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registro de autoridade
Saúde pública

Laboratório de Febre Amarela (LAFA)

  • Entidade coletiva
  • 1939-

Quando a primeira epidemia de febre amarela ocorreu no estado do Rio de Janeiro em 1849, alguns surtos da doença já tinham ocorrido no país: Recife (1685) e Salvador (1686 e 1849). De 1850 a 1899 a febre amarela propagou-se pelo país, seguindo os caminhos da navegação marítima, o que levou à ocorrência de epidemias em quase todas as províncias do Império. Desde então, a etiologia e a profilaxia da doença passaram a mobilizar a comunidade científica. Em 1881, o médico cubano Carlos Juan Finlay comprovou que o Aedes aegypti era o transmissor da febre amarela. Essa descoberta orientou as ações das primeiras campanhas de combate à doença no Rio de Janeiro e em cidades paulistas ocorridas no início do século passado, inclusive a primeira campanha contra a febre amarela comandada por Emílio Ribas na cidade de Sorocaba (SP) em 1901. O plano de combate à febre amarela no Rio de Janeiro elaborado por Oswaldo Cruz foi apresentado ao ministro da Justiça em 1° de abril de 1903. A campanha foi desencadeada dias depois da criação do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela em 1904 pela Diretoria Geral de Saúde Pública (decreto n. 5.157, de 8 de maio). Em 1916 a Fundação Rockefeller, através da sua agência Internacional Health Board (IHB), chegou ao Brasil para iniciar estudos e estabelecer contatos com autoridades nacionais visando sua participação na implementação de ações voltadas para a erradicação da febre amarela no litoral brasileiro. Em 1917 iniciou-se a cooperação do IHB com governos estaduais e com o governo federal visando a realização de estudos sobre a profilaxia da ancilostomíase e para a criação de serviços de profilaxia geral. Após acordo firmado entre o governo federal brasileiro e a Fundação Rockefeller em 1923, as ações para a profilaxia e erradicação da febre amarela no país contaram com a participação ativa da instituição até 1946, quando retirou-se do país. Nesse período foram criados o Serviço de Profilaxia Rural (decreto n. 13.358, de 9 de abril de 1919), o Departamento Nacional de Saúde Pública (decreto n. 3.987, de 2 de janeiro de 1920), o Serviço de Febre Amarela, o Serviço Cooperativo de Febre Amarela e o Serviço Nacional de Febre Amarela (decreto n. 1.975, de 23 de janeiro de 1940). Entre 1931 e 1939 a Fundação Rockefeller estreitou sua cooperação com o governo brasileiro, primeiramente junto ao Serviço Cooperativo da Febre Amarela e, depois, ao Serviço Nacional de Febre Amarela. Data desse período uma nova visão da etiologia da doença, que admitia sua ocorrência também no meio rural, constatada não só pela presença do mosquito vetor, mas também através de exames post mortem do tecido hepático. Isso levou a uma mudança nos métodos de combate à febre amarela silvestre, elevando sua eficácia. A partir de 1940 o Serviço Cooperativo de Febre Amarela (SCFA) transferiu suas operações ao recém-criado Serviço Nacional de Febre Amarela, vinculado ao Ministério da Educação e Saúde (MES) por intermédio de seu Departamento Nacional de Saúde. Até 1934 as amostras de fígado eram enviadas para o Bahia Yellow Fever Laboratory, inaugurado em 1928 em Salvador. O laboratório funcionou até 1937, mas em 1934 parte de suas atividades foi transferida para espaço cedido pela Fundação Gaffré Guinle no Hospital da Tijuca. Em 1937 os laboratórios da Bahia e do Rio de Janeiro foram unificados no novo prédio construído em Manguinhos. Em 1936 a Fundação Rockefeller contratou e supervisionou a confecção dos primeiros mapas aéreos do interior do Brasil com o objetivo de marcar os contornos dos focos da doença que eram complementados com relatos sobre as condições de vida dos habitantes e a ecologia do lugar. No mesmo ano, Max Theiler e Henry Smith, da Fundação Rockefeller, chegaram a cepa 17D da febre amarela. Em 1937 a vacina foi testada pela primeira vez no Brasil. Em 1940 novo estudo foi desenvolvido no sul de Minas Gerais, com a imunização de mais de cinco mil pessoas, o que permitiu ajustes para a forma final da vacina. Em 1938 foi demonstrado que os mosquitos silvestres Haemagogus capricornii e Haemagogus leucocelaenus poderiam ser transmissores naturais da febre amarela. Mais tarde comprovou-se que o Haemagogus spegazzinii, o Aedes scapularis, o Aedes fluviatilis e o Sabethes chloropterus eram também transmissores silvestres da doença. Em 1940 foi criado o Serviço Nacional de Febre Amarela (SNFA) pelo decreto n. 1.975, de 23 de janeiro, que determinou em seu artigo 5º que a fabricação da vacina e as pesquisas científicas relativas à febre amarela seriam realizadas no Instituto Oswaldo Cruz. O regimento do SNFA (decreto n. 8.675, de 4 de fevereiro de 1942) incluía entre seus serviços, o de vacinação e de viscerotomia, sem fazer alusão à fabricação da vacina ou às pesquisas sobre febre amarela. Havia um trabalho cooperativo entre o laboratório da Fundação Rockefeller e o SNFA. O laboratório fazia o trabalho de pesquisa, diagnóstico e produção da vacina contra a febre amarela e o SNFA fazia o trabalho de vacinação, de viscerotomia, além de fornecer os dados epidemiológicos das regiões. Para isso o SNFA dividiu o Brasil em circunscrições e setores cujos chefes se encarregavam de organizar os postos de viscerotomia para a coleta de amostras de fígados dos indivíduos que morriam num prazo de dez dias. O laboratório de histopatologia da Fundação Rockefeller analisava e proferia o diagnóstico. Os programas de vacinação eram feitos de acordo com os dados epidemiológicos das regiões, de modo que os médicos faziam um diário de campo que deveria ser remetido para o Rio de Janeiro em duas vias, uma para o laboratório de histopatologia e outra para o SNFA a cada 15 dias. O Laboratório de Febre Amarela possuía na sua estrutura desde 1939 as seguintes seções: cartografia, laboratório de entomologia, laboratório de histopatologia, laboratório de sorologia e o laboratório de vacina antiamarílica. O laboratório possuía também um serviço de vacinações que foi transferido de Manguinhos para um escritório na rua México, Centro do Rio de Janeiro, até ser desativado em 1943, quando o SNFA criou, em sua sede, localizada na Casa da Marquesa de Santos, na avenida Pedro II, em São Cristóvão, um posto de vacinação. Até 1946 o Laboratório de Febre Amarela permaneceu sob o controle da Fundação Rockefeller com a denominação de Serviço de Estudos e Pesquisas sobre Febre Amarela (SEPFA). Quando a Fundação Rockefeller se retirou do Brasil, em janeiro de 1946, a Seção de Vacina do laboratório passou a fazer parte do Serviço Nacional de Febre Amarela (SNFA), sob o nome de Laboratório de Vacina Antiamarílica, graças às articulações de Waldemar Antunes, diretor do SNFA e ex-funcionário da Fundação Rockefeller, e de Clemente Mariani, ministro da Educação e Saúde, que consideravam que o laboratório deveria estar vinculado ao Serviço de Vacinação. Em 1949 Henrique Beaurepaire Rohan de Aragão demitiu-se da direção do Instituto Oswaldo Cruz por não aceitar a decisão de submeter os laboratórios ao SNFA. Quando Olympio Oliveira Ribeiro da Fonseca assumiu a direção do IOC o governo revogou a decisão de passar os