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registro de autoridade
Sanitarista

Joaquim Alberto Cardoso de Melo

  • BR RJCOC ME
  • Pessoa
  • 1936-1993

Nasceu em 26 de outubro de 1936, em Pirajuí (SP), filho de José Maria Cardoso de Melo e Gelsumina Castiglione Cardoso de Melo. Em 1961 formou-se em odontologia pela Faculdade de Farmácia e Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), onde também obteve os títulos de dentista sanitarista e de educador de saúde pública pela Faculdade de Saúde Pública em 1966 e 1967, respectivamente. Atuou em consultório odontológico entre 1962 e 1967. Neste último ano ingressou na vida acadêmica como professor de cursos de graduação, pós-graduação e extensão nas seguintes instituições: USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Estadual de Londrina, Escola Paulista de Medicina, Fundação Municipal de Ensino Superior de Marília, Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, Sindicato de Serviço Social de Volta Redonda e Sociedade Brasileira de Pediatria, entre outras. Em 1976 obteve o título de doutor em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, defendendo a tese A prática da saúde e a educação. No ano seguinte ingressou na Fiocruz como professor adjunto do Departamento de Ciências Sociais da Escola Nacional de Saúde Pública. Colaborou significativamente com a formulação do projeto do curso regular de ensino médio da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Morreu em 27 de junho de 1993, no Rio de Janeiro.

Laerte Manhães de Andrade

  • BR RJCOC LA
  • Pessoa
  • 1910-2003

Nasceu em 9 de dezembro de 1910, em Campos dos Goytacazes (RJ), filho de Lafaiete Manhães de Andrade e Amélia dos Santos Andrade. Graduou-se em 1936 pela Faculdade Fluminense de Medicina, atual Universidade Federal Fluminense. De 1931 a 1938 atuou como auxiliar de laboratório do Instituto de Pesquisas da Fundação Gaffrée e Guinle e, em seguida, como assistente de laboratório do Instituto Neuro-Sífilis (1937-1938) e chefe bacteriologista da Seção de Laboratórios do Instituto Parreiras Horta em Sergipe (1938-1941). Como biologista do Departamento Nacional de Saúde (DNS), de 1941 a 1945, desenvolveu atividades em delegacias federais de saúde dos estados do Pará, Pernambuco, Alagoas e Mato Grosso. Ainda nesse período estagiou na Seção de Bacteriologia do Laboratório de Saúde Pública do Rio de Janeiro (1938), subordinado ao DNS, e realizou o Curso de Saúde Pública do IOC (1945). Ingressou nessa instituição no ano seguinte como médico sanitarista concursado do Ministério da Educação e Saúde e foi designado para os cargos de chefe da Seção de Bioclimatologia da Divisão de Higiene (1946-1962), chefe do Laboratório de Tuberculose da Divisão de Microbiologia e Imunologia (1946-1966), professor (1950-1964) e coordenador (1958) de cursos, secretário e assistente da direção (1959-1961) e chefe do Serviço de Documentação da Divisão de Ensino e Documentação (1962-1964). Além disso, teve atuação no Laboratório de Tuberculose do Instituto de Microbiologia da Universidade do Brasil (1951-1957), no laboratório da Divisão de Biologia e Química do Instituto Vital Brasil (1957-1960) e no Instituto de Saúde Pública da Bahia (1948-1950), sempre em postos de comando. Em 1966 foi removido para o Serviço Nacional de Tuberculose do Ministério da Saúde, onde respondeu pelo Setor de Pesquisas Bacteriológicas do Laboratório Central de Tuberculose até 1974. Entre 1976 e 1979 chefiou a Coordenação da Rede Nacional de Laboratórios de Bacteriologia da Tuberculose da Divisão Nacional de Tuberculose do MS. Em 1977 foi bolsista da Organização Pan-Americana da Saúde para visita a programas de tuberculose na Colômbia, Venezuela e Argentina. Aposentou-se em 1980, mas permaneceu desenvolvendo suas atividades de pesquisa e ensino junto ao Instituto de Tisiologia e Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1979-1987) e à Divisão Nacional de Pneumologia Sanitária do MS (1979-1986). Integrou a Sociedade Brasileira de Higiene, a Sociedade Americana de Bacteriologistas, a Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Sociedade Brasileira de Microbiologia, a Federação Latino-Americana de Coleções de Culturas Microbianas, o Grupo de Trabalho Internacional sobre Taxonomia Mycobacterial e a União Internacional contra a Tuberculose. Foi casado com Celima Manhães de Andrade. Morreu em 6 de maio de 2003, no Rio de Janeiro.

