiamento concedido pelo CNPq e a ida para a Califórnia; considerações sobre sua vinda para a Fiocruz; comentários sobre sua participação na Sociedade Brasileira de Genética; o contexto da ciência nos anos 1970 e sua vinda para a Fiocruz; considerações sobre o convite que alguns pesquisadores receberam para trabalhar no IOC; as relações de trabalho entre o Departamento de Biologia Molecular e o Departamento de Imunologia no IOC; comentários sobre os pesquisadores considerados paradigmáticos no IOC.

Fita 3
Perspectivas da biologia molecular no Brasil; comentário sobre o Pronab (Programa Nacional de Biotecnologia); o significado das políticas de Ciência e Tecnologia no Brasil nos anos 70; comentários sobre a atuação do CNPq na década de 1970 na área de ciência e tecnologia; considerações sobre o Pronex; considerações sobre a implantação do Papes à época de sua gestão como Presidente da Fiocruz; o debate entre planejadores e cientistas; as relações entre política e a ciência no Brasil e no mundo; a relação entre ciência e imprensa; o papel de Sérgio Arouca em defesa da ciência; a relação entre ciência e política; o CNPq e as prioridades para a ciência no Brasil; a função do balcão do CNPq para a ciência; breve comentário sobre a questão do orçamento para desenvolvimento de Ciência e Tecnologia no Brasil; a elaboração do PRONAB; comentários sobre a política de ciência e tecnologia no país; a questão da auto-suficiência tecnológica no campo da ciência e da saúde; a discussão sobre patentes na Fiocruz e no Brasil.

Fita 4
Considerações sobre a questão das patentes na Fiocruz e no Brasil; a necessidade de haver uma política institucional específica para biotecnologia; breves comentários sobre a gestão de Sérgio Arouca como presidente da Fiocruz; a opção por não se filiar a nenhum partido político; a decisão em ser diretor do IOC; comentário sobre o que considera como definidor da identidade do cientista; o trabalho na presidência da Fiocruz; a admiração por Cristóvão Buarque; comentário sobre seu trabalho como vice-presidente da Fiocruz; comentário sobre o perfil de Sérgio Arouca; considerações sobre a candidatura de Sérgio Arouca para presidência da Fiocruz; a indicação para ser diretor do IOC; considerações sobre a participação na campanha de Sérgio Arouca para presidente da Fiocruz; comentários sobre a decisão de Arouca para que acumulasse a função de diretor do IOC e vice-presidente de pesquisa; considerações sobre sua aproximação com Arouca; as três grandes crises pelas quais passou a Fiocruz no início da gestão de Sérgio Arouca e o papel do IOC; considerações sobre a necessidade de aproximação entre o IOC e a ENSP.

Fita 5
Considerações sobre a gestão de Sérgio Arouca como presidente da Fiocruz; os projetos implantados por Sérgio Arouca na área de produção; considerações sobre a área de produção de vacinas da Fiocruz; breve comentário sobre sua gestão como presidente do IOC; considerações sobre o orçamento da Fiocruz; comentários sobre as relações de trabalho com Mario Hamilton, vice-presidente de Desenvolvimento Institucional durante sua gestão como presidente da Fiocruz..

Fita 6
Considerações sobre os recursos financeiros recebidos durante sua gestão como diretor do IOC; balanço geral sobre a questão dos recursos financeiros da Fiocruz; o Conselho Deliberativo instituído na gestão de Sérgio Arouca; a contratação de pesquisadores na gestão de Sérgio Arouca; a volta dos pesquisadores cassados para a Fiocruz; breve consideração sobre a questão do concurso público para ingresso na Fiocruz; a organização do Ministério da Ciência e Tecnologia e o apoio de Renato Archer à Fiocruz; comentários sobre a criação do Ministério da Ciência e Tecnologia; a questão da ciência e tecnologia versus a pesquisa e ensino no Brasil; a normatização da política de patentes durante sua gestão como presidente; o processo de informatização da fiocruz; a criação do Fórum de Pesquisa e Saúde para o desenvolvimento; comentários sobre o PIDE; a origem dos Programas Integrados da Fiocruz; a idéia em criar um programa institucional em esquistossomose; o surgimento do Programa Integrado de Esquistossomose; o início dos programas institucionais na Fiocruz; a importância da gestão tecnológica no desenvolvimento de pesquisa; o projeto Gene-Manguinhos; a idéia de criação do Centro de Biotecnologia da Fiocruz.

Fita 7
Comentários sobre a idéia de criação do Centro de Biotecnologia da Fiocruz e a gestão de Akira Homma como presidente da Fiocruz; a relação entre Bio-Manguinhos e o IOC; comentários sobre os objetivos da construção do Centro de Biotecnologia; a construção da planta industrial para produção de vacinas bacterianas na Fiocruz; novas considerações sobre sua gestão como presidente da Fiocruz; o orçamento para a construção da planta industrial da Fiocruz; comentários sobre o aumento do orçamento da Fiocruz durante sua gestão como presidente; considerações sobre o papel da planta industrial da Fiocruz; o desenvolvimento tecnológico na produção de vacinas pela Fiocruz; críticas em relação à rotatividade de Ministros da Saúde no governo brasileiro; considerações sobre a informatização das unidades da Fiocruz; as novas tecnologias de comunicação e a criação do CICT; a produção de vacinas na Fiocruz; os desafios da gestão de Elói Garcia como presidente de Fiocruz; as novas tecnologias e sua aplicação na ciência; considerações sobre a qualificação dos recursos humanos na Fiocruz; considerações sobre a formação de recursos humanos em Bio-Manguinhos; principais diferenças na área de biotecnologia entre Brasil e Cuba; a questão da biotecnologia na Fiocruz; visões sobre o que é biotecnologia.

Fita 8
Definições sobre o campo da microbiologia; as novas áreas do campo da microbiologia; os avanços da Fiocruz na engenharia genética; o programa TDR da OMS, do qual foi dirigente; novas perspectivas de pesquisa na Fiocruz; a importância da infra-estrutura para o trabalho dos pesquisadores; o trabalho desenvolvido em Far-Manguinhos e Bio-Manguinhos; breves considerações sobre o futuro das pesquisas na Fiocruz.

Antonio Gomes Ferreira

Entrevista realizada por Wanda Hamilton e Simone Kropf, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 24 de julho e 09 de outubro de 1996.

Sumário
Fita 1
Origem familiar; a escolha da carreira; a aprovação no vestibular para o curso de Química na UFRJ e o posterior trancamento do curso; o curso de Biologia Parasitária do IOC; o estágio no Departamento de Imunologia do IOC chefiado por Bernardo Galvão; o trabalho desenvolvido com Vera Bongertz; considerações sobre a importância do curso de graduação para seguir carreira na Fiocruz; o contrato para trabalhar no projeto institucional de Aids, em 1985; o trabalho com Helio Gelli Pereira visando ao desenvolvimento de reativos para diagnóstico de Aids; o envolvimento de Bio-Manguinhos no projeto de desenvolvimento do kit para teste de HIV e sua transferência para o setor de reativos da unidade; a contratação efetiva por Bio-Manguinhos; a padronização da imunofluorescência para HIV.

Fita 2
O trabalho com Otávio Oliva no desenvolvimento e na produção de reativos para diagnóstico; considerações sobre o mercado de reagentes para diagnóstico e o papel de Bio-Manguinhos nesse mercado; o mercado de produção de reagentes para diagnóstico de Aids e o kit produzido por Bio-Manguinhos.

Fita 3
A crise do laboratório de desenvolvimento e produção de reativos; o convite de Otávio Oliva para chefiar o setor de reativos; o convenio com a Fundação Nacional de Saúde para fornecimento de reativos; o crescimento da pauta de produtos e de pessoal do laboratório; as colaborações com laboratórios do IOC para o desenvolvimento de reativos; os problemas enfrentados pelo setor; o incêndio no setor de reativos e a perda de espaço físico; o processo de incorporação de novos produtor à pauta de produção do laboratório; a dificuldade adequar o kit para diagnóstico da doença de Chagas desenvolvido por Samuel Goldenberg; as dificuldades de capacitação de pessoal na área; as colaborações com empresas internacionais e com o IOC; o tipo de formação universitária do pessoal do laboratório de reativos.

Fita 4
O investimento em capacitação de pessoal; a organização do trabalho no laboratório; considerações sobre as exigências do controle e a garantia de qualidade e o crescimento desse setor; comentários sobre o patenteamento de produtos.

