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Médico(a)

Laerte Manhães de Andrade

  • BR RJCOC LA
  • Pessoa
  • 1910-2003

Nasceu em 9 de dezembro de 1910, em Campos dos Goytacazes (RJ), filho de Lafaiete Manhães de Andrade e Amélia dos Santos Andrade. Graduou-se em 1936 pela Faculdade Fluminense de Medicina, atual Universidade Federal Fluminense. De 1931 a 1938 atuou como auxiliar de laboratório do Instituto de Pesquisas da Fundação Gaffrée e Guinle e, em seguida, como assistente de laboratório do Instituto Neuro-Sífilis (1937-1938) e chefe bacteriologista da Seção de Laboratórios do Instituto Parreiras Horta em Sergipe (1938-1941). Como biologista do Departamento Nacional de Saúde (DNS), de 1941 a 1945, desenvolveu atividades em delegacias federais de saúde dos estados do Pará, Pernambuco, Alagoas e Mato Grosso. Ainda nesse período estagiou na Seção de Bacteriologia do Laboratório de Saúde Pública do Rio de Janeiro (1938), subordinado ao DNS, e realizou o Curso de Saúde Pública do IOC (1945). Ingressou nessa instituição no ano seguinte como médico sanitarista concursado do Ministério da Educação e Saúde e foi designado para os cargos de chefe da Seção de Bioclimatologia da Divisão de Higiene (1946-1962), chefe do Laboratório de Tuberculose da Divisão de Microbiologia e Imunologia (1946-1966), professor (1950-1964) e coordenador (1958) de cursos, secretário e assistente da direção (1959-1961) e chefe do Serviço de Documentação da Divisão de Ensino e Documentação (1962-1964). Além disso, teve atuação no Laboratório de Tuberculose do Instituto de Microbiologia da Universidade do Brasil (1951-1957), no laboratório da Divisão de Biologia e Química do Instituto Vital Brasil (1957-1960) e no Instituto de Saúde Pública da Bahia (1948-1950), sempre em postos de comando. Em 1966 foi removido para o Serviço Nacional de Tuberculose do Ministério da Saúde, onde respondeu pelo Setor de Pesquisas Bacteriológicas do Laboratório Central de Tuberculose até 1974. Entre 1976 e 1979 chefiou a Coordenação da Rede Nacional de Laboratórios de Bacteriologia da Tuberculose da Divisão Nacional de Tuberculose do MS. Em 1977 foi bolsista da Organização Pan-Americana da Saúde para visita a programas de tuberculose na Colômbia, Venezuela e Argentina. Aposentou-se em 1980, mas permaneceu desenvolvendo suas atividades de pesquisa e ensino junto ao Instituto de Tisiologia e Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1979-1987) e à Divisão Nacional de Pneumologia Sanitária do MS (1979-1986). Integrou a Sociedade Brasileira de Higiene, a Sociedade Americana de Bacteriologistas, a Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Sociedade Brasileira de Microbiologia, a Federação Latino-Americana de Coleções de Culturas Microbianas, o Grupo de Trabalho Internacional sobre Taxonomia Mycobacterial e a União Internacional contra a Tuberculose. Foi casado com Celima Manhães de Andrade. Morreu em 6 de maio de 2003, no Rio de Janeiro.

Lejeune Pacheco Henriques de Oliveira

  • BR RJCOC LO
  • Pessoa
  • 1915-1982

Nasceu em 16 de novembro de 1915, em Suassuí (MG), filho de Aristides Henriques de Oliveira e Naomi Silva Pacheco de Oliveira. Formou-se em 1938 pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, onde atuou junto à cadeira de parasitologia do professor Olympio da Fonseca Filho como auxiliar de herbário (1935-1936), monitor (1936) e assistente de história natural do Curso Complementar (1936-1937). Nesse último período frequentou o Curso de Aplicação do IOC. Em 1937 ingressou na instituição como assistente técnico, sendo a seguir designado para as funções de biologista (1941), pesquisador (1950), encarregado da Estação de Hidrobiologia da Seção Auxiliar (1954), chefe da Seção de Hidrobiologia da Divisão de Zoologia (1963), pesquisador em biologia (1972) e pesquisador associado (1981). Em 1947 atuou como assistente de parasitologia em curso organizado pelo Departamento Nacional de Saúde Pública. No ano seguinte iniciou suas atividades didáticas em cursos do IOC, como os de Aplicação, Hidrobiologia, Fundamental de Biologia, Bacteriologia, Parasitologia e Imunologia e Indicadores de Regimes Hidrobiológicos e de Poluição. Também lecionou nos cursos de Pilotos de Pesca da Escola de Marinha Mercante e de Limnologia do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). De 1977 a 1979 atuou como orientador de bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, bem como examinador de dissertações de mestrado dos cursos de Zoologia e Botânica do Departamento de Zoologia do Instituto de Biologia da UFRJ. Foi membro da Sociedade Brasileira de Biologia, da Associação Internacional de Limnologia, da Associação Americana para o Avanço da Ciência, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade Internacional de Estudo das Algas, da Sociedade Brasileira de Proteção à Natureza, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e da Sociedade Brasileira de Zoologia. Recebeu as medalhas Mérito D. João VI (1958) e do Saneador do Rio de Janeiro (1972). Casou-se com a pesquisadora Luiza Krau que havia ingressado, na década de 1940, em Manguinhos e foi designada sua assistente na Estação de Hidrobiologia na Ilha do Pinheiro. Morreu em 22 de outubro de 1982, no Rio de Janeiro.