laboratórios para o SNFA e o Laboratório de Vacina Antiamalarílica tornou-se a 2ª Seção da Divisão de Vírus do Instituto Oswaldo Cruz em janeiro de 1950. O acervo do Laboratório de Histopatologia de Febre Amarela foi transferido para a Divisão de Patologia do IOC em 1949 e mais tarde foi incorporado à Coleção de Febre Amarela localizada no Departamento de Patologia (assim denominado a partir de 1970). Em 1952 o laboratório produziu 11 milhões de doses da vacina, uma quantidade, na época, extraordinária para deter uma nova onda de febre amarela silvestre que se aproximou dos centros urbanos do Sudeste. Durante parte desse período, o laboratório antiamarílico, além de fornecer vacinas ao Serviço de Febre Amarela, manteve em atividade as pesquisas e exames relacionados à doença. A partir de meados da década de 1950 os relatórios do Laboratório de Vacina Antiamarílica deixaram de mencionar as atividades de pesquisa. Quando houve a separação das pastas da Educação e da Saúde, o Ministério da Saúde teve seu regulamento aprovado pelo decreto n. 34.595, de 16 de novembro de 1953. Os seguintes órgãos passaram a compor a estrutura do ministério: Conselho Nacional de Saúde, Departamento Nacional de Saúde e Instituto Oswaldo Cruz. Compunham o Departamento Nacional de Saúde, o Serviço de Biometria Médica, o Serviço de Febre Amarela e as Delegacias Federais de Saúde. O Instituto Oswaldo Cruz ficou com a seguinte estrutura: Divisão de Endemias, Divisão de Fisiologia, Divisão de Higiene, Divisão de Microbiologia e Imunologia, Divisão de Patologia, Divisão de Química e Farmacologia e Divisão de Vírus. A lei n. 2.743, de 6 de março de 1956, criou o Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu) com as atribuições de organizar e executar pesquisas e promover o combate à malária, leishmaniose, doença de Chagas, peste, brucelose, febre amarela, esquistossomose, ancilostomose, filariose, hidatidose, bócio endêmico, bouba e tracoma. Foram incorporados ao Departamento Nacional de Endemias Rurais os serviços nacionais de Malária, Peste e Febre Amarela. A competência para realizar pesquisas e estudos sobre as endemias supracitadas e aperfeiçoar os métodos profiláticos destinados a combatê-las, assim como o estabelecimento das normas para inquéritos sobre as referidas doenças e a sua realização, ficou a cargo do Instituto Nacional de Endemias Rurais subordinado ao DNERu. Em 1958 o DNERu considerou erradicado o Aedes aegypti no Brasil e reduziu a equipe da coordenação da febre amarela, mantendo apenas os serviços de vacinação e viscerotomia, o de vigilância dos aeroportos, portos marítimos e fluviais e às localidades situadas nas fronteiras. Em 1960 o Laboratório de Vacina Antiamarílica transferiu-se para o Pavilhão Henrique Aragão, em Manguinhos, onde se encontra até hoje. Em 1970 foi criada a Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) através do decreto n. 66.623, de 22 de maio, resultado da fusão do DNERu com as Campanhas de Erradicação da Varíola e da Malária. Nesse mesmo ano, pelo decreto n. 66.624, a Fundação de Recursos Humanos para a Saúde foi transformada em Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), e o INERu a ela integrado. Pelo decreto n. 67.049, de 13 de agosto de 1970, o INERu passou a se chamar Instituto de Endemias Rurais, ficando subordinado à direção do Instituto Oswaldo Cruz como órgão autônomo. Compunham a estrutura do Instituto Oswaldo Cruz no novo regimento os departamentos de Microbiologia e Imunobiologia, Zoologia Médica, Patologia e Doenças Tropicais, Química e Terapêutica Experimental e Tecnologia. A Coordenação de Órgãos Autônomos tinha por atribuição a supervisão das atividades dos Institutos de Endemias Rurais, Leprologia, Fernandes Figueira e Evandro Chagas. Foi também instituído como um dos órgãos centrais da Fiocruz em 1970 o Instituto de Produção de Medicamentos (Ipromed), resultado da fusão do Serviço de Produtos Profiláticos do DNERu com o Departamento de Soros e Vacinas do Instituto Oswaldo Cruz. A extinção do Ipromed, em 1976, deu origem ao Laboratório de Tecnologia em Produtos Biológicos de Manguinhos (Bio-Manguinhos) e ao Laboratório de Tecnologia em Quimioterápicos de Manguinhos (Farmanguinhos). De acordo com a norma regulamentar n. 5, de 15 de outubro de 1978, o Laboratório de Febre Amarela passou a fazer parte da estrutura organizacional de Bio-Manguinhos. A norma operacional n. 2, de 1 de novembro de 1978, detalhou a estrutura de Bio-Manguinhos e discriminou as seguintes atribuições do Laboratório de Febre Amarela: a) assistir e assessorar o superintendente de Bio-Manguinhos; b) produzir vacinas contra a febre amarela; c) dirigir, coordenar e controlar a execução das atividades do processo produtivo de vacinas contra a febre amarela; d) treinar pessoal técnico; e) elaborar e apresentar relatório de atividades; f) manter sistemático relacionamento com as unidades da Fiocruz, visando a integração das unidades. Cabia ao Laboratório de Desenvolvimento e Controle de Vacinas e Matérias Primas controlar biológica e físico-quimicamente as vacinas produzidas por Bio-Manguinhos de acordo com legislação pertinente. Por volta de 1983 o laboratório ficou subordinado à Coordenadoria de Desenvolvimento e Produção de Vacinas Virais, depois à Diretoria de Produção II. A partir de 1987 passou a fazer parte do Departamento de Produção II (DEPRO II). O departamento tinha as seguintes atribuições: procedimentos e processos de planejamento, produção, análise, desenvolvimento tecnológico, controle, acompanhamento e bom andamento das atividades ligadas as vacinas contra a febre amarela, sarampo e outras atividades dentro de sua área de atuação. O Laboratório de Febre Amarela era composto pelos setores de Produção de Vírus, de Lavagem e Preparo de Materiais e de Preparo de Vacinas. Desenvolvia as seguintes atividades: planejamento, desenvolvimento de processos e procedimentos de produção de células, vírus-semente, insumos, ajustes de concentração de vírus, estocagem de concentrados virais, titulação durante processo, formulação de vacinas, processos de envasamento, liofilização e recravamento de envasados, e outras atividades típicas de sua área de atuação. Ao Setor de Produção de Vírus cabiam as seguintes atribuições: os processos e procedimentos de produção e processamento de células e vírus necessários à produção de concentrados virais, ajuste e padronização de concentração de vírus, formulação, envase, liofilização, recravação e pré-estocagem da vacina. Ao Setor de Lavagem e Preparo de Materiais cabiam a lavagem e preparo de materiais e equipamentos necessários aos processos e procedimentos de vírus vacinal. Ao Setor de Preparo de Vacinas cabia a produção de vacinas contra a Febre Amarela. Atualmente, segundo a portaria 006/05 de Bio-Manguinhos, o Laboratório de Febre Amarela (LAFAM) encontra-se subordinado ao Departamento de Vacinas Virais, criado em 2002, que, por sua vez, está subordinado à Vice-diretoria de Produção. Ao LAFAM pertencem os seguintes setores: SEOVO - Setor de Ovoscopia; SELPM - Setor de Lavagem e Preparo de Materiais; SEPVI - Setor de Produção de Vírus; SEFAM - Setor de Formulação da Febre Amarela. Atualmente a Fiocruz é responsável por 80% da produção mundial da vacina antiamarílica.

