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Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho História oral
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Movimento da reforma psiquiátrica no Brasil - história e memória

Reúne nove depoimentos de médicos psiquiatras sobre as mudanças ocorridas no atendimento ao doente mental, antes e depois de instituída a reforma psiquiátrica no Brasil na década de 1980. O depoimento de Lia Riedel é temático sobre a atuação de Gustavo Riedel, seu pai. Este grupo de profissionais teve ativa participação no citado movimento nos anos 1980, quando tem início o processo de desinstitucionalização das instituições psiquiátricas no Brasil, com várias experiências de transformação da assistência em saúde mental com a implantação dos Centros de Atenção Psico-Social (Caps). As entrevistas abordam sua história de vida e atuação profissional com foco no tema da reforma psiquiátrica.

Washington Loyello

Entrevista realizada por Anna Beatriz de Sá Almeida e Laurinda Rosa Maciel, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 1º e 14 de fevereiro de 2001.
Sumário de assuntos
Fita 1 – Lado A:
Sua infância na cidade de Cruzeiro, São Paulo; origem e atividades dos pais. O início de sua formação no Grupo Escolar Cruzeiro. A vinda para o Rio de Janeiro aos 16 anos para completar os estudos no Colégio Universitário e o firme propósito de cursar Medicina; seu ingresso neste estabelecimento de ensino; lembranças de professores e colegas de classe. O ingresso na Faculdade de Medicina em 1940.

Fita 1 – Lado B:
Lembranças do período da faculdade de colegas e professores. Primeiras atividades profissionais como plantonista em 1941 num hospital psiquiátrico e as dificuldades financeiras de sua família; a influência deste período para a escolha da psiquiatria e não mais a cirurgia, seu interesse inicial. A formatura dos alunos internos do Hospício de Pedro II em que foi orador da turma, em 1946. O retorno à Cruzeiro para assumir o posto de saúde e a prisão por motivos políticos.

Fita 2 – Lado A:
O retorno ao Brasil, após a fuga para o Uruguai; seu trabalho na Casa de Saúde Santa Helena, em Botafogo, Rio de Janeiro. As circunstâncias de sua designação para o Serviço Nacional de Doenças Mentais; sua nomeação para o Centro Psiquiátrico Pedro II (CPP II), no Engenho de Dentro. Relato sobre o concurso e a necessidade de apresentar atestado ideológico. Comentários acerca da situação dos pacientes e do CPP II e seu trabalho como Diretor. A criação no CPP II de um laboratório para fabricação de remédios próprios.

Fita 2 – Lado B:
A transferência para trabalhar no pavilhão de doentes crônicos, na Colônia Juliano Moreira (CJM). O retorno ao CPP II como assessor técnico. A residência médica oferecida naquela instituição; mudanças no atendimento ao paciente, a formação de uma equipe de profissionais de diferentes áreas como: psiquiatras, enfermeiros e assistentes sociais. O concurso para livre docência em psiquiatria na UERJ. Comentários sobre o início do movimento da reforma psiquiátrica no CPP II e as mudanças nas teorias sobre a doença mental.

Fita 3 – Lado A:
Continuação dos comentários sobre as diferentes teorias usadas na psiquiatria para compreender a doença mental. As dificuldades encontradas para sua inscrição no concurso para livre docente na UERJ.

Fita 3 – Lado B:
Comentários sobre os cursos de Higiene Mental e Psiquiatria Clínica, do Departamento Nacional de Saúde, com professores como Odilon Galote, Adauto Botelho e Cincinato Magalhães. As práticas médicas como climaterapia, hidroterapia e insulinoterapia. A criação das equipes de profissionais no tratamento ao doente que substituiu o trabalho de um único profissional. O curso de neurologia clínica sob a supervisão do prof. Costa Rodrigues, na França, e o curso ‘Temas de Psiquiatria Social’, com prof. Maurício de Medeiros.

Fita 4 – Lado A:
Relato sobre o trabalho de Aldir Blanc e Oswaldo nos ambulatórios do CPP II. As experiências de ensino; o início da carreira docente nos plantões do CPP II. A realização anual dos Cursos de Higiene Mental e Psiquiatria Clínica. A implantação da Residência Multidisciplinar, no CPP II, em 1964. O concurso de livre docente na UERJ; a reestruturação do curso. A pesquisa “Doença mental e clínica psiquiátrica” realizada na UERJ, com apoio do CNPq. A pesquisa realizada sobre lobotomia no Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro, atual Hospital de Tratamento e Custódia Psiquiátrico Heitor Carrilho.

Fita 4 – Lado B:
Os cursos de pós-graduação realizados na UERJ, aulas práticas e teóricas. Relato sobre sua participação em congressos. Comentários sobre o movimento da reforma psiquiátrica e a extinção dos manicômios. O I Congresso Internacional Psiquiatria, em Paris, em 1951. O Congresso de Psiquiatria no México em 1971 e sua participação em associações brasileiras de psiquiatria. Sobre a ‘indústria’ da loucura. Breve explanação sobre o uso do eletrochoque e da farmacoterapia.