Leonídio Ribeiro Filho

  • BR RJCOC LRF
  • Pessoa
  • 1893-1976

Nasceu em 4 de novembro de 1893, em São Paulo, filho de Leonídio de Souza Ribeiro e Maria Henriqueta Marcondes Ribeiro. Em 1916 formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Discípulo de Afrânio Peixoto, tomou conhecimento em 1917 de um concurso para o cargo de legista da Polícia Civil. Inscrito e classificado, passou a exercer ainda naquele ano o cargo de médico legista da Polícia Civil do Distrito Federal. Em 1918, devido a divergências dentro do órgão, solicitou demissão e embarcou para a França, na Missão Médica que o Brasil enviou à Primeira Guerra Mundial. Como tenente-médico dirigiu um hospital em Marselha até 1919, quando foi dispensado e condecorado com a Legião de Honra pelo governo francês. Prosseguiu seus estudos na Europa e especializou-se em Cirurgia e Medicina Legal. Em 1925, no Brasil, tornou-se professor de Criminologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Com a Revolução de 1930 foi designado para o cargo de diretor do Gabinete de Identificação da Polícia Civil do Distrito Federal, pelo recém-empossado chefe de Polícia do Distrito Federal, seu amigo Baptista Luzardo. No gabinete permaneceu de 1931 a 1935 e promoveu a modernização da polícia, uma das exigências do governo de Getúlio Vargas. Em sua gestão criou o Laboratório de Antropologia Criminal, onde realizou pesquisas médicas sobre os biótipos de negros, criminosos e homossexuais. Esses estudos, ao lado de investigações sobre impressões digitais, causas endócrinas do homossexualismo masculino e biotipologia de criminosos, renderam-lhe em 1933 o prêmio Lombroso da Real Academia de Medicina da Itália. Ainda em 1933 tornou-se professor de Medicina Legal da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro com a tese O direito de curar . Lecionou por 35 anos as cadeiras de Medicina Legal e Criminologia. Entre suas publicações destaca-se o livro Homossexualismo e endocrinologia, de 1935. Foi eleito membro da Academia Nacional de Medicina em 1928 com a memória intitulada Estudo clínico do protóxido de azoto, tendo sido saudado em sua posse pelo acadêmico Augusto Paulino Soares de Souza. Em 1960 tornou-se membro emérito da academia. Morreu no dia 27 de fevereiro de 1976, em Petrópolis (RJ).

Lourival Ribeiro da Silva

  • BR RJCOC LR
  • Pessoa
  • 1907-1996

Nasceu em 4 de setembro de 1907, em Santo Antonio de Pádua (RJ), filho de Américo Ribeiro da Silva e Sebastiana Gonçalves da Silva. Concluiu o curso de medicina em 1934, pela Faculdade Fluminense, atual Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense. Em 1936 especializou-se em tuberculose, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Além de médico tisiologista atuou como radiologista, professor e memorialista. De 1937 a 1943 foi médico do Departamento de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Entre 1944 e 1945 participou das operações de guerra na Itália, como tenente médico da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Ainda em 1944 ingressou como médico sanitarista da Divisão Nacional de Tuberculose, do então Ministério da Educação e Saúde. De 1948 a 1951 foi chefe e organizador do Dispensário Escola do Serviço Nacional de Tuberculose. Entre 1952 e 1953 dirigiu o Conjunto Sanatorial de Curicica, posteriormente denominado Conjunto Sanatorial Raphael de Paula Souza. Presidiu a Sociedade Brasileira de Tuberculose, no biênio 1952-1954. Em 1956 assumiu a direção do Serviço Nacional de Tuberculose, cargo que ocupou até 1958. Foi membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1977) e da Academia Nacional de Medicina (1987). Morreu em 1996, no Rio de Janeiro.

Manoel Carlos de Gouvêa

  • BR RJCOC MG
  • Pessoa
  • 1891-1970

Nasceu em 25 de dezembro de 1891, em Aracajú (AL), filho de Ricardo Viviano de Gouvêa e Clotilde Soares de Gouvêa. Em 1892, devido à transferência de sua família, passou a residir em Fortaleza (CE). Estudou no Colégio Cearense até 1906, quando foi residir em Salvador (BA), e passou a frequentar o Colégio 7 de Setembro. Voltou para Fortaleza em 1910, completando seus estudos no Liceu do Ceará. Durante seu período estudantil, trabalhou nas redações do Jornal de Notícias, A Tarde e Diário de Notícias. Em 1913, retornou a Salvador onde frequentou o Curso Elefante, através do qual garantiu o seu ingresso na Faculdade de Medicina da Bahia. Graduou-se bacharel em medicina em 1919. No mesmo ano casou-se com sua prima, Maria Rosa de Gouvêa, e regressou ao Ceará, ocupando o cargo de médico do estado no município de Caucaia. Em 1920 mudou-se para Iguatu, cidade do centro-sul cearense. Quatro anos depois fundou a Sociedade Beneficente de Iguatu e começou as obras de construção do Hospital Santo Antônio dos Pobres, que teve seu primeiro pavilhão inaugurado somente em 1930. Nessa instituição, do qual foi diretor por toda a sua vida, desenvolveu um trabalho beneficente na região, oferecendo atendimento aos enfermos que não tinham condições de arcar com os custos dos tratamentos de saúde. Iniciou a carreira política como o primeiro prefeito eleito de Iguatu (1926-1928), tendo sido reeleito no pleito seguinte (1928-1930). Devido à Revolução de 1930 foi deposto do cargo executivo. Em 1932 foi designado médico da assistências aos operários das frentes de serviços em Lima Campos e Solonópole no combate à febre tifoide. Em 1935 foi nomeado prefeito por poucos meses e elegeu-se nas eleições do mesmo ano. Em 1937, devido à instalação do Estado Novo, foi nomeado prefeito, permanecendo no cargo até 1945. Além de sua atuação política no executivo municipal, foi eleito primeiro suplemente a deputado federal em 1945, deputado estadual em 1947 e segundo suplente a deputado federal em 1950. Elegeu-se prefeito de Iguatu pela quarta vez em 1959. Recebeu em 1965 a medalha Marechal Rondon da Sociedade Geográfica Brasileira e em 1968 o título honorífico de Cidadão Iguatuense pelo trabalho realizado na cidade como diretor do hospital e prefeito. Morreu em 6 de janeiro de 1970, em Iguatu.