Akira Homma

Entrevista realizada por Nara Azevedo, Luiz Otávio Ferreira, Wanda Hamilton e Simone Kropf, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 15 e 23 de dezembro de 1997 e 03 de fevereiro de 1998.

Sumário
Fita 1
O estágio no Instituto Adolfo Lutz; o convite para realizar um curso da Organização Mundial da Saúde no Rio de Janeiro e o trabalho no Centro Pan-americano de Febre Aftosa em Duque de Caxias; a escolha da carreira científica; a formação em veterinária na Universidade Federal Fluminense; o trabalho desenvolvido no Centro Pan-americano de Febre Aftosa; o convite para trabalhar na Escola Nacional de Saúde, unidade da Fiocruz; O trabalho desenvolvido na ENSP em cultura de tecidos de poliomielite; o contrato da Bayer do Brasil; para organizar a fábrica de produção da vacina contra febre aftosa de Belford Roxo; a viagem para a Alemanha; o convite para trabalhar no Laboratório de Tecnologia de Imunobiológicos - Bio-Manguinhos e o retorno para a Fiocruz e o Rio de Janeiro; comentários sobre a gestão de Vinícius da Fonseca como presidente da Fiocruz

Fita 2
Continuação dos comentários sobre a gestão de Vinícius da Fonseca; a crise no setor de imunobiológicos gerada pelo fechamento da Sintex; a construção do biotério de Bio-Manguinhos com recursos do Programa de Auto-suficiência Nacional em Imunobilógicos (Pasni); a pauta de produtos de Bio-Manguinhos no final da década de 1970; a transferência de tecnologia da vacina contra o sarampo no início da década de 1980; o convite para trabalhar no Pasni durante o Governo de Fernando Collor de Mello; a transferência de tecnologia da vacina contra o sarampo.

Fita 3
Considerações acerca do papel de Oswaldo Cruz na saúde pública e na ciência no Brasil; o papel do Estado, da Fiocruz e as prioridades no campo da saúde pública atualmente; o mercado de imunobiológicos nos EUA; o papel da OPAS e da Unicef na compra de vacinas para países em desenvolvimento; considerações acerca da necessidade de desenvolver tecnologia para produção de imunobiológicos no país; sua participação no Pronab; o exemplo de Cuba na definição de prioridades no campo do desenvolvimento tecnológico; a ocupação do cargo de vice-presidente de Tecnologia da Fiocruz e a proposta do Programa Integrado de Desenvolvimento de Vacinas.

Fita 4
Comentário sobre as perspectivas da implantação de um programa desenvolvimento de vacinas na Fiocruz; comentários sobre o projeto do Centro de Biotecnologia da Fiocruz e sua não concretização; origens do Departamento de Desenvolvimento Tecnológico (Dedet) de Bio-Manguinhos; a relação entre pesquisa e os pesquisadores do IOC e o desenvolvimento tecnológico; considerações sobre a necessidade de uma política governamental e institucional de apoio e financiamento a projetos biotecnológicos; as fontes de financiamento nacionais e internacionais e o crescimento de Bio-Manguinhos na década de 1980; a capacitação de recursos humanos para o campo da biotecnologia; as atividades de Bio-Manguinhos no campo da biotecnologia e do desenvolvimento tecnológico.

Fita 5
Considerações sobre a importância de investir na produção de vacinas e reativos para diagnóstico; a participação de Bio-Manguinhos na candidatura de Antonio Sérgio da Silva Arouca para a presidência da Fiocruz; a relação de Bio-Manguinhos com Guilardo Martins Alves, presidente da Fiocruz de 1979 a 1984.

Fita 6
A necessidade de estabelecer projetos multidisciplinares que reúnam diversas instituições e unidades da Fiocruz; a necessidade de mecanismos de indução para a pesquisa visando desenvolvimento de produtos imunobiológicos; as diferentes etapas do processo de desenvolvimento e produção de imunobilógicos; características da produção de Bio-Manguinhos enquanto setor ligado às políticas públicas de saúde; anatomia da crise enfrentada, atualmente, pelo setor de produção de Bio-Manguinhos.

Fita 7
A crise de Bio-Manguinhos a as propostas para sua superação; considerações sobre os riscos de privatização de instituições produtoras de imunobiológicos; a necessidade de investimento em desenvolvimento tecnológico e capacitação profissional; as transformações no mercado produtor de vacinas e o papel de Bio-Manguinhos nas políticas públicas de saúde; considerações sobre a necessidade da pesquisa tecnológica de Bio-Manguinhos visar o desenvolvimento do produto; o seminário que será organizado para discutir os rumos de Bio-Manguinhos; as fortalezas de Bio-Manguinhos; os setores que utilizam novos conhecimentos de campos como a biologia molecular e engenharia genética em Bio-Manguinhos.

Fita 8
O laboratório de hibridomas organizado por Otávio Oliva; considerações sobre as dificuldades de se contratar pessoal capacitado em função dos baixos salários; considerações sobre o futuro da Fiocruz e os rumos de Bio-Manguinhos.

A erradicação da poliomielite: uma história comparada Brasil e Peru

Reúne 10 entrevistas de História Oral. O objetivo da pesquisa foi estudar a história da erradicação da poliomielite considerando sua importância social e econômica. Para tanto, procedeu-se à análise histórica de uma doença que condena crianças, suas principais vítimas, à paralisia e dependência permanentes. Também foi analisada a trajetória de campanhas de vacinação enquanto política governamental de saúde. Buscou-se ainda compreender as inter-relações institucionais nacionais e internacionais em jogo na decisão política de erradicação da poliomielite. Um estudo comparado com o Peru enriquece essa história, à medida que tratam-se de países distintos cujas etapas do processo foram diferentes. Esta pesquisa tem por objetivo: estudar as alianças institucionais (políticas e científicas) que possibilitaram a campanha contra a pólio, determinar os limites destas alianças, suas controvérsias, contradições e oposições, e as saídas encontradas que permitiram a implementação da campanha, levando em conta o momento histórico nacional de ambos os países e as discussões internacionais, nacionais e setoriais da saúde acerca do problema.

Simone Maria Borges Lira Bezerra

Entrevista realizada por Ana Paula Zaquieu e Dilene Raimundo do Nascimento, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 22, 27 de janeiro e 08 de fevereiro de 1998.
Sumário
1ª Sessão: 22 de janeiro
Fita 1 – Lado A
A composição familiar, separação dos pais e a ida para Recife com a mãe; o segundo casamento da mãe e sua morte; a volta para o Rio de Janeiro, os amigos; a forte ligação afetiva com uma das irmãs. A volta para o Rio de Janeiro, a vida mais independente do meio familiar; a diferença de idade e o distanciamento dos outros irmãos; as escolas que frequentou no Rio e Recife; a escola de freiras em Recife; a intensa participação nas atividades propostas pelo colégio; o engajamento político e a importância da escola pernambucana. O ingresso na faculdade de medicina veterinária; a morte da mãe.

Fita 1 – Lado B
A volta para o Rio de Janeiro; a interrupção da faculdade; os irmãos; a opção pelo trabalho; longos comentários sobre o emprego atual, a função exercida, o ambiente de trabalho, a relação de prazer com suas atividades. O HIV e a percepção da morte, a vontade de viver bem. Cita livros e filmes que impactaram sua vida afetiva, a busca por uma maior valorização do outro. A relação com o HIV.

Fita 2 – Lado A
Sua condição clínica anterior, a Diabetes descoberta no final da adolescência; a descoberta do HIV; a crença na impossibilidade da contaminação; a relação com os membros do Grupo pela Vidda, o preconceito. Considerações sobre seu distanciamento das questões relacionadas à doença antes do diagnóstico, o descuido com a prevenção, o entendimento da Aids como doença do outro, a dificuldade da sociedade em tratar questões relacionadas à Aids e à sexualidade. O desespero do momento do diagnóstico agravado pela falta de informação sobre a doença, pela omissão da sociedade diante da doença e pelos tabus que cercam a Aids. A imagem do Cazuza como representação do doente de Aids. O doloroso processo até a confirmação do diagnóstico, a solidariedade de uma colega de trabalho. Menção às diferenças individuais no momento do diagnóstico de Aids e às especificidades do significado da doença entre as classes populares. A reação solidária do namorado; as férias na casa da irmã no Recife e o adiamento na confirmação do diagnóstico, vista hoje como uma forma de “fugir” do HIV. A relação distante entre os outros irmãos e a opção em ocultar-lhes o diagnóstico.