Belisário Augusto de Oliveira Penna

  • BR RJCOC BP
  • Pessoa
  • 1868-1939

Nasceu em 29 de novembro de 1868, em Barbacena (MG), filho de Belisário Augusto de Oliveira Penna e Lina Leopoldina Laje Duque Penna. Iniciou seus estudos na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, graduando-se em 1890 pela Faculdade de Medicina da Bahia. Foi vereador pelo município de Juiz de Fora até 1903, quando se mudou para o Rio de Janeiro para prestar concurso para a Diretoria Geral de Saúde Pública. Foi nomeado inspetor sanitário na 4ª Delegacia de Saúde, atuando no combate à varíola. Em 1905 foi designado para trabalhar na Inspetoria de Profilaxia Rural da Febre Amarela, incorporando-se à campanha chefiada por Oswaldo G. Cruz para a erradicação da doença no Rio de Janeiro. A partir de então e até 1913, dedicou-se ao combate de endemias rurais, como a malária e a ancilostomíase. Em 1914 reassumiu o cargo de inspetor sanitário no Rio de Janeiro, instalando, dois anos depois, o primeiro Posto de Profilaxia Rural do país, no subúrbio carioca de Vigário Geral. Através do jornal Correio da Manhã iniciou uma campanha pelo saneamento físico e moral do país. Em 1918 publicou o livro Saneamento do Brasil, foi nomeado para dirigir o Serviço de Profilaxia Rural e presidiu a Liga Pró-Saneamento do Brasil. Entre 1920 e 1922 foi diretor de Saneamento e Profilaxia Rural do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), instalando em 15 estados os serviços de profilaxia rural. Em 1924, em virtude de seu apoio ao movimento contra o governo do presidente Arthur Bernardes, foi preso e suspenso de suas funções, às quais foi reintegrado apenas em 1927. Um ano depois, ocupou a chefia do Serviço de Propaganda e Educação Sanitária, percorrendo os estados de Minas Gerais, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, até ser requisitado pelo governo do Rio Grande do Sul para estudar as condições sanitárias daquele estado. Em 1930 assumiu a chefia do DNSP, em substituição a Clementino Fraga, que se exonerou em razão da vitória da Revolução de 1930. Durante dois breves períodos, em setembro de 1931 e dezembro de 1932, ocupou interinamente o Ministério de Educação e Saúde. Ao final desse ano deixou o DNSP. Nessa época filiou-se à Ação Integralista Brasileira e tornou-se membro da Câmara dos 40, órgão máximo do integralismo. Morreu em 4 de novembro de 1939, no Rio de Janeiro.