Manoel Isnard de Souza Teixeira

  • Pessoa
  • 1912-1998

Nasceu a 6 de maio de 1912, em Itapipoca (CE). Realizou seus primeiros estudos em Fortaleza, viajando em 1927 para Salvador, onde frequentou o curso preparatório. Em 1933, diplomou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia, ingressando no ano seguinte no Curso de Aplicação do IOC, onde permaneceu até 1936, quando foi contratado como chefe do laboratório da Inspetoria de Defesa Sanitária Animal, em Fortaleza. Simultaneamente à formação acadêmica, iniciou sua militância política, participando da organização do 1º Congresso Leigo Acadêmico do Brasil. Candidatou-se a deputado federal pela União Sindical da Bahia, em 1933. No ano seguinte, passou a atuar no movimento denominado Ala Médica Reivindicadora e na Juventude Comunista da Bahia, ligada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o que levou a ser preso em 1936. Foi chefe do Serviço de Biologia e diretor científico do laboratório Bezerra S/A, em Fortaleza, de 1938 a 1943, quando seguiu como bolsista do Institute of Interamerican Affairs para os Estados Unidos, onde realizou vários cursos na School of Higiene of Johns Hopkins University. Ao retornar, em 1945, foi convidado para a direção do Instituto Evandro Chagas, do qual se afastou um ano depois, devido às precárias condições de vida no Norte do país. Em 1946, foi encarregado das pesquisas bacteriológicas do Instituto Nacional de Nutrição da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), função que desempenhou paralelamente à de assistente da cadeira de microbiologia e imunologia. Nesse mesmo ano, foi nomeado biologista da Divisão de Organização Sanitária do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), que o designou, em 1947, para chefiar a campanha contra as helmintoses. Desenvolveu, com Amílcar Barca Pellon, o Inquérito Helmintológico Escolar, visando o levantamento das áreas infestadas pela esquistossomose no Brasil, concluído em 1954. A tentativa de fazer valer os interesses dos médicos e sanitaristas nas decisões governamentais relativas à saúde pública fez com que se candidatasse, em 1946, à Assembléia Constituinte, além de participar da criação da Associação Médica do Distrito Federal (AMDF), em 1950. Em 1952, foi nomeado por concurso, médico sanitarista do DNSP, tornando-se chefe do laboratório do Serviço Nacional de Tuberculose, em 1954. Chefiou também o laboratório de pesquisa sobre toxoplasmose e viroses oculares da clínica oftalmológica da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil. A partir de 1959, iniciou uma série de viagens comissionado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), visitando inicialmente o México, Estados Unidos, Canadá e Japão, para estudar a fabricação e aplicação da vacina BCG liofilizada. Foi também à Europa, em 1960, para pesquisar novas técnicas em bacteriologia da tuberculose. Em 1961, de volta ao Brasil, passou a chefiar o laboratório do Instituto Fernandes Figueira (IFF) até 1964, quando teve seu direitos políticos cassados e foi compulsoriamente aposentado sob a acusação de comunismo. De 1964 a 1970, ministrou vários cursos sobre vírus e técnicas de laboratório no Rio de Janeiro e em São Paulo. No período da ditadura militar, continuou militando clandestinamente e participou da Comissão Jurídica Popular, organismo responsável pela apuração de crimes políticos. Em 1973, tornou-se diretor do Instituto Abreu Fialho, sendo nomeado chefe de serviço da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Morreu no dia 11 de julho de 1998.

Maria José von Paumgartten Deane

  • Pessoa
  • 1916-1995

Nasceu em 24 de julho de 1916, na cidade de Belém (PA), filha de Segismundo von Paumgartten e Adelaide Rodrigues von Paumgartten. Em Belém estudou no Colégio Paumgartten (1921-1925), no Ginásio Paes de Carvalho (1926-1931), tradicional estabelecimento público de ensino secundário da cidade, e na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará (1932-1937). Durante o curso médico atuou como assistente da Comissão Encarregada dos Estudos da Leishmaniose Visceral Americana e, posteriormente, do Serviço de Estudos das Grandes Endemias, ambas as iniciativas sob o comando de Evandro Chagas, que realizava pesquisas sobre endemias rurais no interior paraense. Em 1939 transferiu-se para o Serviço de Malária do Nordeste e fez parte da vitoriosa campanha contra o mosquito Anopheles gambiae no Ceará e Rio Grande do Norte. No ano seguinte casou-se com Leônidas de Mello Deane, de quem se tornou parceira em importantes estudos sobre parasitologia e entomologia médica. Em 1942 assumiu a função de assistente do Departamento de Parasitologia do Serviço Especial de Saúde Pública, sediado em Belém, e três anos depois foi indicada para comandar a Seção de Parasitologia do Laboratório Central da instituição. De 1944 a 1945 realizou o mestrado em saúde pública na Escola de Higiene e Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos. Em 1953, juntamente com o marido, ingressou no Departamento de Parasitologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. De 1958 a 1959 chefiou o Laboratório de Entomologia da Campanha de Erradicação da Malária do Ministério da Saúde. Em 1961 foi para o Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, anexo à Faculdade de Medicina paulista. A partir de 1969 esteve na Faculdade de Medicina de Taubaté e na Universidade Federal de Minas Gerais, de 1971 a 1973. Em 1975, devido a questões políticas, profissionais e familiar decorrentes do pós-1964 no Brasil, Maria e o marido exilaram-se voluntariamente em Portugal e na Venezuela. Nesses países trabalharam no Instituto de Higiene e Medicina Tropical de Lisboa (1975-1976) e na Universidade de Carabobo (1976-1979). Em 1980, também com Leônidas Deane, transferiu-se para o IOC, onde inicialmente atuou como chefe pro tempore do Centro de Microscopia Eletrônica. Em seguida exerceu as funções de chefe do Departamento de Protozoologia (1980-1988), vice-diretora (1986-1988) e chefe do Laboratório de Biologia de Tripanossomas (1992-1995). Morreu em 13 de agosto de 1995, no Rio de Janeiro.

Mário Kroeff

  • BR RJCOC MK
  • Pessoa
  • 1891-1983

Nasceu em 13 de outubro de 1891, na cidade de São Francisco de Paula (RS), filho de Carlos Miguel Kroeff e Idalina Horn Kroeff. Iniciou os estudos de medicina em 1910, na Faculdade de Medicina de Porto Alegre, e formou-se em 1916 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, com defesa da tese de doutoramento intitulada Sífilis pulmonar. Depois de formado regressou a seu estado natal, onde iniciou sua trajetória profissional como médico em Vacaria e São Joaquim da Costa da Serra. Em seguida atuou em Campos Novos e Brusque, cidades catarinenses. Em 1917 tornou-se primeiro-tenente da Marinha, tendo servido como médico na Primeira Guerra Mundial. Em 1920 deixou a carreira militar e, aprovado em concurso para médico de saúde pública, foi nomeado para atuar em um dispensário dedicado ao tratamento de doenças venéreas. Voltou à Europa para se aperfeiçoar nessa área e, na Alemanha, adquiriu um aparelho de diatermocoagulação. Ao retornar ao Brasil ingressou na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, como assistente de Augusto Brandão Filho, onde se especializou em cirurgia. Em 1929 prestou concurso para livre-docente de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro e passou a dedicar-se à criação de uma unidade hospitalar especializada no tratamento do câncer. Obteve verba para a construção de uma unidade hospitalar anexa ao Hospital Estácio de Sá, em que trabalhou como médico do Departamento Nacional de Saúde Pública. Uma vez que essa unidade, depois de concluída, foi destinada a outra especialidade médica, reiniciou sua saga em busca de apoio para a construção de outro prédio, que só conseguiu ver pronto e inaugurado pelo presidente Getúlio Vargas, em 1937, e funcionando em 1938: o Centro de Cancerologia, do qual foi o primeiro diretor. Em 1940 ingressou na Academia Nacional de Medicina. Em 1941 o Centro de Cancerologia foi transformado no Serviço Nacional de Câncer, para o qual também foi nomeado diretor, cargo que exerceu até 1954. Dessa iniciativa derivou uma primeira expansão de clínicas de tratamento de câncer em diversos estados brasileiros e realizaram-se campanhas nacionais de educação sanitária, para fins de esclarecimento da população sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer. Em 1944 fundou o Asilo dos Cancerosos no bairro da Penha, subúrbio carioca, dedicado à prevenção e ao tratamento de câncer, atualmente denominado Hospital Mário Kroeff. Além das publicações relacionadas à sua trajetória no campo da medicina, escreveu três obras literárias: Imagens do meu Rio Grande, Ensarilhando as armas e O gaúcho no panorama brasileiro. Morreu em 23 de dezembro de 1983, na cidade de Vassouras (RJ).