Fita 2 – Lado B
Algumas considerações sobre o relacionamento entre os irmãos. O contato com o Grupo Pela Vidda poucos meses depois do diagnóstico; a consulta com um especialista em Aids e a relação de segurança estabelecida com o médico. Considerações sobre as contradições dos relacionamentos amorosos diante da Aids: o silêncio sobre a Aids, o abandono do preservativo a partir do momento em que a relação se torna estável, o uso do preservativo como método anticoncepcional. Comentários sobre a reação do namorado que optou por não fazer o teste anti-Aids. A preocupação em não contaminar o parceiro; crítica aos soropositivos que mantêm relações sexuais sem preservativos. Avaliação da sua vida sexual após o contágio; o medo diante da possibilidade de sexo; menção à um episódio em que a sensação de medo interrompeu um contato mais íntimo com o ex-namorado. Considerações sobre o relacionamento cúmplice e amigo com o ex-namorado. O contato com a experiência individual de outras pessoas e a gradativa superação do bloqueio sexual; a busca por um apoio terapêutico. O impacto do primeiro contato com o Grupo pela Vidda; o diálogo com antigos integrantes do Grupo; a mudança gradativa na relação cotidiana com a doença.

Fita 3 – Lado A
O processo de assumir a doença; a busca do equilíbrio, o gradativo amadurecimento no convívio com a doença e com os outros, o efeito da primeira participação numa manifestação organizada pelo Grupo. O convite de uma revista interessada em depoimentos de mulheres soropositivas para uma entrevista. Parênteses para, contrapondo-se à visão negativa sobre a imprensa, avaliar sua importância estratégica. A elaboração de um texto retratando seus sentimentos em relação à doença. A concessão da entrevista e a publicação do texto. Considerações sobre a repercussão da matéria.

2ª Sessão: 27 de janeiro
Fita 4 – Lado A
O processo de integração no Grupo Pela Vidda, a participação intensa nos debates promovidos pela Tribuna Livre - espaço do Grupo destinado às discussões referentes à Aids. Considerações sobre o que ela chama de “auto-preconceito”, ou seja, a dificuldade do soropositivo em aceitar sua nova condição. A importância da identificação entre os integrantes do Grupo, o despertar de um sentimento de integração e pertencimento. Os receios quanto a um novo relacionamento com um “soronegativo”. A resistência, comum entre as pessoas que, por negarem a doença, não usam preservativo. Comentários sobre os aspectos comportamentais que envolvem a questão do preservativo, tais como: o silêncio, a desinformação que envolve a sexualidade, o amor, a irresponsabilidade, a superficialidade, os tabus sexuais, a pluralidade no processo de assimilação das informações sobre a doença, a percepção do risco. Para ilustrar, cita a participação no evento em comemoração ao dia 1º de dezembro (Dia Mundial de Luta Contra Aids), para avaliar as diferentes reações das pessoas diante da abordagem do Grupo que, na ocasião, distribuía preservativo aos passantes. Questionamento quanto à maneira mais apropriada de estimular a prevenção.

Fita 4 – Lado B
A revelação do diagnóstico entre as amigas. Aponta as fases do processo até a aceitação da doença. A partir de sua experiência pessoal, avalia o importante papel do soropositivo na construção de uma imagem mais positiva da Aids. A falta de autoestima como uma das possíveis explicações para a resistência ao uso do preservativo. Menção a sua experiência pessoal para ilustrar o peso da associação Aids/preservativo; a necessidade afetiva de manter uma relação sexual com um parceiro soropositivo sem preservativo. Considerações sobre a ineficácia das campanhas; longa discussão na busca de caminhos alternativos mais eficazes na luta contra o avanço da doença; menção aos aspectos culturais e identitários que envolvem a percepção do risco da doença.

Fita 5 – Lado A
O efeito exemplar das trajetórias de integrantes do Grupo que aprenderam, ao longo do tempo, a conviver com a doença. O esforço pessoal em tentar viver bem, a despeito da doença; a busca por uma maior autoestima; a vontade de continuar vivendo. A visão do Grupo como um espaço que leva as pessoas a construírem formas mais positivas de conviver com a Aids; ressalta as diferenças individuais na forma de lidar com a doença e na própria convivência no Grupo. Opinião sobre as questões que envolvem a maternidade entre mulheres soropositivas. Considerações gerais sobre o comportamento preconceituoso e radical das pessoas, e de sua busca pessoal por uma vida feliz.

3ª Sessão: 08 de fevereiro
Fita 6 – Lado B
Leitura do texto sobre sua experiência pessoal com o HIV publicado na revista Mulher de Hoje.

Rosemere de Souza Moniz

Entrevista realizada por Ana Paula Zaquieu e Dilene Raimundo do Nascimento, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 07 de outubro, 05 e 19 de dezembro de 1997.
Sumário
1ª Sessão: 07 de outubro
Fita 1 – Lado A
Sua família e ressalta sua condição de adotada. Detalha o processo de sua adoção; explica que, na verdade, seu nascimento é fruto de uma relação extraconjugal de seu pai. A verdade sobre sua paternidade, já na adolescência, por intermédio de sua madrinha. Explica detalhadamente a composição de sua família adotiva e a diferença de idade entre ela e os irmãos mais velhos. O casamento dos irmãos mais velhos; a predileção de seu pai; a separação dos pais, seguida da morte violenta do pai. A rejeição das irmãs mais velhas. A educação conservadora; a convivência feliz com o pai e o impacto de sua morte; a convivência com a mãe e a ida para a casa dos padrinhos. Convivência com os primos maiores e as brincadeiras de criança. Os primeiros anos da adolescência; a conversão religiosa da mãe e o início da tensão no relacionamento entre elas. Os bailes e os namoros da adolescência. O rigor materno; as desconfianças da mãe quanto à perda de sua virgindade. O constrangimento durante a consulta ao ginecologista para a confirmação de sua virgindade; o completo desconhecimento sobre seu corpo. Destaca os rigorosos valores morais da mãe. O impacto da primeira menstruação; a surra dada pela mãe ao saber que ela havia contado para a vizinha sobre o que se passara. Enfatiza as diferenças existentes entre elas, principalmente no que refere aos valores morais. As lembranças da proteção paterna. A fuga da casa da mãe aos 13 anos de idade, devido à tentativa de abuso sexual do irmão. A escolaridade; a vida confortável da família; o cotidiano distanciado das atividades domésticas. O temperamento seco e distante da mãe. O ciúme e o ressentimento dos irmãos diante do temperamento violento do pai e de sua predileção por ela. O desconhecimento dos irmãos a respeito da verdade sobre sua adoção. Avalia a boa educação recebida de sua mãe e episódio do impedimento de seu casamento com um namorado. Ressalta o seu comportamento incontrolável durante a adolescência. O conflito com o irmão, que resultou em sua fuga de casa. O primeiro contato com a rua; a escolha aleatória pela Praça Mauá; a perda da virgindade, ainda no primeiro dia de fuga. As estratégias de sobrevivência aprendidas na rua. O emprego como doméstica e as dificuldades iniciais pela sua inexperiência. A boa adaptação no segundo emprego. A iniciativa de provocar a mãe, ligando para contar-lhe sobre o seu desvirginamento. As complicações com o Juizado de Menores, depois que a mãe denunciou sua fuga; a percepção negativa do Juizado de Menores. A convivência harmoniosa com a segunda família que lhe empregou. A gravidez inesperada do primeiro filho e a saída do trabalho. Menciona a dor da primeira relação sexual e as dificuldades iniciais em manter uma vida sexual plena. Os novos relacionamentos e o fim das dificuldades sexuais. Ressalta o desinteresse por relacionamentos afetivos estáveis; a resistência ao uso de bebidas alcoólicas. Os anos de trabalho como doméstica no bairro do Estácio; a boa convivência com a família que lhe empregara. A pequena reaproximação com a mãe e o completo distanciamento dos irmãos. Retorna às brigas entre seus pais, relembrando o comportamento violento e ciumento do pai que, em uma das brigas, resultou num ferimento à bala na empregada da família. Faz uma avaliação positiva do relacionamento dos pais. Cita as atividades profissionais da mãe, comentando que os pais não eram casados legalmente.