Lourival Ribeiro da Silva

  • BR RJCOC LR
  • Pessoa
  • 1907-1996

Nasceu em 4 de setembro de 1907, em Santo Antonio de Pádua (RJ), filho de Américo Ribeiro da Silva e Sebastiana Gonçalves da Silva. Concluiu o curso de medicina em 1934, pela Faculdade Fluminense, atual Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense. Em 1936 especializou-se em tuberculose, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Além de médico tisiologista atuou como radiologista, professor e memorialista. De 1937 a 1943 foi médico do Departamento de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. Entre 1944 e 1945 participou das operações de guerra na Itália, como tenente médico da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Ainda em 1944 ingressou como médico sanitarista da Divisão Nacional de Tuberculose, do então Ministério da Educação e Saúde. De 1948 a 1951 foi chefe e organizador do Dispensário Escola do Serviço Nacional de Tuberculose. Entre 1952 e 1953 dirigiu o Conjunto Sanatorial de Curicica, posteriormente denominado Conjunto Sanatorial Raphael de Paula Souza. Presidiu a Sociedade Brasileira de Tuberculose, no biênio 1952-1954. Em 1956 assumiu a direção do Serviço Nacional de Tuberculose, cargo que ocupou até 1958. Foi membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1977) e da Academia Nacional de Medicina (1987). Morreu em 1996, no Rio de Janeiro.

Manoel Isnard de Souza Teixeira

  • Pessoa
  • 1912-1998

Nasceu a 6 de maio de 1912, em Itapipoca (CE). Realizou seus primeiros estudos em Fortaleza, viajando em 1927 para Salvador, onde frequentou o curso preparatório. Em 1933, diplomou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia, ingressando no ano seguinte no Curso de Aplicação do IOC, onde permaneceu até 1936, quando foi contratado como chefe do laboratório da Inspetoria de Defesa Sanitária Animal, em Fortaleza. Simultaneamente à formação acadêmica, iniciou sua militância política, participando da organização do 1º Congresso Leigo Acadêmico do Brasil. Candidatou-se a deputado federal pela União Sindical da Bahia, em 1933. No ano seguinte, passou a atuar no movimento denominado Ala Médica Reivindicadora e na Juventude Comunista da Bahia, ligada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o que levou a ser preso em 1936. Foi chefe do Serviço de Biologia e diretor científico do laboratório Bezerra S/A, em Fortaleza, de 1938 a 1943, quando seguiu como bolsista do Institute of Interamerican Affairs para os Estados Unidos, onde realizou vários cursos na School of Higiene of Johns Hopkins University. Ao retornar, em 1945, foi convidado para a direção do Instituto Evandro Chagas, do qual se afastou um ano depois, devido às precárias condições de vida no Norte do país. Em 1946, foi encarregado das pesquisas bacteriológicas do Instituto Nacional de Nutrição da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), função que desempenhou paralelamente à de assistente da cadeira de microbiologia e imunologia. Nesse mesmo ano, foi nomeado biologista da Divisão de Organização Sanitária do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), que o designou, em 1947, para chefiar a campanha contra as helmintoses. Desenvolveu, com Amílcar Barca Pellon, o Inquérito Helmintológico Escolar, visando o levantamento das áreas infestadas pela esquistossomose no Brasil, concluído em 1954. A tentativa de fazer valer os interesses dos médicos e sanitaristas nas decisões governamentais relativas à saúde pública fez com que se candidatasse, em 1946, à Assembléia Constituinte, além de participar da criação da Associação Médica do Distrito Federal (AMDF), em 1950. Em 1952, foi nomeado por concurso, médico sanitarista do DNSP, tornando-se chefe do laboratório do Serviço Nacional de Tuberculose, em 1954. Chefiou também o laboratório de pesquisa sobre toxoplasmose e viroses oculares da clínica oftalmológica da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil. A partir de 1959, iniciou uma série de viagens comissionado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), visitando inicialmente o México, Estados Unidos, Canadá e Japão, para estudar a fabricação e aplicação da vacina BCG liofilizada. Foi também à Europa, em 1960, para pesquisar novas técnicas em bacteriologia da tuberculose. Em 1961, de volta ao Brasil, passou a chefiar o laboratório do Instituto Fernandes Figueira (IFF) até 1964, quando teve seu direitos políticos cassados e foi compulsoriamente aposentado sob a acusação de comunismo. De 1964 a 1970, ministrou vários cursos sobre vírus e técnicas de laboratório no Rio de Janeiro e em São Paulo. No período da ditadura militar, continuou militando clandestinamente e participou da Comissão Jurídica Popular, organismo responsável pela apuração de crimes políticos. Em 1973, tornou-se diretor do Instituto Abreu Fialho, sendo nomeado chefe de serviço da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro. Morreu no dia 11 de julho de 1998.