Miguel Ozório de Almeida

  • Pessoa
  • 1890-1953

Nasceu em 1 de agosto de 1890, no Rio de Janeiro, filho de Gabriel Ozório de Almeida e Carlota Cardoso Ozório de Almeida. Graduou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1911, quando defendeu a tese São os reflexos tendinosos de origem cérebro-espinhal?. Nessa instituição foi interno da cadeira de clínica médica regida por Miguel Couto (1911), preparador interino de fisiologia (1911-1912) e livre-docente de fisiologia (1912), higiene (1915) e física-biológica (1916). Iniciou suas pesquisas científicas com o irmão Álvaro Ozório de Almeida no laboratório de fisiologia por este instalado no porão da casa de seus pais, no bairro do Flamengo, que logo se transformou em um local de reuniões, consultas e estudos para pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Entre 1913 e 1917 atuou como subcomissário de Higiene e Assistência Pública no Rio de Janeiro. Na Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária foi professor de fisiologia (1917-1934), membro fundador da comissão de redação do periódico Archivos da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (1917) e diretor interino (1924). Em 1919 ingressou no Instituto Oswaldo Cruz, onde atuou como assistente (1919-1921), chefe do Laboratório de Fisiologia (1927-1942), chefe de serviço (1938-1942) e chefe da Divisão de Fisiologia (1942-1953). Ocupou também os cargos de diretor do Instituto de Biologia Animal (1933-1934), de diretor-geral da Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social (1934-1935) e de reitor da Universidade do Distrito Federal (1935-1936). Integrou a Comissão Brasileira de Cooperação Intelectual, a Comissão Internacional de Cooperação Intelectual da Liga das Nações e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Foi membro e dirigente da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Nacional de Medicina, da Academia Brasileira de Letras, da Société de Biologie de Paris, da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, da Sociedade de Biologia do Brasil e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entre outras dentro e fora do Brasil. Morreu em 2 de dezembro de 1953, no Rio de Janeiro.

Noel Nutels

  • BR RJCOC NN
  • Pessoa
  • 1913-1973

Nasceu na cidade de Ananiev, atualmente território da Ucrânia, em 24 de abril de 1913, filho de Salomão e Bertha Nutels. Na década de 1920 sua família mudou-se para Pernambuco e, pouco depois, para o interior de Alagoas (São José da Laje), onde o futuro médico concluiu o ensino básico. Retornando para Pernambuco, em Garanhuns, concluiu sua formação escolar em um colégio católico. Em 1936 formou-se em medicina na cidade de Recife, onde especializou-se em tuberculose, uma das doenças mais mortíferas daquele tempo. Na capital pernambucana esteve em contato com pessoas de diferentes formações, o que certamente influenciou sua visão de mundo. Nessa época, sua mãe criou na capital pernambucana a Pensão da Dona Bertha, ponto de encontro de intelectuais, onde conviveu com figuras importantes. Entre os nomes que conheceu estavam os escritores Ariano Suassuna e Rubem Braga e os compositores Fernando Lobo e Capiba. Seguindo o sonho de trabalhar com saúde pública, chegou ao Rio de Janeiro, então capital do Brasil. No entanto, para ingressar no serviço público precisava naturalizar-se brasileiro. O processo demorou alguns anos. Nesse período trabalhou em diferentes empregos e passou por problemas financeiros. Em meio a década de 1940 ingressou na Fundação Brasil Central (FBC), criada pelo governo Getúlio Vargas para desbravar as regiões do Alto Xingu e Alto Araguaia. Esse movimento integrou a Marcha para o Oeste. Por meio da Fundação participou de expedições com o marechal Cândido Rondon e os irmãos Cláudio, Leonardo e Orlando Villas-Boas. A partir dessas experiências tornou-se defensor do patrimônio cultural das populações indígenas. Para ele, esses grupos viviam em harmonia com a natureza. No plano acadêmico sua produção lhe rendeu reconhecimento dos pares, com dezenas de artigos publicados e participação em diversos congressos sobre tuberculose e saúde pública. Trabalhou no Serviço de Proteção aos Índios e em diversas universidades nacionais e estrangeiras. Toda sua produção profissional reflete uma preocupação com os indígenas, especialmente no combate à tuberculose. Uma das viagens ao interior do país, a Expedição Roncador-Xingu, deu origem ao Parque Indígena do Xingu, iniciativa que viria a ser oficializada em 1961. Alguns anos depois da expedição ele ingressou no Serviço Nacional de Tuberculose (SNT), do Ministério da Saúde, serviço médico que levava atendimento aos povos indígenas e populações isoladas no interior do país. Baseado nessa experiência, idealizou e dirigiu dentro do Ministério da Saúde o Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas (SUSA), que foi responsável por inquéritos cadastrais, testes de tuberculose, vacinação, procedimentos odontológicos e programas de conscientização sobre saúde para as populações isoladas no interior do Brasil, inclusive na selva amazônica. Entre 1963 e 1964 ainda acumulou a direção do Serviço de Proteção aos Índios. Foi o responsável por elaborar uma campanha de defesa do índio brasileiro contra a tuberculose e um cadastro tuberculínico na área indígena. Morreu em 10 de fevereiro de 1973, no Rio de Janeiro.