Fita 1 – Lado B
As diferenças de idade entre os irmãos. Os momentos de lazer, o relacionamento afetuoso no trabalho; o sentimento de pertencimento à família que lhe empregara. A gravidez inesperada do primeiro filho, o desemprego e a volta para as ruas. O afastamento do pai da criança; os conflitos quanto manter ou não a gravidez. O primeiro marido e a mudança para a Central do Brasil. O casamento sem amor; o nascimento do primeiro filho; a decisão do marido de reconhecer a paternidade da criança. Alusão aos frequentadores de sua casa atrás da Central do Brasil e ao uso indiscriminado de drogas e bebidas alcoólicas pelo grupo. Comenta seu envolvimento com ladrões de residência e a sua participação na guarda dos produtos roubados. O convívio cotidiano com usuários de drogas, destacando a resistência em se drogar. A falta de contato com a mãe. Os constantes conflitos com o marido; a decisão de traí-lo, para, em seguida, contar-lhe sobre a traição. Afirma nunca ter sentido medo durante a adolescência. Comentários sobre um episódio que resultara em problemas com a polícia. A boa convivência com a polícia. Relembra dos amigos. O seu temperamento abusado; a ausência de medo da morte. A separação do marido. A inserção no mundo da prostituição; o trabalho como prostituta na Avenida Atlântica (Rio de Janeiro). Relata, em detalhes, o cotidiano da prostituição, citando algumas dicas sobre a execução do trabalho. A organização, os códigos e as regras da prostituição na orla de Copacabana: a divisão dos espaços, a ausência de “cafetões”, os tipos e os preços dos “programas”, a relação com a polícia, a prostituição infantil, o uso de drogas, a média de ganhos diários, os horários de movimento, a relação com os clientes. Menciona a desilusão com os sonhos de casamento. Fala de seu primeiro casamento, classificando-o como um período de “bagunça”. Relembra as situações de perigo e da constante proximidade com a morte. Frisa a solidariedade existente entre as prostitutas. Menciona episódios que resultaram na morte violenta de alguns de seus amigos. Ao comentar os riscos e as ameaças do universo da prostituição, salienta a sua capacidade de articulação. Ressalta sua lucidez e resistência a qualquer tipo de vício.

Fita 2 – Lado A
O início do trabalho na “pista”, a convivência com um fugitivo da polícia, que seria seu segundo marido. O início do romance; sua recaptura pela polícia. A decisão de não o abandonar na prisão. O fim de sua pena e a decisão de abandonar o trabalho na pista, para viverem juntos em Itaguaí. A infidelidade do marido. Narra uma das brigas do casal por ciúmes. Ressalta a dedicação durante o período em que o marido esteve preso e a sua predileção por ela. A segunda gravidez. Cita as preocupações do grupo de prostitutas com as DST's, com risco constante de uma gravidez indesejada e o sadismo dos clientes. Ressalta seu completo desconhecimento sobre a Aids e a resistência dos clientes em usar preservativo. Menciona algumas experiências com clientes; os momentos divertidos; as situações de perigo; a prostituição infantil; as constantes batidas policiais; o estupro de uma colega; o preço e o pagamento pelos programas. A organização e as regras de convivência entre as prostitutas. O relacionamento com os clientes. Traça um perfil dos clientes, destacando o predomínio de homens casados. A desilusão com o casamento formal e a descrença na fidelidade. A percepção pragmática dos relacionamentos amorosos. Os relacionamentos amorosos das prostitutas; o número reduzido de prostitutas que saem para o casamento; a dificuldade de algumas em abandonar a prostituição; o vínculo corrente com amantes; o zelo com os filhos; a permanente proximidade com o universo da prostituição.

Fita 2 – Lado B
O retorno à Copacabana e a constatação da morte precoce de várias companheiras de sua “época”. As ameaças que cercam a vida nas ruas. A traição, a separação e a morte violenta do segundo marido. Afirma ter “encomendado” no Candomblé a morte do marido. A reaproximação com a mãe; a solidariedade dos amigos. Relembra a desaprovação da família quanto ao seu envolvimento com a prostituição. A volta para a casa da mãe no bairro suburbano de Costa Barros, após a separação do segundo marido; o novo emprego e a decisão de internar o filho em uma instituição para menores. O terceiro marido; relembra um aborto que, supostamente, a teria esterilizado; o temperamento violento do marido. Comenta as circunstâncias em que foi feito o aborto. A primeira pneumonia, a recuperação e a notícia, inesperada, de uma nova gravidez, em 1995. As brigas com o marido; o pré-natal; o intenso mal-estar; o diagnóstico de anemia. O contato com a Aids através da TV; o diagnóstico equivocado. O parto prematuro; o início dos exames; a volta para casa com o bebê.

2ª Sessão: 05 de dezembro
Fita 3 - Lado A
As duras experiências vividas na prostituição em Copacabana; conta sobre a “curra” que sofreu na época, que resultou na saída definitiva das “ruas”. A volta para casa com bebê e os primeiros sintomas da criança; as passagens pelo hospital e o exame para o HIV ainda no ano de 1995; a indignação diante da solicitação do exame pela médica; o resultado positivo, dois meses depois do parto; a incredulidade no diagnóstico; a imprudência do médico ao informar a família sobre o diagnóstico. O choque diante do diagnóstico; a imediata associação Aids/morte. A reação dos amigos e de seu marido; o medo do preconceito dos vizinhos; a surpreendente reação solidária da vizinhança. A postura diante da doença. Relembra momentos difíceis da sua vida, ressaltando sua personalidade “guerreira”. A busca de tratamento; o exame dos filhos e o diagnóstico positivo da filha Tainara. Especula sobre o possível responsável por sua contaminação. Numa retrospecção, cita o romance com Jorge, ocorrido durante a prisão do segundo marido; o abandono da prostituição, aos 19 anos; a ida para Fundação Leão XIII; a mudança para Itaguaí; o fim da pena do marido; o início da fase em que virou “dona de casa” e a gravidez da filha Tainara. Retorna à questão da contaminação e a partir de algumas recordações, afirma ser seu segundo marido o responsável pela contaminação. O início do tratamento no posto de saúde Treze de Maio. O agravamento do quadro clínico do filho; a busca por maiores informações sobre a doença; a indicação, dada por um médico, do Grupo Pela Vidda. Fala longamente sobre o bebê, menciona a fragilidade de seu estado de saúde; o desentendimento com o pediatra, destacando sua relação com a criança.

Fita 3 – Lado B
Retorna comentando a importância do carinho dos amigos de Barros Filho. O fim do terceiro casamento; a contaminação do marido; a sua reação violenta diante do diagnóstico; as brigas do casal. Menciona a surra levada do marido, durante o período de internação do bebê. Ressalta a solidariedade dos vizinhos de Barros Filho. A sua desinformação sobre a doença; a reaproximação da mãe. Cita algumas situações isoladas de preconceito. Volta a comentar o agravamento do estado de saúde do bebê, ressaltando a relação afetiva existente entre eles. Sua última visita ao filho; a morte do bebê aos 9 meses de idade; o ingresso definitivo no Grupo pela Vidda. Fala sobre o medo de perder a filha Tainara. A decepção com a fuga do filho mais velho. Menciona alguns episódios que poderiam explicar o comportamento arredio do filho mais velho: a invasão de sua casa, em Costa Barros; a morte da avó; a mudança para a casa do padrasto, com quem ele não se dava; e a segunda mudança, quando, expulsos de casa pelo ex-marido, ela e os filhos ficaram abrigados numa casa próxima; o medo de perder a família. Enfatiza a postura intransigente em relação a fuga do filho. A doença da filha Tainara; a estabilidade de seu quadro clínico; a confiança em sua médica; a relação dos médicos do Hospital Jesus com sua filha. Menciona a cesta básica recebida pela filha do projeto Renascer; explica as finalidades do projeto, que assiste crianças carentes no Hospital da Lagoa. Elogia o tratamento recebido no hospital dos Servidores do Estado, local onde faz o acompanhamento clínico da doença.