Oswaldo Gonçalves Cruz

  • BR RJCOC OC
  • Pessoa
  • 1872-1917

Nasceu em 5 de agosto de 1872, em São Luiz do Paraitinga (SP), filho de Bento Gonçalves Cruz e Amália Bulhões Cruz. Em 1889 ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde se formou em 1892, apresentando a tese de doutoramento A vehiculação microbiana pelas águas. No ano seguinte instalou em sua residência um pequeno laboratório de microbiologia. Nesse período, assumiu tanto a clínica que pertencera a seu pai como o ambulatório em que ele cuidava dos funcionários da Fábrica de Tecidos Corcovado. Em 1894, a convite de Egydio Salles Guerra, trabalhou na Policlínica Geral do Rio de Janeiro como responsável pela montagem e chefia do laboratório de análises clínicas que apoiava o Serviço de Moléstias Internas. No mesmo ano, auxiliou o Instituto Sanitário Federal, chefiado por Francisco Fajardo, a diagnosticar o cólera como a epidemia reinante no vale do Paraíba. Em 1897 foi para Paris, onde estudou microbiologia, soroterapia e imunologia no Instituto Pasteur e medicina legal no Instituto de Toxicologia. Retornou em 1899, reassumiu seu cargo na Policlínica e foi convidado para fazer parte da comissão chefiada por Eduardo Chapot-Prévost a fim de verificar a mortandade de ratos responsável pelo surto de peste bubônica em Santos. De volta ao Rio de Janeiro, foi convidado a ocupar a direção técnica do Instituto Soroterápico Federal que estava sendo construído na Fazenda Manguinhos, comandado pelo barão de Pedro Affonso, proprietário do Instituto Vacínico Municipal, e cujo funcionamento se iniciou em 1900. Em 1902, após divergências internas que provocaram a exoneração do barão, passou a dirigir sozinho a instituição. No ano seguinte, assumiu o comando da Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP) com o desafio de empreender uma campanha sanitária para combater as principais doenças que grassavam na capital federal: febre amarela, peste bubônica e varíola. Os métodos utilizados em relação às epidemias de febre amarela e peste bubônica abarcaram desde o isolamento dos doentes, a notificação compulsória dos casos positivos, a captura de mosquitos e ratos, até a desinfecção das moradias situadas em zonas de focos. Em 1904, após a aprovação da lei da vacinação antivariólica obrigatória, ocorreu uma revolta popular, seguida da tentativa de golpe por parte dos militares – episódio denominado de Revolta da Vacina. Durou uma semana e foi sufocada com saldo de mortos, feridos e presos, o que levou à revogação da obrigatoriedade. Entre 1905 e 1906 realizou, pela DGSP, uma expedição a trinta portos marítimos e fluviais de Norte a Sul do país com o objetivo de estabelecer um código sanitário de acordo com os preceitos internacionais. Em 1907 recebeu a medalha de ouro em nome da seção brasileira presente no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim. Terminado o evento, foi a Paris, com o objetivo de estreitar laços científicos com o Instituto Pasteur, e em seguida a Nova York, onde conheceu o Instituto de Pesquisas Médicas. Nesse período, cumprindo missão delegada pelo governo brasileiro, reuniu-se com o presidente Theodore Roosevelt para lhe garantir que a esquadra norte-americana poderia desembarcar na capital federal sem temer a febre amarela. Encontrava-se ainda no exterior quando, em 1907, o presidente Afonso Pena transformou o Instituto Soroterápico Federal em Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos. Em sua volta ao país, no início de 1908, foi recepcionado como herói nacional, e não mais criticado por sua conduta à frente das campanhas sanitárias. Ainda em 1908 o instituto foi denominado Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Em 1909 solicitou sua exoneração da DGSP e optou pela direção do IOC. Em Manguinhos realizou o levantamento das condições sanitárias do interior do país por meio de expedições científicas promovidas pelo IOC, tais como, em 1910, os combates à malária durante a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré, para onde viajou em companhia de Belisário Penna, e à febre amarela, a convite do governo do Pará. Em 1913 ingressou na Academia Brasileira de Letras, e um ano depois foi agraciado com o título de oficial da Ordem Nacional da Legião de Honra da França. Após deixar o comando do IOC no início de 1916, em consequência do agravamento de sua doença renal, foi residir em Petrópolis (RJ), onde ocupou o cargo de prefeito por nomeação de Nilo Peçanha, presidente do estado do Rio de Janeiro. Morreu em 11 de fevereiro de 1917, em Petrópolis.