Sólon de Camargo

  • BR RJCOC SC
  • Pessoa
  • 1912-1993

Nasceu em 27 de junho de 1912, em Alfenas (MG), filho de João Batista de Oliveira Camargo e Amélia de Oliveira Camargo. Em 1935 graduou-se em medicina pela Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemmaniano do Brasil. Em 1937 iniciou sua trajetória profissional no campo da saúde pública ao ingressar no Serviço de Febre Amarela, que esteve a cargo da Fundação Rockefeller até 1939, quando passou para a esfera administrativa do Ministério da Educação e Saúde, sob a denominação de Serviço Nacional de Febre Amarela. Nesses órgãos atuou como médico (1937-1940) e chefe (1939-1946) dos setores Pernambuco, Ceará, Espírito Santo e Piauí, e chefe (1946-1950) da Circunscrição Nordeste. De 1950 a 1965, por meio de convênio celebrado entre o governo brasileiro e a Repartição Sanitária Pan-Americana, da Organização Mundial da Saúde, foi médico e consultor especializado junto a diversos países do continente americano, como Guatemala, Argentina, Colômbia, Venezuela e Jamaica. As ações empreendidas no período se concentraram em torno da supervisão e treinamento de recursos humanos para o controle da febre amarela, erradicação do Aedes aegypti e administração sanitária em geral. Em 1961 tornou-se mestre em saúde pública pela Escola de Higiene e Saúde Pública da Universidade de Johns Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos. De volta ao Brasil, trabalhou no Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERu), do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), entre 1965 e 1968. Além do cargo de chefe do Núcleo Central de Pesquisas da Guanabara (1966-1968), também respondeu pela coordenação, no bairro de Jacarepaguá, do plano piloto estabelecido pelo diretor do INERu, José Rodrigues da Silva, para o controle da esquistossomose mansônica em áreas experimentais, identificadas por seus altos índices de ocorrência da doença (1965). Na Superintendência de Campanhas de Saúde Pública, criada a partir da fusão do DNERu e das Campanhas de Erradicação da Varíola e da Malária, exerceu os seguintes postos de comando: chefe da Circunscrição Guanabara (1970), chefe da Campanha Contra a Esquistossomose e outras Verminoses, da Divisão de Campanhas (1972-1973) e diretor da Divisão de Esquistossomose do Departamento de Erradicação e Controle de Endemias (1977-1979). Após a aposentadoria, ocorrida em 1978, atuou no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de 1980 a 1985. Nesse último ano foi cedido pelo CNPq à Fiocruz, onde desenvolveu atividades de ensino e pesquisa no Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos da Escola Nacional de Saúde Pública até 1990. Integrou o Colégio Médico do Norte de Santander, Colômbia (1958), a Associação Americana de Saúde Pública (1964), a Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene (1965), a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (1966) e a Sociedade Argentina de Parasitologia (1979), entre outras instituições médico-científicas. Morreu em 22 de abril de 1993, no Rio de Janeiro.

Angelo Cruz

  • Pessoa
  • 1916-1976

Programa Nacional de Imunizações (PNI)

  • Entidade coletiva
  • 1973-

Em 1973 foi formulado o Programa Nacional de Imunizações (PNI), por determinação do Ministério da Saúde, com o objetivo de coordenar as ações de imunizações que se caracterizavam, até então, pela descontinuidade, pelo caráter episódico e pela reduzida área de cobertura. A proposta básica para o Programa, constante de documento elaborado por técnicos do Departamento Nacional de Profilaxia e Controle de Doenças (Ministério da Saúde) e da Central de Medicamentos (CEME - Presidência da República), foi aprovada em reunião realizada em Brasília, em 18 de setembro de 1973, presidida pelo Ministro Mário Machado Lemos e contou com a participação de renomados sanitaristas e infectologistas, bem como de representantes de diversas instituições. Em 1975 foi institucionalizado o PNI, resultante do somatório de fatores, de âmbito nacional e internacional, que convergiam para estimular e expandir a utilização de agentes imunizantes, buscando a integridade das ações de imunizações realizadas no país. O PNI passou a coordenar, assim, as atividades de imunizações desenvolvidas rotineiramente na rede de serviços e, para tanto, traçou diretrizes pautadas na experiência da Fundação de Serviços de Saúde Pública (FSESP), com a prestação de serviços integrais de saúde através de sua rede própria. Em seguimento à erradicação da varíola, inicia-se em 1980 a "1ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite", com a meta de vacinar todas as crianças menores de 5 anos em um só dia. De 1990 a 2003, o PNI fez parte da Fundação Nacional de Saúde. A partir de 2003, passou a integrar o Departamento de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (DEVEP/SVS), inserido na Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações (CGPNI).

Eurico de Azevedo Villela

  • BR RJCOC EV
  • Pessoa
  • 1883-1962

Nasceu em 10 de setembro de 1883, em Teresópolis (RJ), filho de Thomé de Andrade Villela e Maria de Azevedo Villela. Ingressou em 1899 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde se formou em 1904, defendendo a tese de doutoramento Contribuição ao estudo do escorbuto no Brasil. Entre 1904 e 1905 atuou como assistente do Laboratório Anatomopatológico do Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro. A seguir, instalou um consultório médico na vila de Vargem Grande, atual Vargem Grande do Sul, no interior paulista, lá permanecendo por cerca de cinco anos. De 1909 a 1912 exerceu o posto de comissário de higiene da Prefeitura do Distrito Federal. Ainda em 1912, a convite de Oswaldo Cruz, foi trabalhar no IOC, integrando a Comissão de Profilaxia e Assistência Médica enviada à Lassance (MG) para iniciar os estudos clínicos sobre a doença de Chagas. Em 1915 foi designado para a filial do IOC em Belo Horizonte, onde fundou o posto antiofídico, fabricou as primeiras partidas de soro antiescorpiônico e criou ambulatórios para estudos de endemias rurais. No IOC desempenhou outras funções, como chefe da Seção de Medicamentos Oficiais (1918), assistente (1919), chefe de serviço (1923-1926 e 1932-1933), chefe de laboratório (1931) e responsável pela direção dos serviços do Hospital Oswaldo Cruz (1940). Em 1923, ao lado de Carlos Chagas, chefe da delegação do Brasil, Eduardo Rabelo, Eduardo Borges da Costa e Gustavo Riedel, participou das comemorações do centenário de Louis Pasteur na França, sendo de sua responsabilidade organizar a participação do IOC na Exposição de Higiene realizada em Estrasburgo. Nesse ano também representou o governo brasileiro no XXXIV Congresso e Exposição do Royal Sanitary Institute, na Inglaterra. Durante a gestão de Carlos Chagas no Departamento Nacional de Saúde Pública, de 1920 a 1926, auxiliou o pesquisador na criação da Escola de Enfermagem Anna Nery e do Hospital São Francisco de Assis, do qual foi seu primeiro diretor. Além das pesquisas sobre as formas cardíacas da doença de Chagas, dedicou-se ao ensino médico, atuando na Faculdade de Medicina de Minas Gerais como professor de patologia e na Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro como chefe de Clínica e professor assistente junto à cadeira de medicina tropical, tendo sido o substituto interino de Carlos Chagas após a sua morte em 1934. Foi agraciado com a Ordem do Mérito Médico em 1957, no grau de grande oficial. Morreu em 8 de março de 1962, no Rio de Janeiro.