Fita 4 – Lado A
Acentua os benefícios do coquetel de drogas contra Aids, mencionando a redução dos sintomas da doença em seu corpo. Explica em detalhes origem, finalidades, funcionamento e atividades do grupo organizado pelos pacientes do Hospital dos Servidores do Estado, chamado Viva a Vida. Menciona a intenção de criar um grupo de mães no hospital Jesus; dá informações sobre outros projetos e sobre o sistema de distribuição de cestas básicas para soropositivos no Rio de Janeiro e Niterói. O ingresso no grupo pela Vidda, após a morte do filho em 1996; a intenção de ajudar outras mães soropositivas; a solidariedade encontrada junto aos outros voluntários; a frequência no Grupo de Mulheres. Ressalta a importância dos Grupos de apoio aos soropositivos, inclusive o Pela Vidda. Para ilustrar, comenta a experiência com uma mãe soropositiva no Hospital Jesus. Inicia uma longa avaliação sobre as campanhas de prevenção à Aids elaboradas pelo Ministério da Saúde; entre suas críticas, enfatiza a necessidade de campanhas direcionadas para as camadas populares. Comenta a mudança na concepção da doença a partir do lançamento do “coquetel de drogas” e a sua contribuição para uma maior banalização da Aids; a resistência ao uso de preservativo. Critica o desejo de engravidar manifestado por mulheres soropositivas. Fala sobre sua resistência ao uso de preservativo. Destaca a opção pela abstinência sexual, após a separação do terceiro marido. Comenta as especificidades que tornam as mulheres um segmento mais vulnerável à Aids. Ressalta os estereótipos que caracterizam, para as pessoas comuns, os doentes de Aids. Cita as iniciativas frustradas de iniciar um novo relacionamento; critica o descaso dos homens com as mulheres. Tece comentários sobre sua própria condição de soropositiva, a partir de um programa de TV, onde foi abordado o impacto da contaminação e as possíveis formas de lidar com o preconceito contra o soropositivo.

Fita 4 – Lado B
Continuando a discussão sobre preconceito, relembra um dos episódios em que foi vítima de discriminação. Retorna à questão das campanhas, afirmando que elas são ineficazes junto às camadas populares. Fala um pouco de sua experiência como voluntária na luta contra a Aids, do seu contato cotidiano com os vizinhos e dos resultados, percebidos através da mudança no comportamento de amigos. Enfatiza o desejo de desenvolver um trabalho voluntário com mães soropositivas. Explica as razões de a filha Tainara da escola; menciona as dificuldades de cuidar da saúde da menina e a preocupação com o preconceito. Volta a mencionar as campanhas de prevenção do governo, enfatizando a necessidade de campanhas direcionadas para as classes populares. Faz referência às experiências de suas amigas; ao comportamento masculino; à resistência a qualquer tipo de mudança de comportamento; a submissão feminina. Ao falar da omissão da mulher diante da infidelidade masculina, menciona um antigo relacionamento de seis anos com um homem casado. Mais uma vez afirma jamais ter usado preservativo. Fala rapidamente sobre seus últimos amantes e da possibilidade de tê-los contaminado. Menciona as estratégias para não pensar na morte. A doença, o sofrimento causado aos filhos, as restrições impostas à filha hoje. A percepção sobre seu atual estado de saúde. Relaciona a contaminação pelo HIV e sua trajetória de vida. Comenta os sonhos de encontrar um companheiro; o cuidado com sua saúde. Ressalta a responsabilidade com o tratamento da filha e o custo do tratamento de Aids. Destaca a dor pela perda do filho; a morte de todos os parentes próximos e a importância da solidariedade dos amigos. Volta a destacar a necessidade de campanhas preventivas nas favelas. Reafirma a vontade de viver; enfatiza a importância da solidariedade oferecida pelos amigos. O esforço pessoal para se manter bem; o tratamento; a relação estabelecida com o vírus HIV; o convívio cotidiano com a possibilidade da morte; o zelo com a filha.

3ª Sessão: 19 de dezembro
Fita 5 – Lado A
Sua opinião a respeito da eficácia das campanhas de prevenção à Aids, elaboradas pelo ministério da Saúde. Ressalta o distanciamento entre as campanhas e os pobres, propõe como alternativa mais eficiente a adoção de trabalhos de prevenção desenvolvidos diretamente nas comunidades carentes. Comenta o alto custo do tratamento da Aids. Enfatiza a necessidade de aproximar a Aids da realidade cotidiana das pessoas, priorizando jovens e adolescentes. Explica a forma como aborda questões relacionadas ao sexo e à Aids com os filhos. Associa sexo, Aids e a infidelidade masculina com inibição sexual das mulheres casadas. Ressalta a importância do sexo no casamento; sua experiência sexual; o modelo de mulher ideal; a necessidade de conversas diretas sobre sexo durante as oficinas de prevenção à Aids. Relembra o ótimo relacionamento sexual com o segundo marido e os motivos que levaram ao fim do casamento. Defende o retorno à fidelidade conjugal como a melhor forma de prevenir a Aids. Cita um exemplo de traição feminina. Define as diferenças, na prostituição, dos “serviços” oferecidos pela prostituta e pelo travesti.

Fita 5 – Lado B
Menciona o projeto voltado para mães de crianças soropositivas a ser desenvolvido no ambulatório do Hospital Jesus. Destaca o desejo de produzir um vídeo informativo para mães soropositivas. Fala da convivência com a doença; de seu bom estado de saúde; de seus compromissos cotidianos; dos problemas familiares; da luta diária contra a doença; da responsabilidade com os filhos; de suas atividades semanais; da gratificação encontrada na convivência com os integrantes do Grupo pela Vidda. Ressalta o esforço em viver da melhor forma possível com a Aids; os resultados de seus cuidados com a filha e o importante papel da mãe no tratamento de crianças soropositivas. Reafirma a necessidade de um programa informativo voltado para mães soropositivas e a importância da alimentação para os soropositivos. Conclui, destacando a importância da superação do preconceito do próprio soropositivo.

Ronaldo Fernandes Espíndola

Entrevista realizada por Ana Paula Zaquieu e Dilene Raimundo do Nascimento, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 21 de maio de 1998.
Sumário
Fita 1 – Lado A
A formação familiar; a profissão do pai; Corumbá (MT), sua cidade de origem; as viagens do pai, que era ferroviário; a separação dos pais; a ascendência espanhola por parte de pai. Rápidas considerações sobre o caráter dos espanhóis; as lembranças do pai, sua seriedade e rigidez na educação dos filhos. O impacto causado pela descoberta da traição do pai, que constituiu, em segredo, outra família. O retorno do pai e a recusa da mãe em reatar o casamento. A resistência diante da imposição do pai, que queria colocá-lo numa escola agrícola; a melhora na condição financeira do pai; a fragilidade de seu estado de saúde atual; a preocupação dos irmãos com a partilha dos bens adquiridos pelo pai. A sua liderança entre os demais irmãos e a construção da casa de sua mãe em Corumbá; a morte de um dos seus irmãos. Ressalta sua liderança, mesmo que exercida à distância. Relembra outros episódios de desavenças familiares em que ficou marcada sua liderança sobre o restante da família. O impacto da separação dos pais na rotina da família; a morte de uma tia e a atitude de sua mãe que, comovida, acolheu toda a família em casa. O impacto do crescimento repentino da família em seu cotidiano.

Fita 1 – Lado B
Os encontros agradáveis com os primos e as lembranças da infância de dificuldades, vivida junto aos irmãos e aos sete primos. A trajetória escolar: o curso profissionalizante no SENAC e o ingresso na Marinha, como fuzileiro naval, aos 17 anos; a mudança para o Rio de Janeiro. A volta do pai e a recusa da mãe em aceitá-lo; a exclusão do pai das decisões da família; seu apoio à decisão da mãe; o descontentamento inicial com a chegada dos 7 primos pequenos e o posterior aprendizado a partir da convivência com a nova família; a amizade estabelecida entre eles. O ingresso na Marinha, transferência para o Rio de Janeiro, estratégias para conhecer a cidade e sua rápida adaptação; a permanência na Marinha até o afastamento compulsório devido à sua soropositividade. As namoradas; a opção por manter relacionamentos estáveis e duradouros; o relacionamento com a mãe de seu filho; a gravidez inesperada e a decisão de morarem juntos no Rio de Janeiro; o fim do relacionamento. A experiência da paternidade; a resistência da família da namorada em aceitar sua gravidez; as mudanças no relacionamento com o filho; a atual proximidade entre eles. A separação e a decisão de morar com uns amigos do quartel na Ilha do Governador. Problemas com vizinhos e a decisão do grupo de mudar para uma casa, ainda na Ilha do Governador; o ótimo relacionamento com os amigos. O casamento dos amigos. Os relacionamentos: o longo namoro com Hadne; a paixão por Alice e o início deste relacionamento com Alice; o contato com seus pais.