Oswaldo Gonçalves Cruz

  • BR RJCOC OC
  • Pessoa
  • 1872-1917

Nasceu em 5 de agosto de 1872, em São Luiz do Paraitinga (SP), filho de Bento Gonçalves Cruz e Amália Bulhões Cruz. Em 1889 ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde se formou em 1892, apresentando a tese de doutoramento A vehiculação microbiana pelas águas. No ano seguinte instalou em sua residência um pequeno laboratório de microbiologia. Nesse período, assumiu tanto a clínica que pertencera a seu pai como o ambulatório em que ele cuidava dos funcionários da Fábrica de Tecidos Corcovado. Em 1894, a convite de Egydio Salles Guerra, trabalhou na Policlínica Geral do Rio de Janeiro como responsável pela montagem e chefia do laboratório de análises clínicas que apoiava o Serviço de Moléstias Internas. No mesmo ano, auxiliou o Instituto Sanitário Federal, chefiado por Francisco Fajardo, a diagnosticar o cólera como a epidemia reinante no vale do Paraíba. Em 1897 foi para Paris, onde estudou microbiologia, soroterapia e imunologia no Instituto Pasteur e medicina legal no Instituto de Toxicologia. Retornou em 1899, reassumiu seu cargo na Policlínica e foi convidado para fazer parte da comissão chefiada por Eduardo Chapot-Prévost a fim de verificar a mortandade de ratos responsável pelo surto de peste bubônica em Santos. De volta ao Rio de Janeiro, foi convidado a ocupar a direção técnica do Instituto Soroterápico Federal que estava sendo construído na Fazenda Manguinhos, comandado pelo barão de Pedro Affonso, proprietário do Instituto Vacínico Municipal, e cujo funcionamento se iniciou em 1900. Em 1902, após divergências internas que provocaram a exoneração do barão, passou a dirigir sozinho a instituição. No ano seguinte, assumiu o comando da Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP) com o desafio de empreender uma campanha sanitária para combater as principais doenças que grassavam na capital federal: febre amarela, peste bubônica e varíola. Os métodos utilizados em relação às epidemias de febre amarela e peste bubônica abarcaram desde o isolamento dos doentes, a notificação compulsória dos casos positivos, a captura de mosquitos e ratos, até a desinfecção das moradias situadas em zonas de focos. Em 1904, após a aprovação da lei da vacinação antivariólica obrigatória, ocorreu uma revolta popular, seguida da tentativa de golpe por parte dos militares – episódio denominado de Revolta da Vacina. Durou uma semana e foi sufocada com saldo de mortos, feridos e presos, o que levou à revogação da obrigatoriedade. Entre 1905 e 1906 realizou, pela DGSP, uma expedição a trinta portos marítimos e fluviais de Norte a Sul do país com o objetivo de estabelecer um código sanitário de acordo com os preceitos internacionais. Em 1907 recebeu a medalha de ouro em nome da seção brasileira presente no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim. Terminado o evento, foi a Paris, com o objetivo de estreitar laços científicos com o Instituto Pasteur, e em seguida a Nova York, onde conheceu o Instituto de Pesquisas Médicas. Nesse período, cumprindo missão delegada pelo governo brasileiro, reuniu-se com o presidente Theodore Roosevelt para lhe garantir que a esquadra norte-americana poderia desembarcar na capital federal sem temer a febre amarela. Encontrava-se ainda no exterior quando, em 1907, o presidente Afonso Pena transformou o Instituto Soroterápico Federal em Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos. Em sua volta ao país, no início de 1908, foi recepcionado como herói nacional, e não mais criticado por sua conduta à frente das campanhas sanitárias. Ainda em 1908 o instituto foi denominado Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Em 1909 solicitou sua exoneração da DGSP e optou pela direção do IOC. Em Manguinhos realizou o levantamento das condições sanitárias do interior do país por meio de expedições científicas promovidas pelo IOC, tais como, em 1910, os combates à malária durante a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré, para onde viajou em companhia de Belisário Penna, e à febre amarela, a convite do governo do Pará. Em 1913 ingressou na Academia Brasileira de Letras, e um ano depois foi agraciado com o título de oficial da Ordem Nacional da Legião de Honra da França. Após deixar o comando do IOC no início de 1916, em consequência do agravamento de sua doença renal, foi residir em Petrópolis (RJ), onde ocupou o cargo de prefeito por nomeação de Nilo Peçanha, presidente do estado do Rio de Janeiro. Morreu em 11 de fevereiro de 1917, em Petrópolis.

Paulo de Góes

  • BR RJCOC PG
  • Pessoa
  • 1913-1988

Nasceu em 14 de julho de 1913, no Rio de Janeiro, filho de Gil de Góes e Ângela Alípio de Góes. Em 1936 graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro. Durante o curso médico trabalhou como auxiliar-técnico de microbiologia e depois como assistente de biologia na mesma faculdade, instituição à qual dedicou a maior parte de sua carreira acadêmica. A partir de 1937 teve início sua atuação como professor de biologia geral, higiene e história natural. Lecionou na Universidade do Brasil, como auxiliar de história natural do Curso Complementar de Medicina em 1937, no curso de patologia geral da Faculdade Nacional de Medicina em 1938 e no curso de microbiologia da Escola de Enfermagem Anna Nery em 1939. Foi também chefe do Laboratório de Patologia Geral da Faculdade Nacional de Medicina, em 1938, do Laboratório de Clínica Propedêutica Médica da Faculdade de Ciências Médicas, e, no ano seguinte, do laboratório do Hospício Nossa Senhora da Saúde (Hospital da Gamboa). Em 1944 doutorou-se em medicina e obteve o título de livre-docente de microbiologia pela Universidade do Brasil, da qual tornou-se professor catedrático em 1945. Passou a professor catedrático interino da Faculdade Nacional de Farmácia e chefe do Departamento de Biologia e Higiene da mesma faculdade em 1946. Nesse mesmo ano lecionou na cadeira de alergia e imunidade da Escola Nacional de Tisiologia. Em 1951 criou o Curso de Especialização em Microbiologia, com duração de um ano, em período integral, que se tornou uma referência nacional. Em 1955, antecipando-se à reforma universitária, reuniu as cátedras de microbiologia das faculdades de Farmácia e de Medicina, fundando o Instituto de Microbiologia, que recebeu seu nome em 1995, entidade pioneira na história da microbiologia no Brasil. Entre 1967 e 1968 exerceu o cargo de adido científico junto à Embaixada do Brasil em Washington, Estados Unidos. Ainda nesse período requereu e obteve sua aposentadoria como professor catedrático da Faculdade de Odontologia e Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao retornar ao Brasil, ocupou de 1969 a 1971 a Sub-Reitoria de Pesquisa e Graduação dessa universidade, na qual desenvolveu trabalho sobre o êxodo de cientistas brasileiros para o exterior, intitulado Brain Drain. Entre os diversos títulos e homenagens recebidos, destaca-se a comenda da Ordem do Rio Branco, concedida em 1968. Morreu em 13 de novembro de 1982, no Rio de Janeiro.