Hésio de Albuquerque Cordeiro

  • BR RJCOC HC
  • Pessoa
  • 1942-2020

Nasceu em 21 de maio de 1942, em Juiz de Fora (MG), filho de Aílton Cordeiro e Yette de Almeida e Albuquerque Cordeiro. Graduou-se em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado da Guanabara, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 1965, e realizou no ano seguinte a residência em clínica médica. Em 1969 viajou aos Estados Unidos como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para realizar cursos e visitas técnicas a escolas de medicina preventiva. Em 1971 ingressou como docente no Instituto de Medicina Social (IMS), que ajudou a fundar na UERJ com o grupo de sanitaristas de Campinas encabeçado por Sérgio Arouca. Em 1983 obteve o título de mestre em saúde coletiva pelo IMS. Entre 1971 e 1978 trabalhou como consultor da OPAS para atividades de organização de serviços de saúde, tecnologia e recursos humanos. Atuou em vários países, como Argentina, Peru, Equador, Venezuela, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, México e República Dominicana. Em 1981 doutorou-se em medicina preventiva pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. De 1983 a 1984 dirigiu o IMS, e no biênio 1983-1985 foi presidente da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Ainda durante o regime militar participou do Simpósio sobre Política Nacional de Saúde, promovido pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, e integrou mais tarde o Grupo de Trabalho para o Programa de Saúde, da Coordenação do Plano de Ação do governo do presidente Tancredo Neves. A atuação no movimento sanitário e no cenário político nacional lhe valeu o cargo de presidente do Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social, que exerceu de 1985 a 1988. Foi responsável pela reestruturação do órgão e pela implantação dos Sistemas Unificados e Descentralizados de Saúde. Em 1986 coordenou e presidiu trabalhos da VIII Conferência Nacional de Saúde, quando foram ratificados os princípios da reforma sanitária iniciada na década de 1970: saúde como dever do Estado, universalização e integralidade na assistência à população, sistema único, descentralização, participação e controle dos serviços de saúde por seus usuários. Em 1988 recebeu o título de doutor honoris causa da Escola Nacional de Saúde Pública por suas contribuições ao movimento sanitário, que culminaram com a implantação do Sistema Único de Saúde no Brasil. Em 1990 candidatou-se a deputado federal pelo Partido Democrático Trabalhista. De 1992 a 1995 foi reitor da UERJ, nomeado após eleição direta. Em 1996 aposentou-se pelo IMS e tornou-se coordenador de saúde da Fundação Cesgranrio e assessor técnico do Ministério da Saúde para o Programa de Saúde da Família. Em 1999 foi secretário de Educação do estado do Rio de Janeiro. De 2000 a 2006 dirigiu o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Estácio de Sá, onde atuou, desde 2004, como coordenador de cursos de pós-graduação em saúde da família. Em 2007 foi nomeado diretor de gestão da Agência Nacional de Saúde Suplementar pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, para um mandato de três anos. Em 2014 recebeu o título de pesquisador honorário da Fundação Oswaldo Cruz. Morreu em 8 de novembro de 2020, no Rio de Janeiro.

Instituto Butantan

  • Entidade coletiva
  • 1901-

Em 1899, um surto de peste bubônica que se propagava a partir do porto de Santos levou a administração pública estadual a criar um laboratório de produção de soro antipestoso, vinculado ao Instituto Bacteriológico (atual Adolpho Lutz). Esse laboratório, instalado na Fazenda Butantan, foi reconhecido como instituição autônoma em fevereiro de 1901, sob a denominação de Instituto Serumtherápico, sendo designado como seu primeiro diretor o médico Vital Brazil Mineiro da Campanha, estudioso dos problemas de saúde pública.
Foi oficialmente criado, em 23 de fevereiro de 1901, destinado a fabricar soros e vacinas. Em 1918, com a reforma empreendida por Arthur Neiva, a entidade passou a denominar-se Instituto Soroterápico de Butantan. Em 1925 foram unidos os Institutos Bacteriológico, Soroterápico e Vacinogênico, e passaram a ser designados pela denominação atual, funcionando no mesmo local. Com a criação da Universidade de São Paulo, em 1934, passou a fazer parte daquela instituição como orgão complementar