Fita 2 – Lado A
A ida à casa dos pais da nova namorada; sua paciência com a impontualidade dela; o constrangimento diante da naturalidade com que ela o convidou para conversar no quarto; o flagra com outra mulher e o fim do romance; o arrependimento por tê-la traído. A iniciação sexual; os contatos com as primas; o controle da mãe e da avó sobre o comportamento das crianças; os contatos sexuais com as namoradas da escola; os passeios com as meninas; relembra o constrangimento de uma menina ao ficar menstruada durante um dos passeios da escola. A mudança para a escola rural; cita uma festa organizada, sem o consentimento da direção da escola, durante a visita para conhecer a escola. Cita dois momentos em que fez prevalecer seu senso de responsabilidade: a desistência em manter relações sexuais com uma colega de escola ao saber de sua virgindade e, anos depois, quando se recusou a manter relações sexuais sem preservativo, durante o primeiro carnaval depois do diagnóstico. O uso de preservativo apenas como método contraceptivo. Os objetivos e a periodicidade do exame de saúde exigido pela Marinha; a surpresa diante do teste positivo para HIV. A retrospectiva de alguns relacionamentos anteriores; o alívio depois de constatado que suas parceiras não tinham sido contaminadas. A vontade de manter contato com Alice, uma de suas ex-namoradas. A decepção com Hádna, a namorada que ameaçou processá-lo por tê-la exposto ao risco de contaminação. O longo tempo de relacionamento entre os dois, a opção de morarem juntos; o fim do relacionamento.

Fita 2 – Lado B
A opção pela praticidade de morar junto; o desejo de casar oficialmente com a atual mulher. O impacto do diagnóstico; descreve a rotina que antecedeu a notificação de seu diagnóstico; a consulta com o médico da Marinha; a volta para a casa; a surpreendente solidariedade dos amigos do quartel que, apesar da total desinformação sobre a doença, foram com suas famílias visitá-lo. O contato superficial com o médico que iria acompanhar seu tratamento; a certeza da morte imediata e a decisão de abandonar tudo e viajar pelo país. A volta definitiva para o Rio de Janeiro e o início do tratamento no hospital Marcílio Dias.

Maria Terezinha Vilela Duarte

Entrevista realizada por Dilene Raimundo do Nascimento e Ana Paula Zaquieu, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 16 e 28 de abril e 07 de maio de 1998.

Maria Magdalena Lyra Valente

Entrevista realizada por Ana Paula Zaquieu e Dilene Raimundo do Nascimento, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 09, 14 de outubro de 1997 e 19 de maio de 1998.
Sumário
1ª Sessão: 09 de outubro
Fita 1 – Lado A
Relata o trauma de ter sido entregue pelos pais para ser criada pelos avós, sua perplexidade diante da rejeição dos pais e a importância dos avós em sua formação; a morte da mãe e seu ressentimento diante do distanciamento dos irmãos; o envolvimento de toda a família com o magistério; sua formação como professora; as lembranças dos colégios de seu pai; a sua segunda gravidez e a frustração com a notícia da gravidez simultânea de sua mãe; o desejo, realizado, por um filho homem; a insistente comparação de sua mãe entre as duas crianças; a aversão recíproca entre ela e o irmão mais novo e a dedicação exagerada deste aos estudos; a influência dos pais na atitude amedrontada do irmão com ela; o sucesso profissional do irmão e a formalidade no relacionamento entre ambos, mesmo depois de adultos. As afinidades com seu pai; o fascínio pela língua portuguesa e a habilidade na escrita; seu espírito fantasioso e vaidoso. Recorda-se das brincadeiras solitárias no jardim de sua casa e das longas conversas reservadas com sua bisavó, quando as duas fingiam-se de amigas; a relação de cumplicidade com seu avô, os passeios à tarde; as recordações da Praça Saens Pena, dos bailes e das festas.

Fita 1 – Lado B
Relembra o primeiro namorado, enfatizando suas fantasias de encontrar o homem ideal e ressalta sua vaidade. Comenta a insistência do rapaz em reatar o namoro. Relembra as paqueras da juventude, os vários pretendentes; o primeiro contato com o futuro marido e o sentimento de amor à primeira vista; o impacto do temperamento carismático do futuro marido. A vida escolar, formação como professora primária, o gosto pela leitura e a facilidade para escrever; a influência do professor de português sobre sua opção profissional e no método pedagógico que ela utilizava. Ressalta a sua capacidade de se autovalorizar. A origem nordestina das famílias de seus pais; a convivência com os primos educados por seu pai; o interesse de sua avó por política e suas relações com famílias de políticos importantes. Recorda os almoços semanais na casa do sogro do cirurgião plástico Ivo Pitanguy e o convite para que ele fosse, mais tarde, seu padrinho de casamento. Comenta sua identificação com pessoas mais velhas. A frustração com o casamento; a doença do marido, o abandono da família dele e sua dedicação ao tratamento que ele realizava. Recorda os longos períodos passados em hospitais, durante suas internações; o seu prazer em tratar de doentes; o contato recorrente com casos de doença na família. A convivência difícil com o marido, mesmo antes de seu adoecimento; a péssima relação do marido com os filhos, principalmente com a filha.

Fita 2 – Lado A
A relação hostil do marido com os dois filhos; a sugestão, aceita pelo filho, para que entrasse em uma academia militar e a aprovação na Academia da Força Aérea; os preparativos para o processo de seleção. Comenta o constrangimento diante do interesse demonstrado pelo coronel do Exército que à auxiliou durante os treinos de educação física do filho. O agravamento do estado clínico do marido, seus delírios e a perseguição à filha; as mágoas dos filhos. Relaciona a homossexualidade do filho ao comportamento agressivo e indiferente do marido. As qualidades do filho como perfeccionismo, obediência e organização; a relação de amor e cumplicidade entre eles; relembra as noites em que, rezando, pedia a Jesus que o filho não fosse homossexual; as dificuldades do próprio filho em aceitar sua homossexualidade e a tentativa de suicídio, a gravidade de seu estado clínico, o longo tempo de internação, a mudança de hospital e a receptividade dos médicos.

Fita 2 – Lado B
A melhora do estado clínico do filho e a revelação, ainda no hospital, sobre sua homossexualidade. Ressalta sua naturalidade diante da notícia. Relembra o dia em que o filho, pálido, chegou em casa e lhe contou estar com Aids; sua reação segura e solidária. Volta no tempo e relembra da notícia da gravidez inesperada da filha e da alegria, sua e do filho, com a chegada do bebê. O ótimo relacionamento do filho com o sobrinho; a forte reação do neto ao saber da contaminação do tio. Crítica à incompetência da infectologista responsável pelo tratamento inicial do filho.

2ª Sessão: 14 de outubro
Fita 3 – Lado A
Fala longamente sobre seu casamento, a falta de reciprocidade no relacionamento, o distanciamento entre as famílias, o ótimo relacionamento com o sogro, o temperamento autoritário e dissimulado do marido; sua hostilidade com a filha, sua relação doentia com o pai e o consequente desentendimento com o resto da família; a morte do sogro e o agravamento do quadro clínico do marido. Relembra algumas características do caráter do marido; sua rejeição aos filhos, contrapondo-se ao seu desejo de ter muitos filhos. Suas expectativas em relação ao filho e ao casamento; a valorização da virgindade. A mudança para uma quitinete no bairro do Flamengo, ainda solteira, lugar de onde saiu para se casar; o impacto da morte do avô sobre seu padrão de vida, fala sobre o período em que morou com a avó e a tia num dos colégios dos pais; a predileção dos pais pelos outros irmãos; as dificuldades para entender os motivos da rejeição deles; a crença na falta de caráter da mãe e o seu desafeto por ela; o ressentimento, nunca superado, pela decisão dos pais em lhes cobrar aluguel pelos cômodos, em princípio, cedidos a elas.