Pedro Freire Fausto

  • BR RJCOC PF
  • Pessoa
  • 1908-1994

Nasceu em 20 de janeiro de 1908, em Maceió, filho de Antonio Fernandes Fausto e Ana Freire Fausto. Formou-se em 1932 na Faculdade de Medicina da Bahia. Em seguida voltou para sua cidade natal, sendo contratado como médico da Secretaria de Saúde para controlar uma epidemia de varíola em Analandia e municípios limítrofes. Na ocasião, instalou isolamento para tratamento dos doentes e fez a vacinação da população local. Depois disso, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como supervisor de pasteurização de leite na indústria Normandia. Em 1936 ingressou no Serviço de Febre Amarela (SFA), que esteve a cargo da Fundação Rockefeller até 1939, trabalhando como médico assistente no setor Bahia. Em seguida atuou nos estados de Sergipe, São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e novamente Bahia. Em 1940 foi transferido em caráter de urgência para o Espírito Santo com o objetivo de controlar uma epidemia de febre amarela que atingiu todo o estado, onde chefiou a campanha de vacinação contra a doença. Em 1944 afastou-se do Serviço Nacional de Febre Amarela (SNFA), nova denominação do SFA, para atuar no Laboratório Brasileiro de Quimioterapia, sediado no Rio de Janeiro. Como representante do laboratório esteve em Cuba (1947-1949) e no México (1949-1952). Ainda em 1952 retornou ao SNFA e chefiou setores das circunscrições Nordeste e Sudeste do serviço nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro. Em 1955 foi contratado como medical officer pela Organização Pan-Americana da Saúde. Nessa função participou ativamente das campanhas de erradicação da bouba no Haiti (1955-1958) e do Aedes aegypti, mosquito vetor da febre amarela, na Colômbia (1958-1959) e na Venezuela (1959-1968). De volta ao Brasil atuou de 1968 a 1978, ano de sua aposentadoria, no Departamento Nacional de Endemias Rurais, nas Campanhas Nacionais de Erradicação de Endemias e na Superintendência de Campanhas de Saúde Pública. Nesse período deu continuidade às suas atividades de combate à febre amarela, que incluíram a erradicação do Aedes aegypti, a vacinação da população e a vigilância epidemiológica. Morreu em 1994, no Rio de Janeiro.

Phócion Serpa

  • BR RJCOC PS
  • Pessoa
  • 1892-1967

Nasceu em 7 de agosto de 1892, em Campos dos Goytacazes (RJ), filho de Joaquim Francisco Pereira Vasconcellos Serpa e Agripina Paraíso Serpa. Ingressou em 1913 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde se graduou em 1919, com a tese de doutoramento A educação física e moral na puberdade masculina. Ingressou como telegrafista da Repartição Geral dos Telégrafos em 1913, onde permaneceu até 1919. Em 1917 foi nomeado estudante assistente do Serviço de Clínica Médica pelo Instituto de Proteção e Assistência à Infância. Ainda em 1919 foi nomeado médico auxiliar do Serviço de Profilaxia Rural do Distrito Federal, em que passou no ano seguinte a subinspetor sanitário e chefiou os postos da Ilha do Governador e de Pilares. Com a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP) foi promovido, por Carlos Chagas, em 1921, a inspetor sanitário rural. Dois anos depois, ocupou o cargo de chefe de serviço da Diretoria de Saneamento e Profilaxia Rural, nesse mesmo Departamento. Após a Revolução de 1930, assumiu a Secretaria Geral do DNSP e, no ano seguinte, o cargo de chefe de gabinete do ministro interino da Educação e Saúde Pública, Belisário Penna, sem, no entanto, deixar as funções que exercia. Em 1938, durante o Estado Novo, assumiu o cargo de secretário do Conselho Nacional de Serviço Social e do Conselho Nacional de Cultura, por designação de Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde. Como escritor produziu tanto obras literárias – romances, poemas e ensaios, tendo recebido o prêmio Menção Honrosa de Romance em 1930 da Academia Brasileira de Letras – quanto biografias e artigos, com destaque para as biografias de Oswaldo G. Cruz e uma inacabada e inédita de Belisário Penna. Morreu em 28 de janeiro de 1967, no Rio de Janeiro.

Raphael de Paula Souza

  • BR RJCOC RP
  • Pessoa
  • 1902-1999

Nasceu em 19 de maio de 1902, em São Paulo, filho de Calixto de Paula Souza e Elfrida Pacheco de Paula Souza. Enquanto aluno da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, em 1923, foi acometido pela tuberculose, doença que o afastaria temporariamente dos estudos. Mudou-se para Belo Horizonte, onde, mesmo em tratamento, conseguiu concluir os estudos na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, em 1927. Dois anos depois seguiu para a França a fim de fazer o Curso de Aperfeiçoamento em Tisiologia na Faculdade de Medicina de Paris com o professor Leon Bernard. De volta ao Brasil, em 1930, assumiu a direção do Sanatório São Paulo, atividade que exerceu até 1932. O sucesso de sua administração resultou na organização de um conjunto de sanatórios beneficentes, voltados para pacientes de tuberculose, denominado Associação de Sanatórios Populares (Sanatorinhos), do qual foi presidente de honra. Nesse mesmo período exerceu a clínica particular, atividade que desempenhou até 1945. Ainda em São Paulo, ingressou, como assistente voluntário, na Clínica do Instituto de Higiene de São Paulo, tornando-se funcionário efetivo em 1938. Quando, em 1945, o instituto transformou-se em Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), passou a professor catedrático de tisiologia, tendo sido diretor da faculdade em 1953-1959 e 1961-1962. Organizou, ainda, o Serviço de Inspeção de Saúde de estudantes e funcionários da USP, onde respondeu pela área de pneumologia. Posteriormente, quando o serviço transformou-se em Instituto de Saúde e Serviço Social da Faculdade de Higiene e Saúde Pública, assumiu sua direção. Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro a fim de dirigir o Serviço Nacional de Tuberculose (SNT) a convite de Ernesto de Souza Campos, ministro da Educação e Saúde. Condicionou sua ida para o SNT à autonomia na elaboração e gestão de uma campanha de cunho nacional contra a doença. Uma vez traçadas as linhas básicas de trabalho, foi criada a Campanha Nacional Contra a Tuberculose (CNCT), em 1946, da qual ocupou a superintendência até 1951. Ao deixar nesse ano o SNT e a CNCT, retornou a São Paulo, onde, paralelamente às atividades desenvolvidas na faculdade, assumiu a Divisão dos Serviços de Tuberculose da Secretaria de Saúde do estado. Ficou no cargo de 1967 a 1968, e foi responsável pela Coordenadoria de Saúde da Comunidade de 1968 a 1970. Foi também diretor da Divisão dos Serviços de Tuberculose da Secretaria de Saúde de São Paulo, membro da Comissão Técnica da Divisão Nacional de Tuberculose, da Comissão Científica da Federação Brasileira de Tuberculose, da Comissão de Peritos sobre Tratamento da Tuberculose e da Divisão Nacional de Pneumologia Sanitária, além de consultor da Organização Pan-Americana da Saúde no Curso de Pós-Graduação de Sanitaristas da Escola de Saúde Pública do México, em 1962. Morreu em 2 de junho de 1999.