Carlos Ribeiro Justiniano Chagas

  • BR RJCOC CC
  • Pessoa
  • 1878-1934

Nasceu em 9 de julho de 1878, numa fazenda próxima à cidade de Oliveira (MG), filho de José Justiniano das Chagas e Mariana Candida Ribeiro de Castro Chagas. Formou-se em 1903 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Sua tese de doutoramento para conclusão do curso médico, abordando os aspectos hematológicos da malária, foi desenvolvida no Instituto Soroterápico Federal, criado em 1900 e denominado, a partir de 1908, Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Em 1904 abriu consultório no centro do Rio de Janeiro e, como médico da Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), trabalhou no hospital de Jurujuba, Niterói. Em 1905 foi encarregado, por Oswaldo Cruz, de combater uma epidemia de malária em Itatinga (SP) que prejudicava as obras da Companhia Docas de Santos. Dois anos depois, coordenou a profilaxia da malária em Xerém (RJ), onde a Inspetoria Geral de Obras Públicas realizava a captação de águas para a capital federal. Constatando que a transmissão da doença ocorria fundamentalmente no interior dos domicílios, defendeu que os mosquitos deveriam ser combatidos mediante aplicação de substâncias inseticidas, nesses ambientes. A teoria da infecção domiciliária da malária e o método profilático a ela associado seriam reconhecidos como importantes contribuições à malariologia. Em 1907 atuou no combate a epidemia de malária que afetava as obras da Estrada de Ferro Central do Brasil entre Corinto e Pirapora (MG). No povoado de São Gonçalo das Tabocas – que, a partir de 1908, com a inauguração da ferrovia, ganhou o nome de Lassance – improvisou um laboratório num vagão de trem. Por intermédio do chefe dos engenheiros, Cornélio Cantarino Motta, tomou conhecimento da existência de um inseto hematófago que proliferava nas frestas das paredes das casas de pau a pique, conhecido como barbeiro. Examinando-lhes o intestino, identificou uma nova espécie de tripanossoma, que denominou de Trypanosoma cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz. No ano de 1909, em Lassance, identificou o novo parasito no sangue de uma criança de dois anos, chamada Berenice, que seria considerada o primeiro caso de tripanossomíase americana ou doença de Chagas. A descoberta e os estudos sobre a nova doença trouxeram grande prestígio ao cientista, que se tornaria membro de importantes associações médicas e científicas no Brasil e no exterior, e ao IOC, a cuja equipe ele se integrara como pesquisador em 1908. Em 1910 a Academia Nacional de Medicina abriu vaga extraordinária para recebê-lo como membro titular. Em 1912 foi agraciado com o prêmio Schaudinn de protozoologia, concedido pelo Instituto de Doenças Marítimas e Tropicais de Hamburgo. Por duas vezes foi indicado ao prêmio Nobel, em 1913 e 1921. Com a colaboração de outros cientistas do IOC, investigou os vários aspectos da nova doença, como as características biológicas do vetor e do parasito, o quadro clínico e a patogenia da infecção, a transmissão e o diagnóstico. Entre 1912 e 1913 chefiou uma expedição ao vale do rio Amazonas para estudar as condições sanitárias da região. Foi uma das lideranças do movimento sanitarista que, entre 1916 e 1920, reuniu médicos, cientistas e intelectuais em torno da ideia de que o atraso do país era fruto das endemias que assolavam seu interior, e que o combate a tais enfermidades deveria ser prioridade do Estado. Em 1917, por ocasião da morte de Oswaldo Cruz, assumiu a direção do IOC, cargo que ocuparia até o final de sua vida. Em 1918 coordenou o combate à epidemia de gripe espanhola na capital federal. Em 1919 foi nomeado para a DGSP, transformada, em 1920, no Departamento Nacional de Saúde Pública, que dirigiu até 1926. No cenário internacional, destacou-se como membro do Comitê de Higiene da Liga das Nações, a partir de 1922, e idealizador e primeiro diretor do Centro Internacional de Leprologia, instalado em 1934. Foi professor do Curso de Aplicação do IOC e, em 1925, tornou-se o primeiro titular da cadeira de medicina tropical da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro. Morreu em 8 de novembro de 1934, no Rio de Janeiro.

Clementino da Rocha Fraga Júnior

  • BR RJCOC CL
  • Pessoa
  • 1880-1971

Nasceu em 15 de setembro de 1880, em Muritiba (BA), filho de Clementino da Rocha Fraga e Córdula Magalhães Fraga. Em 1898 ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, onde se formou em 1903 com a tese A vontade – estudo psicofisiológico. Nos dois anos seguintes atuou como professor assistente nessa faculdade. Em 1906 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como inspetor sanitário na campanha contra a febre amarela empreendida pela Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP), chefiada por Oswaldo G. Cruz. Nesse período clinicou no Hospital da Santa Casa de Misericórdia sob a orientação de Miguel Couto. Retornou à Bahia em 1910 como professor substituto de clínica médica da Faculdade de Medicina, e tornou-se catedrático quatro anos depois. Em 1917 chefiou a Comissão Sanitária Federal do Rio de Janeiro encarregada do combate à febre amarela. Em 1918 trabalhou com Carlos Chagas na DGSP, onde assumiu a direção do Hospital Deodoro e organizou os serviços emergenciais de assistência médica às vítimas da epidemia de gripe espanhola. Em 1921 foi eleito deputado federal pela Bahia, e em 1924 foi reeleito para a mesma cadeira. Em função de suas atividades parlamentares, transferiu-se, em 1925, definitivamente para a capital federal, onde passou a lecionar na cadeira de clínica médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro. Após o encerramento de seu mandato na Câmara Federal, em 1926, assumiu a direção do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), substituindo Carlos Chagas, e destacou-se pelas ações que empreendeu no combate à epidemia de febre amarela que grassou no Rio de Janeiro entre 1928 e 1929. Com a Revolução de 1930 exonerou-se da direção do DNSP e foi substituído por Belisário Penna. Dedicou-se, então, ao estudo da tuberculose: criou e dirigiu por 12 anos um curso de aperfeiçoamento sobre o tema na cadeira de clínica médica da Faculdade de Medicina. Em 1937, atendendo ao convite do prefeito do Rio de Janeiro, Henrique Dodsworth, retornou à administração pública para assumir a Secretaria de Saúde e Assistência, onde permaneceu até 1940. Em 1939 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira que pertencera a Afonso Celso. Após sua aposentadoria, em 1942, dedicou-se à clínica e ao magistério, não mais como professor da faculdade e sim na qualidade de conferencista. Morreu em 8 de janeiro de 1971, no Rio de Janeiro.

Araquém Âlcantara Pereira

  • Pessoa
  • 1951-

Nasceu na cidade de Florianópolis (SC) em 1951. Ingressou na Faculdade de Jornalismo da Universidade Católica de Santos em 1970. Durante a graduação trabalhou como repórter nos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, iniciando sua atividade como fotógrafo. Em 1979 realizou sua primeira matéria de caráter ambientalista, retratando o Parque da Juréia, em Iguape (SP). Entre 1972 e 1982 trabalhou também nos jornais Cidade de Santos, O Globo, Tribuna de Santos e na revista IstoÉ, além de desenvolver projetos pessoais sobre questões ecológicas e sociais. A partir de 1985 passou a colaborar em periódicos nacionais e internacionais como profissional autônomo. Foi o primeiro fotógrafo a realizar um ensaio sistemático sobre os ecossistemas e as unidades de conservação do país, após 22 anos de expedições pelo interior do Brasil. Em 1998 lançou o livro de fotografias TerraBrasil, resultado de dez anos de pesquisas. Em 2001 foi escolhido pelo Museu Britânico de Londres para produzir a capa do livro Unknown Amazon, que acompanhou uma grande exposição etnográfica sobre a Amazônia. Nesse mesmo ano foi convidado pelo Ministério das Relações Exteriores para realizar a exposição “Mudanças Climáticas” no Memorial da América Latina em São Paulo. Também foi convidado pelo Ministério do Meio Ambiente para realizar a exposição “Parques Nacionais do Brasil”, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Foi pioneiro em documentar todos os parques nacionais do Brasil e a produzir uma edição especial de colaborador para a revista National Geographic, que resultou na publicação do livro Bichos do Brasil (2008). Possui fotos em acervos de vários museus e galerias, entre eles o Museu do Café de Kobe (Japão), o Centro Cultural Georges Pompidou de Paris (França), Museu Britânico de Londres (Inglaterra), Museu de Arte e Museu de Arte Moderna, ambos em São Paulo. Recebeu o prêmio Jabuti com o livro Amazônia (2006), o prêmio Fernando Pini de melhor livro de arte do ano, com a obra Mar de dentro (2007), o prêmio Fernando Pini de Excelência Gráfica com o livro Sertão Sem Fim, além de ser finalista do prêmio Jabuti e do prêmio Fundação Conrado Wessel (2010). Em 2015 percorreu 38 cidades do Brasil para retratar a atuação de profissionais do Programa Mais Médicos, criado pelo Ministério da Saúde em 2013, que resultou na publicação Mais médicos (2015).