Fita 3 – Lado B
A decisão da avó de alugar outro apartamento; a falta de recursos; omissão dos outros tios; a decepção, ainda na primeira noite, com o casamento. Os detalhes do casamento: o vestido de noiva, a cerimônia, a recepção, os presentes dos alunos e ressalta sua competência como professora primária e de piano. A expectativa com “lua de mel”; a viagem, ainda na noite do casamento, para Teresópolis; o constrangimento com a vinda inesperada da menstruação; a dificuldade em lidar com a situação, em virtude da educação conservadora que tivera; a frustração da primeira noite; a volta para o Rio de Janeiro, nova frustração com o seu comportamento; a convivência, ao longo de todo o casamento, com o egoísmo e a indiferença sexual do marido. Ressalta a dedicação integral ao marido no período em que este esteve doente; compara sua dedicação à dedicação ao cantor Cazuza, descrita por Lucinha Araújo no livro “Só as mães são felizes”. A reação diante da morte do marido; a preocupação com os detalhes da cerimônia fúnebre; a decisão de oferecer a ele um enterro de luxo, como uma forma de entregar-lhe parte de seu patrimônio; o sentimento de libertação deixado por sua morte, os últimos meses de vida do marido. O impacto da descoberta por meio de uma conhecida, de sua traição, ocorrida alguns anos antes.

Fita 4 – Lado A
A decisão de conversar com o marido sobre sua traição; a reação dos filhos. A insistência do marido em acreditar na recuperação; seu apego às coisas materiais; a opção por contar-lhe a verdade sobre o seu verdadeiro estado clínico e sobre a proximidade da morte. A busca, no espiritismo, de conforto para suportar os seus problemas. A apreensão diante do comportamento desorientado do marido; a hostilidade de sua sogra pelo filho; comparação entre a rejeição de sua mãe e a rejeição de sua sogra pelo filho; a convicção de ter agido corretamente ao contar ao marido sobre o agravamento de seu estado de saúde. O início de uma nova etapa em sua vida. A inesperada gravidez da filha; o relacionamento carinhoso entre o filho e o neto; a afeição aos seus dois netos. Ressalta sua condição de supermãe; a indiferença aos possíveis comentários sobre a gravidez inesperada da filha; o temperamento antipático dos dois filhos em contraste com sua alegria e extroversão; o seu carinho com o neto; o ótimo relacionamento com o genro. A mudança para o Leblon e, logo depois, para Ipanema.

Fita 4 – Lado B
O adoecimento da mãe, novo período envolvida com internações. Descreve, em detalhes, a rotina de acompanhar as internações da mãe na Beneficência Portuguesa. Fala longamente sobre seu romance com o chefe da equipe médica que cuidou de sua mãe; as motivações que a levaram aceitar o relacionamento; o receio de levar o relacionamento adiante. Sua imagem de mulher rica. Ressalta os privilégios obtidos na Beneficência Portuguesa, em decorrência do encanto despertado em alguns presidentes da instituição. O fim do relacionamento com o médico. Início de uma nova etapa e a forma como conheceu Renato, seu namorado à época da entrevista; a forma inusitada do primeiro contato; o primeiro encontro.

3ª Sessão: 19 de maio
Fita 5 – Lado A
A reação de solidariedade diante do diagnóstico do filho, no início dos anos 1990. A primeira consulta médica e a decisão dele participar de um tratamento experimental. Explica, rapidamente, os procedimentos clínicos do tratamento. A demissão do filho da Vale do Rio Doce; a opção por mudar de médica. A primeira doença oportunista do filho, Tuberculose Pulmonar. Menciona algumas acusações contra os procedimentos clínicos da ex-médica de seu filho. A queda no poder aquisitivo da família; as circunstâncias em que ocorreu a demissão do filho. Ressalta a competência profissional do filho e sua decisão de não recorrer contra a demissão. A lenta superação de seu constrangimento em ter que buscar os medicamentos no posto de saúde, graças aos primeiros contatos com outros soropositivos de se nível social. Nova doença oportunista: Hepatite C. A impossibilidade clínica, logo revista em um congresso médico, de conciliar o tratamento das duas doenças. O início do tratamento para a Hepatite C e sua rápida resposta aos medicamentos. Ressalta as considerações da médica, para quem, essa preocupação com a medição da carga viral é um equívoco. Os novos sintomas clínicos de origem neurológica do filho e a indefinição do diagnóstico.

Fita 5 – Lado B
A ineficácia do remédio prescrito pela médica. A decisão de aceitar o pedido do filho para acompanhá-lo à consulta médica. Enfatiza a mudança de comportamento do filho depois que ingressou no Grupo Pela Vidda e passou a evitar sua companhia durante as consultas médicas. O desentendimento com a médica: a firmeza ao expor toda sua insatisfação com o seu comportamento recriminando, especificamente, sua atitude hostil com um paciente, Vanderlei, para quem ela havia lhe indicado seu nome. Comenta um episódio para ilustrar o comportamento da médica; a ligação de Vanderlei que, da emergência de um hospital, lhe pede auxílio; a ida, imediata, para o hospital; a resistência da médica em considerar o desconforto do paciente; sua veemência em fazê-la ver que seu quadro clínico exigia cuidados. Cita outro episódio em que seu filho aponta uma informação equivocada da médica. Avaliação do estado de saúde atual do filho: o diagnóstico de neuropatia aguda; recapitulação das doenças oportunistas que já o acometeram. Comenta a aflição da irmã diante de sua perda de peso. A forma de lidar com tantos casos de doença neurológica na família; o apoio encontrado no espiritismo; a preocupação com o agravamento dos sintomas da neuropatia do filho; a angústia diante da falta de respostas consistentes da medicina para seu caso; os esforços para tentar aliviar o sofrimento do filho; o pessimismo quanto a uma possível melhora de seu estado de saúde. A mágoa com Deus; a incapacidade de entender o porquê de seu filho estar passando por esta situação; o esforço para que ele não perceba sua angústia; sua total disponibilidade a ele. Manifesta compreensão diante de mães que se mantêm indiferentes aos filhos soropositivos, visto que a contaminação poderia ter sido evitada. O sentimento de impotência em não poder ajudá-lo. Lembra-se de um rapaz que não teve coragem de contar para a mãe, posteriormente gravemente adoentada, sobre sua sorologia positiva para o HIV.

Fita 6 – Lado A
Cita o exemplo de outra mãe que responsabiliza o filho pela contaminação. Embora não responsabilize os soropositivos pela contaminação, nem a relacione exclusivamente ao homossexualismo, afirma acreditar que existe uma falta de cuidados com as contaminações. Enfatiza considerar-se uma mãe “homossexualizada”, apontando exemplos que visam comprovar a mudança de atitude diante da homossexualidade do filho. Comenta o desentendimento com um dos integrantes do Grupo Pela Vidda e as repercussões em seu relacionamento com o filho; expõe ao filho as razões que a levaram a romper com o rapaz; o esforço para encerrar os desentendimentos em casa. Encontra no espiritismo a explicação para a sua recorrente proximidade com casos clínicos ligados à neurologia. Responsabiliza este integrante do Grupo Pela Vidda pelos constantes desentendimentos com o filho; o encontro entre os dois, durante um evento promovido pelo Grupo Pela Vidda, na Petrobrás. Narra outro episódio envolvendo o mesmo rapaz, agora, na festa de natal organizada pelo Grupo, quanto ele importunou a médica de seu filho. Ressalta seu descontentamento com a amizade entre os dois. O alívio depois do afastamento entre eles. Crítica ao comportamento promíscuo das pessoas que frequentam o apartamento do rapaz, situado na Zona Sul carioca. A resistência às provocações do filho, que aluga um filme com forte apelo emocional, “A última festa”; detalha a problemática abordada pelo filme.

Fita 6 – Lado B
Dá continuidade a narrativa sobre o filme; enfatiza a beleza do amor entre homossexuais. Longas considerações sobre a origem da homossexualidade de seu filho e sobre o papel dos pais na definição sexual da criança. A atitude mórbida do filho diante da Aids, o deboche em relação à morte. A importância do Grupo Pela Vidda para o filho; cita dois exemplos para ilustrar o trabalho desenvolvido pelo filho no serviço de assessoria jurídica oferecido pelo Grupo. Conta como foi o contato, que ocorreu em momentos diferentes, entre eles e o Grupo Pela Vidda. Fala longamente de suas vivências no Grupo de Mulheres, as experiências de algumas das voluntárias, a forte identificação com duas jovens; críticas à condução das reuniões promovidas pelo Grupo; menciona um desentendimento com uma voluntária, cujo comportamento ela condena; a festa de aniversário organizada por ela. O desejo, logo desestimulado pelo filho, de organizar uma recreação para as crianças que acompanhavam as mães nas reuniões. Ressalta que a origem do desentendimento que gerou o seu afastamento não teve relação direta com o Grupo, mas sim, com um de seus integrantes.