Pedro Freire Fausto

  • BR RJCOC PF
  • Pessoa
  • 1908-1994

Nasceu em 20 de janeiro de 1908, em Maceió, filho de Antonio Fernandes Fausto e Ana Freire Fausto. Formou-se em 1932 na Faculdade de Medicina da Bahia. Em seguida voltou para sua cidade natal, sendo contratado como médico da Secretaria de Saúde para controlar uma epidemia de varíola em Analandia e municípios limítrofes. Na ocasião, instalou isolamento para tratamento dos doentes e fez a vacinação da população local. Depois disso, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como supervisor de pasteurização de leite na indústria Normandia. Em 1936 ingressou no Serviço de Febre Amarela (SFA), que esteve a cargo da Fundação Rockefeller até 1939, trabalhando como médico assistente no setor Bahia. Em seguida atuou nos estados de Sergipe, São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e novamente Bahia. Em 1940 foi transferido em caráter de urgência para o Espírito Santo com o objetivo de controlar uma epidemia de febre amarela que atingiu todo o estado, onde chefiou a campanha de vacinação contra a doença. Em 1944 afastou-se do Serviço Nacional de Febre Amarela (SNFA), nova denominação do SFA, para atuar no Laboratório Brasileiro de Quimioterapia, sediado no Rio de Janeiro. Como representante do laboratório esteve em Cuba (1947-1949) e no México (1949-1952). Ainda em 1952 retornou ao SNFA e chefiou setores das circunscrições Nordeste e Sudeste do serviço nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro. Em 1955 foi contratado como medical officer pela Organização Pan-Americana da Saúde. Nessa função participou ativamente das campanhas de erradicação da bouba no Haiti (1955-1958) e do Aedes aegypti, mosquito vetor da febre amarela, na Colômbia (1958-1959) e na Venezuela (1959-1968). De volta ao Brasil atuou de 1968 a 1978, ano de sua aposentadoria, no Departamento Nacional de Endemias Rurais, nas Campanhas Nacionais de Erradicação de Endemias e na Superintendência de Campanhas de Saúde Pública. Nesse período deu continuidade às suas atividades de combate à febre amarela, que incluíram a erradicação do Aedes aegypti, a vacinação da população e a vigilância epidemiológica. Morreu em 1994, no Rio de Janeiro.