Alfredo Norberto Bica

  • BR RJCOC AB
  • Pessoa
  • 1911-2002

Nasceu em 8 de outubro de 1911, em São Gabriel (RS), filho de Ricardo Bica Filho e Alice Norberto Bica. Formou-se em 1933 pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Durante a graduação frequentou o Curso de Aplicação do IOC (1930-1932). Nos Estados Unidos realizou o mestrado na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard (1938-1939) e o Curso de Especialização em Epidemiologia e Estatística na Escola de Saúde Pública da Universidade de Columbia (1948-1949). Iniciou sua trajetória profissional como assistente da cadeira de Clínica de Doenças Tropicais e Infecciosas da Faculdade de Medicina (1934-1935). Ainda em 1935 ingressou no Ministério da Educação e Saúde na qualidade de subinspetor sanitário concursado, cargo que teve a sua denominação alterada para médico sanitarista em 1937. Além disso, atuou no ministério como delegado federal de saúde da 4ª Região – Pernambuco (1937-1938 e 1940-1941), chefe da Seção de Epidemiologia do Serviço Nacional de Peste (1942-1948 e 1949-1950), diretor interino do Serviço Nacional de Peste (1941-1950) e professor de cursos de saúde pública organizados pelos Departamento Nacional de Saúde e Departamento Nacional da Criança (1941-1950). Por autorização do governo brasileiro foi posto à disposição da Repartição Sanitária Pan-Americana da Organização Pan-Americana da Saúde, sediada em Washington, onde chefiou a Seção de Epidemiologia e Estatística (1950-1952), o Departamento de Doenças Transmissíveis (1952-1970) e a Divisão de Saúde Pública (1958-1959). Após retornar ao Brasil, ficou lotado na Superintendência de Campanhas de Saúde Pública até se aposentar em 1980. Nesse período também exerceu as funções de secretário de Saúde Pública do Ministério da Saúde (1970-1972), representante do ministério junto ao Conselho Diretor da Cruz Vermelha Brasileira (1970-1980), membro do Conselho de Administração da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (1972-1974), assessor do ministro da Saúde (1972-1979), membro da Comissão Técnica da Campanha Nacional Contra a Tuberculose (1973-1975 e 1976-1977) e superintendente técnico do Instituto Viscondessa de Moraes da Fundação Ataulpho de Paiva (1974-1979). Foi agraciado com as medalhas Adolfo Lutz (1966) e do Saneador do Rio de Janeiro (1972). Integrou a Associação Americana de Saúde Pública (1939), a Sociedade Brasileira de Higiene (1948), o Painel de Especialistas em Doenças Virais da Organização Mundial da Saúde (1971-1980), a Comissão Nacional de Prevenção do Cólera (1973), entre outras. Morreu em 2002, no Rio de Janeiro.

Rubens da Rocha Paranhos

  • BR RJCOC RR
  • Pessoa
  • 1893-1961

Nasceu em 22 de janeiro de 1893, no Rio de Janeiro, filho de Fernando Pereira da Rocha Paranhos e Lydia Amélia da Rocha Paranhos. Formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1918. Ainda nesse ano foi acadêmico microscopista no Serviço de Saneamento Rural do Distrito Federal, destacado para servir no Posto de Pedra de Guaratiba e posteriormente no da Ilha de Guaratiba. Em 1919 ingressou no Serviço de Saneamento Rural como médico auxiliar, trabalhando nos postos de Campo Grande, Pedra e Ilha de Guaratiba. Em 1920 foi nomeado inspetor sanitário rural. Dessa data até 1933 chefiou os postos de Pedra de Guaratiba, Santa Cruz, Gávea e Madureira, além do Centro de Saúde de Bangu. Suas realizações no período envolveram o combate à malária, febre tifóide, varíola e febre amarela. Entre as décadas de 1930 e 1950 ocupou as funções de chefe da Seção de Epidemiologia e Estatística da Diretoria de Saneamento Rural, e chefe da Seção de Assistência Social, da Seção de Exames Ocasionais do Serviço de Biometria Médica e de diretor do mesmo serviço do Ministério da Educação e Saúde. Foi membro da Associação Médica Brasileira, da Associação Médica do Distrito Federal e da Sociedade Brasileira de Higiene, sendo as duas primeiras na qualidade de fundador. Morreu em 20 de junho de 1961, no Rio de Janeiro.