Fita 7 – Lado A
Fala longamente sobre seu tumultuado relacionamento com o integrante do Grupo; dos contínuos desentendimentos entre eles; da disputa com a mãe dele; a crescente antipatia entre os dois; a certeza quanto as intenções nocivas do rapaz e sua influência na deterioração de seu relacionamento com o filho. A veemência em rejeitar qualquer possibilidade de um relacionamento amoroso entre o filho e o rapaz. Reitera a sua completa abertura para aceitar os relacionamentos homossexuais do filho. As responsabilidades inerentes à maternidade; a forte preocupação em proteger os filhos; relembra um episódio em que decidiu trazer a filha para que seu parto fosse feito por um médico de sua confiança aqui no Rio de Janeiro. Volta a ressaltar sua abertura em aceitar a homossexualidade do filho e seus possíveis parceiros. A vergonha inicial do filho em assumir sua homossexualidade; a sua atual procura por um parceiro que apresente uma postura masculina; o sofrimento com suas provocações.

Fita 7 – Lado B
A decisão do filho de usar brinco, a compra de uma aliança. Destaca a postura impassível diante das provocações do filho; cita exemplos. Reitera as qualidades do filho, afirmando compreender seu momento de conflito existencial. Tentativa de finalizar a entrevista; rápidas considerações da pesquisadora sobre o processo de reconstrução da memória; avaliação da depoente sobre sua entrevista; avaliação crítica da eficácia das terapias psicológicas. Ressalta a ausência dos sentimentos de culpa e a certeza do dever cumprido. Faz longa referência ao filme “Sentimentos selvagens”, para discutir o relacionamento com seu filho, ressaltando nunca ter manifestado preferência explícita por ele. O sofrimento causado pela doença do filho; o desejo de manter-se viva para poder acompanhá-lo até sua morte; menções aleatórias às experiências vividas no Grupo.

Hibernon Costa Guerreiro

Entrevista realizada por Ana Paula Zaquieu e Dilene Raimundo do Nascimento, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 18 e 27 de março de 1998.
Sumário
1ª Sessão: 18 de março
Fita 1 – Lado A
A infância em Rocha Miranda, origem operária dos pais e o ingresso no mercado de trabalho aos 14 anos; discordâncias com o irmão mais velho e a responsabilidade com o sustento da família. O valor do trabalho para seus pais. O uso recente de drogas. A relação dos pais com sua homossexualidade, a iniciativa atual de se “heterossexualizar” e as poucas experiências sexuais com mulheres. A iniciativa dos pais em levá-lo ao psicólogo aos 10 anos de idade. O escândalo com a descoberta de seu envolvimento sexual com um parente; o relacionamento entre seus pais e sua decisão em não discutir sua homossexualidade com eles. O trabalho operário ainda na adolescência, o ingresso na Marinha aos 18 anos e as dificuldades em viver lá sua homossexualidade; a importância do Grupo Pela Vidda no processo de assumir sua homossexualidade. Ressalta a sua capacidade de separar a sua vida sexual de seu desempenho profissional. A descoberta da contaminação pelo vírus durante um exame periódico na Marinha, em 1990; descreve todo o processo de investigação clínica até o resultado final; o desabafo com um primo na noite de Natal; o choque no momento do diagnóstico definitivo; a postura insensível do médico; o encontro emocionado com o primo no caminho para o hospital; o início do tratamento no hospital Marcílio Dias; a opção de omitir o diagnóstico dos pais. As estratégias usadas para impedir que seus pais soubessem da licença médica concedida pela Marinha. O trabalho como contador e a sociedade em um escritório.

Fita 1 – Lado B
As questões e problemas com a sócia e seus atos de má fé que, sem seu conhecimento, desviava sua parte na divisão dos rendimentos e o fim da sociedade. As maneiras encontradas para passar o tempo, diante da falta de ocupação diária para poder, assim, omitir dos pais o afastamento compulsório da Marinha. O ingresso, em setembro de 1995, no Grupo Pela Vidda. Crítica à falta de plantonistas permanentes no Grupo; a rápida integração na equipe organizadora do Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com Aids de 1995. A importância do Grupo Pela Vidda em seu processo de reintegração social; seu sentimento de vergonha e solidão; o medo da rejeição; o afastamento dos amigos da Marinha após aposentadoria compulsória. Rápidos comentários sobre os superfaturamentos nos processos de licitação na Marinha envolvendo os clientes de seu escritório de contabilidade. As consequências da falta de informações sobre a Aids; a associação Aids/morte; a desistência do tratamento médico; o efeito das informações obtidas nas reuniões do Grupo em sua vida social e afetiva; o efeito do contato com soropositivos e soronegativos que não demonstravam preconceito; o fim de seu próprio preconceito e a publicização, para os amigos, de sua opção sexual e de sua soropositividade.

2ª Sessão: 27 de março
Fita 2 – Lado A
A forma como a tia e a mãe tomaram conhecimento de sua soropositividade; a carta anônima enviada à sua mãe e a decisão de contar-lhe a verdade; os cuidados dos pais com a sua saúde; as motivações que o levaram a sair da casa dos pais; a reação dos pais diante de sua revelação e a iniciativa deles em buscar mais informações sobre a doença; sua decisão de contar, de maneira informal, para o restante da família e a atitude receptiva dos familiares que já sabiam de sua contaminação; a atitude tranquila do irmão homossexual que vive nos Estados Unidos ao saber de seu diagnóstico. A profunda reorientação em sua maneira de perceber a Aids e o papel fundamental do Grupo pela Vida em seu processo de reintegração social; a gratificante sensação de poder estar dividindo e transformando junto a outros a convivência com a Aids. Sua vida sexual depois do diagnóstico. Polemiza, ao questionar o uso contínuo da camisinha como método de prevenção à Aids. Menciona seu parceiro sexual, com quem manteve relações sexuais desprotegidas por dois anos sem contaminá-lo. Relativiza as probabilidades de contaminação pelo vírus da Aids por via sexual; afirma praticar sexo oral sem preservativo. Aponta a demagogia das pessoas que defendem o uso de preservativo, mas que, quando indagadas, confessam que não praticam sexo com o uso regular do preservativo. Ressalta sua opção, consciente e sem culpas, de manter relações sexuais sem preservativo; defende a responsabilidade, quanto à prevenção, partilhada entre os parceiros.

Fita 2 – Lado B
Na discussão quanto ao aumento progressivo nos índices de contágio, ressalta a sua adoção do coito interrompido na falta de preservativos disponíveis. Questiona a ideia, divulgada pela comunidade científica, da recontaminação. Afirma abdicar de qualquer método preventivo em relações sexuais com parceiros soropositivos e duvida que soropositivos usem preservativos em relações sexuais com soropositivos. Ressalta a sua preferência pela posição ativa durante a relação sexual. O ingresso no Grupo Pela Vidda; a oportunidade de se expressar e assumir sua homossexualidade e sua soropositividade. Considerações sobre a organização interna do Grupo; sua participação na diretoria oficial do Grupo decisões do Grupo. Ressalta a seriedade dos integrantes do Grupo. Comenta a respeito da nova chapa, da qual faz parte, que concorrerá à direção do Grupo. Critica os soronegativos que ingressam no Grupo com interesses carreiristas e financeiros. Menciona as tensões internas entre soronegativos e soropositivos, ressaltando sua postura contrária aos privilégios concedidos aos soronegativos. Comenta os altos salários pagos a funcionários soronegativos, comparando-os aos baixos rendimentos dos três soropositivos que recebem pelo trabalho desenvolvido no Grupo. Explica a organização orçamentária do Grupo; critica os meios e os critérios de seleção dos participantes dos projetos; a postura oportunista de alguns voluntários. Considerações sobre o processo eleitoral no qual sua chapa está inscrita; a função dos curadores; sua contundente atuação para romper com os grupos de interesse que agem no Grupo; as propostas de sua chapa; mudanças nas funções e na representação da nova diretoria eleita. Tenta definir as razões que o levam a querer transformar as relações dentro do Grupo; o descontentamento generalizado dos voluntários soropositivos. Cita um exemplo do que chama de “panelinha” existente no Grupo: a distribuição de convites doados ao Grupo entre soronegativos, sem que os soropositivos tomem conhecimento dos convites.

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