Renato Ferraz Kehl

  • BR RJCOC RK
  • Pessoa
  • 1889-1974

Nasceu em 22 de agosto de 1889, em Limeira (SP), filho de Joaquim Maynert Kehl e Rita de Cássia Ferraz Kehl. Formou-se aos vinte anos pela Escola de Farmácia de São Paulo e, posteriormente, em 1915, doutorou-se em medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Exerceu a clínica em São Paulo durante alguns anos. Interessou-se pelos princípios da eugenia e fundou em 1918 a Sociedade Eugênica de São Paulo, com 140 médicos. Lutando pela difusão e implantação das ideias eugênicas, realizou conferências no Brasil, publicou cerca de trinta livros e inúmeros artigos em jornais. Durante alguns anos exerceu o cargo de inspetor sanitário rural do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), no qual organizou o Serviço de Educação Sanitária ligado à Inspetoria da Lepra e das Doenças Venéreas, tendo sido também o criador do Museu de Higiene, apresentado por esse serviço nas Comemorações do Centenário da Independência, em 1922. No museu realizou uma exposição da campanha educativa e sanitária que deveria ser instalada no país, na qual incluiu objetos e fotografias que mostravam as habitações típicas das áreas rurais infestadas de insetos transmissores de doenças. No Departamento de Saneamento e Profilaxia Rural do DNSP trabalhou entre 1919 e 1922 como inspetor sanitário rural e chefe do posto de Meriti (RJ), e depois passou para o Serviço de Educação e Propaganda Sanitária, de 1923 a 1924. Tendo se exonerado do cargo de inspetor sanitário do DNSP, ingressou na empresa Bayer, a princípio como farmacêutico e depois como diretor. Nessa companhia dirigiu durante muitos anos os periódicos Os Farmacêuticos Brasileiros e Revista Terapêutica, que circulavam largamente entre os médicos de todo o país. Em 1933 ingressou na Academia Nacional de Medicina. Entre seus livros destacam-se Eugenia e medicina social, O médico do lar, Aparas eugênicas, A cura da fealdade, Lições de eugenia, Bíblia da saúde e Pais, médicos e mestres. Morreu em 14 de agosto de 1974, no Rio de Janeiro.

Sólon de Camargo

  • BR RJCOC SC
  • Pessoa
  • 1912-1993

Nasceu em 27 de junho de 1912, em Alfenas (MG), filho de João de Camargo e Amélia de Oliveira Camargo. Em 1935 graduou-se em medicina pela Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemmaniano do Brasil. Em 1937 iniciou sua trajetória profissional no campo da saúde pública ao ingressar no Serviço de Febre Amarela, que esteve a cargo da Fundação Rockefeller até 1939, quando passou para a esfera administrativa do Ministério da Educação e Saúde, sob a denominação de Serviço Nacional de Febre Amarela. Nesses órgãos atuou como médico (1937-1940) e chefe (1939-1946) dos setores Pernambuco, Ceará, Espírito Santo e Piauí, e chefe (1946-1950) da Circunscrição Nordeste. De 1950 a 1965, por meio de convênio celebrado entre o governo brasileiro e a Repartição Sanitária Pan-Americana, da Organização Mundial da Saúde, foi médico e consultor especializado junto a diversos países do continente americano, como Guatemala, Argentina, Colômbia, Venezuela e Jamaica. As ações empreendidas no período se concentraram em torno da supervisão e treinamento de recursos humanos para o controle da febre amarela, erradicação do Aedes aegypti e administração sanitária em geral. Em 1961 tornou-se mestre em saúde pública pela Escola de Higiene e Saúde Pública da Universidade de Johns Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos. De volta ao Brasil, trabalhou no Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERu), do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), entre 1965 e 1968. Além do cargo de chefe do Núcleo Central de Pesquisas da Guanabara (1966-1968), também respondeu pela coordenação, no bairro de Jacarepaguá, do plano piloto estabelecido pelo diretor do INERu, José Rodrigues da Silva, para o controle da esquistossomose mansônica em áreas experimentais, identificadas por seus altos índices de ocorrência da doença (1965). Na Superintendência de Campanhas de Saúde Pública, criada a partir da fusão do DNERu e das Campanhas de Erradicação da Varíola e da Malária, exerceu os seguintes postos de comando: chefe da Circunscrição Guanabara (1970), chefe da Campanha Contra a Esquistossomose e outras Verminoses, da Divisão de Campanhas (1972-1973) e diretor da Divisão de Esquistossomose do Departamento de Erradicação e Controle de Endemias (1977-1979). Após a aposentadoria, ocorrida em 1978, atuou no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de 1980 a 1985. Nesse último ano foi cedido pelo CNPq à Fiocruz, onde desenvolveu atividades de ensino e pesquisa no Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos da Escola Nacional de Saúde Pública até 1990. Integrou ainda o Colégio Médico do Norte de Santander, Colômbia (1958), a Associação Americana de Saúde Pública (1964), a Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene (1965), a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (1966) e a Sociedade Argentina de Parasitologia (1979), entre outras instituições médico-científicas. Morreu em 22 de abril de 1993, no Rio de Janeiro.