Phócion Serpa

  • BR RJCOC PS
  • Pessoa
  • 1892-1967

Nasceu em 7 de agosto de 1892, em Campos dos Goytacazes (RJ), filho de Joaquim Francisco Pereira Vasconcellos Serpa e Agripina Paraíso Serpa. Ingressou em 1913 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde se graduou em 1919, com a tese de doutoramento A educação física e moral na puberdade masculina. Ingressou como telegrafista da Repartição Geral dos Telégrafos em 1913, onde permaneceu até 1919. Em 1917 foi nomeado estudante assistente do Serviço de Clínica Médica pelo Instituto de Proteção e Assistência à Infância. Ainda em 1919 foi nomeado médico auxiliar do Serviço de Profilaxia Rural do Distrito Federal, em que passou no ano seguinte a subinspetor sanitário e chefiou os postos da Ilha do Governador e de Pilares. Com a criação do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP) foi promovido, por Carlos Chagas, em 1921, a inspetor sanitário rural. Dois anos depois, ocupou o cargo de chefe de serviço da Diretoria de Saneamento e Profilaxia Rural, nesse mesmo Departamento. Após a Revolução de 1930, assumiu a Secretaria Geral do DNSP e, no ano seguinte, o cargo de chefe de gabinete do ministro interino da Educação e Saúde Pública, Belisário Penna, sem, no entanto, deixar as funções que exercia. Em 1938, durante o Estado Novo, assumiu o cargo de secretário do Conselho Nacional de Serviço Social e do Conselho Nacional de Cultura, por designação de Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde. Como escritor produziu tanto obras literárias – romances, poemas e ensaios, tendo recebido o prêmio Menção Honrosa de Romance em 1930 da Academia Brasileira de Letras – quanto biografias e artigos, com destaque para as biografias de Oswaldo G. Cruz e uma inacabada e inédita de Belisário Penna. Morreu em 28 de janeiro de 1967, no Rio de Janeiro.

Raphael de Paula Souza

  • BR RJCOC RP
  • Pessoa
  • 1902-1999

Nasceu em 19 de maio de 1902, em São Paulo, filho de Calixto de Paula Souza e Elfrida Pacheco de Paula Souza. Enquanto aluno da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, em 1923, foi acometido pela tuberculose, doença que o afastaria temporariamente dos estudos. Mudou-se para Belo Horizonte, onde, mesmo em tratamento, conseguiu concluir os estudos na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, em 1927. Dois anos depois seguiu para a França a fim de fazer o Curso de Aperfeiçoamento em Tisiologia na Faculdade de Medicina de Paris com o professor Leon Bernard. De volta ao Brasil, em 1930, assumiu a direção do Sanatório São Paulo, atividade que exerceu até 1932. O sucesso de sua administração resultou na organização de um conjunto de sanatórios beneficentes, voltados para pacientes de tuberculose, denominado Associação de Sanatórios Populares (Sanatorinhos), do qual foi presidente de honra. Nesse mesmo período exerceu a clínica particular, atividade que desempenhou até 1945. Ainda em São Paulo, ingressou, como assistente voluntário, na Clínica do Instituto de Higiene de São Paulo, tornando-se funcionário efetivo em 1938. Quando, em 1945, o instituto transformou-se em Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), passou a professor catedrático de tisiologia, tendo sido diretor da faculdade em 1953-1959 e 1961-1962. Organizou, ainda, o Serviço de Inspeção de Saúde de estudantes e funcionários da USP, onde respondeu pela área de pneumologia. Posteriormente, quando o serviço transformou-se em Instituto de Saúde e Serviço Social da Faculdade de Higiene e Saúde Pública, assumiu sua direção. Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro a fim de dirigir o Serviço Nacional de Tuberculose (SNT) a convite de Ernesto de Souza Campos, ministro da Educação e Saúde. Condicionou sua ida para o SNT à autonomia na elaboração e gestão de uma campanha de cunho nacional contra a doença. Uma vez traçadas as linhas básicas de trabalho, foi criada a Campanha Nacional Contra a Tuberculose (CNCT), em 1946, da qual ocupou a superintendência até 1951. Ao deixar nesse ano o SNT e a CNCT, retornou a São Paulo, onde, paralelamente às atividades desenvolvidas na faculdade, assumiu a Divisão dos Serviços de Tuberculose da Secretaria de Saúde do estado. Ficou no cargo de 1967 a 1968, e foi responsável pela Coordenadoria de Saúde da Comunidade de 1968 a 1970. Foi também diretor da Divisão dos Serviços de Tuberculose da Secretaria de Saúde de São Paulo, membro da Comissão Técnica da Divisão Nacional de Tuberculose, da Comissão Científica da Federação Brasileira de Tuberculose, da Comissão de Peritos sobre Tratamento da Tuberculose e da Divisão Nacional de Pneumologia Sanitária, além de consultor da Organização Pan-Americana da Saúde no Curso de Pós-Graduação de Sanitaristas da Escola de Saúde Pública do México, em 1962. Morreu em 2 de junho de 1999.