Fita 5 – Lado A:
As possibilidades de assistência alternativa para tratamento dos doentes mentais. Discussão sobre o genoma humano e a descoberta da hereditariedade das doenças.

Não há gravação no Lado B.

Pedro Gabriel Godinho Delgado

Entrevista realizada por Anna Beatriz de Sá Almeida, Angélica Estanek Lourenço e Laurinda Rosa Maciel, no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 16 de dezembro de 2002 e 21 de julho de 2003
Sumário
Fita 1 – Lado A
A opção pela medicina e o interesse pela Psiquiatria a partir do estágio voluntário realizado no Hospital Colônia de Barbacena, em 1974, sob a orientação dos professores Alonso Moreira Filho e Sílvio Oliveira. O ingresso na Residência Médica, do Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil (IPUB), em 1977. Cursos realizados com Jurandir Costa Freire e Joel Birman, na UERJ, em 1976. O concurso para o Centro Psiquiátrico Pedro II (CPP II), realizado pela Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), em 1977; dificuldades de trabalho no Hospital de Neurologia e Psiquiatria Infantil (HNPI) e no pronto-socorro do Hospital Gustavo Riedel.

Fita 1 – Lado B
Comentário sobre as condições precárias em que se encontrava o CPP II. O início do movimento de reforma psiquiátrica através de denúncias escritas no livro de plantão; as primeiras demissões de estagiários e bolsistas da DINSAM e o concurso não realizado por suspeita de fraude. Seu ingresso, por concurso público, no Ministério da Saúde como médico sanitarista, em 1980. A opção de trabalhar na Colônia Juliano Moreira (CJM); recordações dos primeiros projetos desenvolvidos como Coordenador Médico responsável pelo Projeto Assistencial da CJM, entre eles o de re-socialização dos pacientes, apoiado pelo Ministério da Saúde, que incluía bolsa-trabalho para os participantes. Considerações sobre o apoio dos funcionários da CJM às transformações propostas pela diretoria, por volta de 1983.

Fita 2 – Lado A
Comentários sobre as mudanças implantadas na CJM que possibilitaram uma imagem positiva da instituição para moradores e funcionários. As circunstâncias da criação do Hospital Jurandir Manfredini, na CJM e os conflitos com o Ministério da Saúde para implantação de outras mudanças naquela instituição. Sua transferência para o CPP II, em 1984, onde trabalhou como médico da enfermaria feminina no Instituto de Psiquiatria Adauto Botelho (IPAB). O retorno à CJM, em 1985, como Diretor de Ensino e Pesquisa; a criação do NUPSO, Núcleo de Pesquisa em Psiquiatria Social com apoio da Financiadora de Estudos e Pesquisas (FINEP). A nomeação de interventor para a CJM pelo Ministério da Saúde, em 1987, e detalhes da resistência de funcionários e pacientes à esta nomeação. A tensão causada pela chegada da Polícia Federal e do Exército, cuja missão era garantir a posse do interventor.

Fita 2 – Lado B
O fim da tensão com a retirada do Exército da CJM. A criação de uma comissão composta por membros do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro e da CJM para dirigir a instituição. O lema "Por uma sociedade sem manicômios" e a resistência dos profissionais de saúde em aceitá-lo.

Fita 3 – Lado A
A criação do Instituto Franco Basaglia (IFB), em 1989 e o curso de Cidadania e Loucura. Nomeação como Coordenador Estadual de Saúde Mental no Rio de Janeiro, em 1999. Os projetos realizados pelo IFB como o programa ‘SOS - Direitos dos Pacientes’ e o ‘Clube da Esquina’. Como se deu a reforma psiquiátrica no Manicômio Judiciário Heitor Carrilho, atual Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho; a Lei Paulo Delgado e o louco infrator.

Fita 3 – Lado B
A criação e os debates em torno da Lei Paulo Delgado; o processo de tramitação no Congresso e Senado Nacionais e as alterações sofridas; o texto final aprovado em 2001; a repercussão internacional da aprovação da Lei. Comentários sobre a questão do álcool e das drogas nas políticas públicas.

Fita 4 – Lado A
A importância da capacitação profissional para melhorar o atendimento ao doente; os cursos oferecidos pela Secretaria de Formação e Gestão do Trabalho em Saúde. Sua nomeação como Coordenador Nacional de Saúde Mental em 2000; principais atividades realizadas e dificuldades encontradas. A implantação do Programa Nacional de Avaliação dos Hospitais (PNACH) em Psiquiatria, em 2002. A realização da 3ª Conferência Nacional de Saúde Mental, em 2001, considerado o Ano Internacional da Saúde Mental. Os requisitos para a implantação de um Centro de Atenção Psicossocial em um município.