Victor Tavares de Moura

  • BR RJCOC VT
  • Pessoa
  • 1892-1960

Nasceu em 12 de abril de 1892, em Nazareth (PE), filho de João de Moura Vasconcelos e Davina de Moura Tavares. Em 1906 ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, mas concluiu o curso em 1913 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Entre 1916 e 1918 fez cursos em Paris e Berlim, especializando-se em cirurgia, e regressou em seguida a Pernambuco, em consequência da Primeira Guerra Mundial. Em Recife foi diretor do posto de Assistência, da Diretoria de Higiene e Saúde Pública. Em 1920 foi nomeado médico da prefeitura de Garanhuns e dois anos depois coordenou a campanha contra a peste bubônica. Exerceu a profissão de médico sanitarista e foi nomeado, em 1928, diretor do Hospital Santa Francisca, em Barreiros. A essa atividade acumulou, entre 1928 e 1930, as funções de chefe do posto de Saneamento Rural e diretor do Centro de Saúde anexo ao hospital. De volta a Recife em 1930, atuou como epidemiologista até 1934. No ano seguinte transferiu-se para o Rio de Janeiro para trabalhar como médico da prefeitura do Distrito Federal. Posteriormente foi assistente de clínica sifilográfica da Diretoria Geral de Assistência Municipal e médico dos Institutos de Aposentadorias e Pensões dos Bancários (IAPB) e dos Comerciários. Em 1937 foi nomeado chefe do Albergue da Boa Vontade, pelo interventor federal cônego Olímpio de Melo. Em virtude da Lei de Desacumulação deixou o IAPB em 1938, ao optar pelo cargo que ocupava na prefeitura. Exerceu as funções de adido chefe e diretor na Secretaria Geral de Saúde e Assistência. Em 1941 constituiu uma comissão para o estudo das favelas, tornando-se um dos responsáveis pela execução do projeto piloto dos Parques Proletários, o primeiro dos quais inaugurado em 1939 no bairro carioca da Gávea. No contexto da Segunda Guerra Mundial tomou parte, em janeiro de 1943, da comissão denominada Mobilização Econômica, cujo objetivo era encaminhar trabalhadores para a extração de borracha na região amazônica. Nesse mesmo ano tornou-se chefe do Serviço Social, que, transformado em Departamento de Assistência Social, teve-o como seu primeiro diretor. Entre 1944 e 1958 foi professor das cadeiras de medicina social e sociologia da Escola de Enfermeiras Rachel Haddock Lobo. Em 1949, a convite de Euvaldo Lodi, presidente da Confederação Nacional da Indústria, assumiu o cargo de chefe de serviço para a divisão regional do Rio de Janeiro do Serviço Social da Indústria, onde permaneceu até 1953. Ainda em 1949 participou do I Congresso Americano de Medicina do Trabalho, em Buenos Aires, Argentina. Em 1951 tornou-se membro da Associação Brasileira de Medicina do Trabalho e organizou o II Congresso Americano de Medicina do Trabalho, realizado no Brasil em 1952, ocasião em que foi agraciado com a medalha de ouro. Apesar da especialização em cirurgia, trocou a medicina curativa pela preventiva e dedicou-se inteiramente à medicina social e do trabalho, à prevenção de acidentes e doenças profissionais. Morreu em 3 de novembro de 1960, no Rio de Janeiro.

Wilson Fadul

  • BR RJCOC WF
  • Pessoa
  • 1920-2011

Nasceu em 4 de fevereiro de 1920, na cidade de Valença (RJ), filho de André e Angelita Fadul. Formou-se pela Faculdade Fluminense de Medicina, atual Universidade Federal Fluminense, em 1945. No ano seguinte ingressou por concurso na Aeronáutica como segundo-tenente médico, tendo sido designado para servir em Campo Grande (MT). Em 1950 iniciou nessa cidade sua carreira política, quando foi eleito vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), legenda pela qual sempre se elegeu. Em 1952 tornou-se presidente da Câmara Municipal e no ano seguinte venceu as eleições para a Prefeitura de Campo Grande, após o assassinato do prefeito Ary Coelho de Oliveira em evento político do PTB na cidade de Cuiabá. Em 1954 foi eleito deputado federal por Mato Grosso, sendo reeleito nos anos de 1958 e 1962. Na Câmara dos Deputados atuou como primeiro-secretário da Mesa Diretora em 1957 e também membro de comissões permanentes e comissões parlamentares de inquérito. No ano de 1960 candidatou-se ao cargo de governador do estado, mas ficou em segundo lugar, sendo derrotado por Fernando Corrêa da Costa, candidato da União Democrática Nacional. Em 1963 se licenciou da Câmara dos Deputados para assumir o Ministério da Saúde no governo do presidente João Goulart. Durante a sua gestão foi realizada uma pesquisa sobre a indústria farmacêutica no país, que revelou enorme desnacionalização do setor. Com esses dados, o governo federal criou o Grupo Executivo da Indústria Farmacêutica Nacional, cujo objetivo era defender a indústria brasileira de medicamentos. Ainda como ministro convocou a III Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1963 na Academia Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, com o objetivo de fixar as bases de uma política nacional de saúde, bem como chefiou a delegação brasileira presente na XVII Assembléia Mundial de Saúde, promovida pela Organização Mundial da Saúde, em Genebra (Suíça), em março de 1964. Após o golpe militar ocorrido ainda em março de 1964, que encerrou o governo de João Goulart, foi demitido do Ministério da Saúde e voltou à Câmara dos Deputados. Em junho teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos pelo Ato Institucional nº 1 (AI-1). Com a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1968 seguiu para a França. Em 2012, após a sua morte, a Câmara dos Deputados realizou uma cerimônia para devolver simbolicamente os mandatos aos deputados federais cassados. No final da década de 1970, com a aprovação da Anistia, retornou ao Brasil e foi um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista liderado por Leonel Brizola. Concorreu ao governo de Mato Grosso do Sul em 1982, mas não obteve sucesso no pleito. De volta ao Rio de Janeiro atuou como vice-presidente e presidente do Banco do Estado do Rio de Janeiro durante os governos de Leonel Brizola no Rio de Janeiro nas décadas de 1980 e 1990. Em 2011 foi homenageado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul com a instituição da Comenda do Mérito do Trabalho Ministro Wilson Fadul. Morreu em 18 de outubro de 2011, no Rio de Janeiro.

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