Hortênsia Hurpia de Hollanda

  • BR RJCOC HH
  • Pessoa
  • 1917-2011

Nasceu em 26 de maio de 1917, em Corumbá (MS), filha de Horácio Hurpia Filho e Olívia Bacchi Hurpia. Em 1941 iniciou o Curso de Língua e Literatura Anglo-germânicas na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, que somente foi concluído em 1943 no Centro de Cultura Inglesa em Assunção, Paraguai. De 1942 a 1947 foi professora contratada pelo Ministério das Relações Exteriores para integrar a equipe de ensino e intercâmbio cultural nesse país, onde lecionou português e noções de puericultura e higiene em escolas da rede oficial. Em 1950 graduou-se em nutrição pela Universidade do Brasil e, dois anos depois, recebeu o diploma de especialista em educação sanitária pela Faculdade de Biologia e Ciências Médicas da Universidade do Chile. Em 1954 obteve o título de Mestre em Saúde Pública e Educação pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos. De 1949 a 1955 foi assistente técnica da Divisão de Educação Sanitária do Serviço Especial de Saúde Pública e orientadora de trabalhos de educação sanitária na Campanha de Combate à Esquistossomose do Serviço Nacional de Malária. A partir de 1956 atuou no Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), onde inicialmente chefiou a Seção de Educação Sanitária. Na época coordenou em Mandacaru e Varjão, bairros de João Pessoa (PB), ação pioneira que envolveu as populações locais na discussão de projetos de melhoria das condições ambientais relacionadas com a existência da esquistossomose. Em 1958, como bolsista da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizou estudos em áreas de esquistossomose e malária na Itália, Sudão, Uganda, Tanzânia e Egito. Em 1960 estudou planejamento e avaliação de material educativo para a saúde em Washington, Atlanta, Chicago e Nova York. Em 1963 foi contratada como consultora de educação em saúde pela Comissão do Pacífico Sul. Nessa função atuou em países e territórios da Melanésia, Polinésia e Micronésia, como Tonga, Papua Nova-Guiné, Nova Caledônia, Taiti e Ilhas Salomão, e teve destacada participação em reuniões técnicas internacionais sobre controle da malária, combate à tuberculose, urbanização e saúde mental em sociedades tradicionais e organização de serviços de saúde em áreas subdesenvolvidas. De volta ao Brasil em 1968, exerceu as funções de assessora técnica do diretor do Instituto Nacional de Endemias Rurais e, entre 1969 e 1970, de assistente técnica da diretoria do DNERu. De 1968 a 1969 também prestou consultorias para a OMS no México, Costa Rica, Honduras, Guatemala, Paraguai e Argentina. Entre 1970 e 1977 foi assessora e diretora da Divisão Nacional de Educação Sanitária do Ministério da Saúde, assim como assessora junto às secretarias estaduais de saúde do Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Bahia e Rio Grande do Sul. Ainda na década de 1970 desenvolveu pesquisas referentes aos problemas de vida, saúde e trabalho em Capim Branco (MG), região endêmica de esquistossomose, e à produção de materiais audiovisuais com a participação dos moradores de Serra Pelada (ES). Aposentou-se em 1987, mas continuou assessorando diversos estados brasileiros nas áreas de educação e saúde pública. Morreu em 5 de maio de 2011, em Votuporanga (SP).

Walter Vieira Mendes

  • BR RJCOC WM
  • Pessoa
  • 1914-1969

Nasceu em 26 de dezembro de 1914, no Rio de Janeiro, filho de José Machado Mendes e Adelaide Vieira Mendes. Formou-se em 1940 pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao longo de sua trajetória profissional teve destacada atuação em instituições de saúde localizadas no Rio de Janeiro, onde foi secretário-geral da Federação das Sociedades de Tuberculose, diretor do Hospital Sanatório Torres Homem, diretor do Hospital Sanatório de São Sebastião e diretor do Departamento de Tuberculose da Prefeitura do Distrito Federal. Em 1953 atuou como professor de curso sobre tuberculose (uso do fármaco isoniazida no tratamento da doença) realizado na Faculdade Nacional de Medicina em colaboração com a Campanha Nacional contra a Tuberculose. Morreu em 22 de dezembro de 1969, no Rio de Janeiro.

Heráclides César de Souza-Araújo

  • BR RJCOC SA
  • Pessoa
  • 1886-1962

Nasceu em 24 de junho de 1886, em Imbituva (PR), filho de Júlio César de Souza Araújo e Manoela Alves de Souza Araújo. Em 1912 formou-se pela Escola de Farmácia de Ouro Preto. No ano seguinte transferiu-se para a capital federal e ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e no Curso de Aplicação do IOC, onde foi aluno de Adolpho Lutz e trabalhou com doenças venéreas. Nesse período, por indicação de Adolpho Lutz, especializou-se em dermatologia na Universidade de Berlim, onde apresentou um trabalho sobre a lepra no Brasil. De volta ao Rio de Janeiro, concluiu em 1915 a graduação em medicina com a tese Estudo clínico do granuloma venéreo: casos observados no Brazil, Uruguay e Argentina e permaneceu no IOC, além de ter estagiado no Hospital dos Lázaros. Em 1916 conheceu o presidente do Paraná, Affonso Alves de Camargo, que tinha interesse em implantar políticas de saúde contra a lepra no estado. O programa elaborado pelo cientista com esse objetivo foi transformado em lei em 1917. No ano seguinte, juntamente com Adolpho Lutz e Olympio da Fonseca Filho, participou da expedição científica ao rio Paraná e a Assunção para analisar as condições de saúde da população da região Sul do país. Ainda em 1918 foi nomeado chefe do Serviço de Saneamento Rural no Paraná, onde permaneceu até 1921, quando foi transferido para o Pará, na mesma função. Inaugurou o hospital colônia Lazarópolis do Prata e exerceu a clínica atendendo aos portadores dessa doença e de sífilis. Em 1924 retornou ao IOC e ao grupo de trabalho coordenado por Adolpho Lutz, e no mesmo ano teve início sua viagem ao redor do mundo, que durou três anos. A partir das observações que obteve na ocasião, publicou o livro A lepra: estudos realizados em quarenta países (1924-1927). No retorno à instituição, inaugurou o Laboratório de Leprologia, que dirigiu até sua aposentadoria, em 1956. Em 1928 começou a lecionar no Curso de Aplicação do IOC e a atender pacientes no Hospital Oswaldo Cruz, em Manguinhos. Em 1931 especializou-se em dermatologia pela Escola de Dermatologia de Londres. De 1936 a 1958 foi professor de leprologia das universidades do Distrito Federal, do Brasil e do Rio de Janeiro. Após a criação do Serviço Nacional de Lepra, em 1941, ministrou cursos de reciclagem para leprologistas pelo Departamento Nacional de Saúde. Entre 1941 e 1956 foi editor das Memórias do Instituto Oswaldo Cruz e exerceu a chefia da Seção de Bacteriologia e da Divisão de Microbiologia e Imunologia do IOC. No ano seguinte e até sua morte, foi perito da Organização Mundial da Saúde em leprologia. Participou de associações acadêmicas e profissionais em todo o mundo, tendo contribuído para a criação da Sociedade Internacional de Leprologia, em que ocupou o cargo de vice-presidente entre 1932 e 1956. Após a aposentadoria continuou seu trabalho no IOC. Morreu em 10 de agosto de 1962, no Rio de Janeiro.

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