Miguel Chalub

Entrevista realizada por Anna Beatriz de Sá Almeida e Laurinda Rosa Maciel, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 19 de fevereiro de 2001.
Sumário
Fita 1 – Lado A
Lembranças da cidade natal, São João Nepomuceno, em Minas Gerais; ida da família para o Rio de Janeiro em função da crise econômica na cidade na década de 1940. As origens familiares libanesa e italiana; o curso primário na Escola Rio Grande do Sul, no Engenho de Dentro e a continuação dos estudos no Colégio Metropolitano, no Méier, e no Colégio Pedro II, no Engenho Novo. Lembranças do curso secundário quando era presidente do grêmio estudantil e os principais professores que marcaram este período, tais como o de Latim, Florentino Marques Leite, e Manuel Jairo Bezerra, de Matemática. As leituras de História que suscitaram o interesse pela medicina. As circunstâncias que o levaram a ser professor primário aos 15 anos. O ingresso na graduação de medicina, na UERJ, em 1958; a simpatia pela área de ciências humanas que o levaria à Psiquiatria. Sobre a Faculdade de Ciências Médicas, na Universidade do Estado da Guanabara (UEG, hoje UERJ) e comentários sobre professores que marcaram esse momento, como Américo Piquet Carneiro e Raul Bittencourt. O estágio no Centro Psiquiátrico Pedro II (CPP II), que o levou a conhecer o Dr. Washington Loyello. Comentários sobre os hospitais em que trabalhou como plantonista, tais como Fernando Magalhães, em São Cristóvão e Antônio Pedro, em Niterói. Sobre a Especialização em Psiquiatria, da Escola de Saúde Pública, atual Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), em 1964. A contratação definitiva no CPP II, em 1962. O curso de especialização em Neurologia no Instituto de Neurologia da UFRJ, em 1965, coordenado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio). A rotina administrativa do CPP II, as internações e o programa de reabilitação de pacientes, cuja responsabilidade era da Dra. Nise da Silveira.

Fita 1 – Lado B
Opinião sobre os motivos de criação de um hospital psiquiátrico como a Colônia Juliano Moreira. Uso de medicamentos no tratamento aos pacientes. Concursos para professor na UFRJ e na UERJ, na década de 1960. Razões para fazer os mestrados de Psiquiatria e de Psicologia, comentários sobre psicoses reativas, tema da dissertação em Psiquiatria na UFRJ, em 1973. Comentários sobre delírio, tema de sua dissertação em Psicologia defendida na UERJ, em 1974. A importância dos cursos de Filosofia e Ciências Sociais em sua formação. A tese de doutorado em Medicina, defendida na UFRJ, em 1979, com tema de psiquiatria legal. Comentários sobre a lei brasileira de isenção da pena ao doente mental. A história de Custódio Serrão, um paciente que foi internado no Hospício de Pedro II, no início do século XX, e pediu para ser julgado. As atuais atividades profissionais, o consultório particular, a docência e a supervisão em Residência Médica. A formação psicanalítica no Instituto de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, em 1980. As atividades acadêmica e de pesquisa. O pós-doutorado na Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, sobre dependência química. Comentários sobre o Movimento da Reforma Psiquiátrica e a assistência hétero-familiar de Gustavo Riedel.

Fita 2 – Lado A
Comentários sobre a fundação do Hospício de Pedro II, na Praia Vermelha, no século XIX e o tratamento aos doentes naquele momento; as mudanças ocorridas com o movimento de reforma da psiquiatria tais como o CAPS, os ambulatórios e o hospital-dia. Sobre a rotina da Residência Terapêutica, recentemente regulamentada. Observações sobre a diminuição do interesse dos alunos pelo curso de Psiquiatria e, por outro lado, a procura cada vez maior pelas áreas mais tecnológicas da Medicina; sua preocupação em ensinar a importância da relação médico-paciente e motivos para continuar as atividades de professor na graduação. Sobre os congressos financiados pela indústria farmacêutica; a participação na Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro e no Conselho Regional de Medicina (CREMERJ). A publicação do livro Introdução à psicopatologia forense, pela Editora Forense, em 1981, originalmente sua tese de doutorado. A publicação de Temas de Psicopatologia, pela Editora Zahar, em 1977, onde reuniu as dissertações de mestrado em psiquiatria e em psicologia. O curso de psiquiatria jurídica, ministrado na UERJ, destinado a advogados e psicólogos. Relato sobre a experiência em perícia civil; comentários sobre a propaganda de cigarros. A falta de financiamento ao projeto de pesquisa desenvolvido no IPUB, em psiquiatria forense que pretende analisar a cidadania do doente mental. As diferenças entre clínica pública e privada.

Fita 2 – Lado B
A necessidade de um atendimento ambulatorial mais humano, destacando algumas dificuldades para manter a relação médico-paciente, como a falta de lugar adequado para atendimento ao doente. Comentários sobre o Hospital Pinel, anteriormente considerado um modelo de assistência e por isso uma contradição na vida humilde dos pacientes. A importância do atendimento no posto de saúde na formação dos alunos.