Renato Ferraz Kehl

  • BR RJCOC RK
  • Pessoa
  • 1889-1974

Nasceu em 22 de agosto de 1889, em Limeira (SP), filho de Joaquim Maynert Kehl e Rita de Cássia Ferraz Kehl. Formou-se aos vinte anos pela Escola de Farmácia de São Paulo e, posteriormente, em 1915, doutorou-se em medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Exerceu a clínica em São Paulo durante alguns anos. Interessou-se pelos princípios da eugenia e fundou em 1918 a Sociedade Eugênica de São Paulo, com 140 médicos. Lutando pela difusão e implantação das ideias eugênicas, realizou conferências no Brasil, publicou cerca de trinta livros e inúmeros artigos em jornais. Durante alguns anos exerceu o cargo de inspetor sanitário rural do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), no qual organizou o Serviço de Educação Sanitária ligado à Inspetoria da Lepra e das Doenças Venéreas, tendo sido também o criador do Museu de Higiene, apresentado por esse serviço nas Comemorações do Centenário da Independência, em 1922. No museu realizou uma exposição da campanha educativa e sanitária que deveria ser instalada no país, na qual incluiu objetos e fotografias que mostravam as habitações típicas das áreas rurais infestadas de insetos transmissores de doenças. No Departamento de Saneamento e Profilaxia Rural do DNSP trabalhou entre 1919 e 1922 como inspetor sanitário rural e chefe do posto de Meriti (RJ), e depois passou para o Serviço de Educação e Propaganda Sanitária, de 1923 a 1924. Tendo se exonerado do cargo de inspetor sanitário do DNSP, ingressou na empresa Bayer, a princípio como farmacêutico e depois como diretor. Nessa companhia dirigiu durante muitos anos os periódicos Os Farmacêuticos Brasileiros e Revista Terapêutica, que circulavam largamente entre os médicos de todo o país. Em 1933 ingressou na Academia Nacional de Medicina. Entre seus livros destacam-se Eugenia e medicina social, O médico do lar, Aparas eugênicas, A cura da fealdade, Lições de eugenia, Bíblia da saúde e Pais, médicos e mestres. Morreu em 14 de agosto de 1974, no Rio de Janeiro.

Sólon de Camargo

  • BR RJCOC SC
  • Pessoa
  • 1912-1993

Nasceu em 27 de junho de 1912, em Alfenas (MG), filho de João de Camargo e Amélia de Oliveira Camargo. Em 1935 graduou-se em medicina pela Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemmaniano do Brasil. Em 1937 iniciou sua trajetória profissional no campo da saúde pública ao ingressar no Serviço de Febre Amarela, que esteve a cargo da Fundação Rockefeller até 1939, quando passou para a esfera administrativa do Ministério da Educação e Saúde, sob a denominação de Serviço Nacional de Febre Amarela. Nesses órgãos atuou como médico (1937-1940) e chefe (1939-1946) dos setores Pernambuco, Ceará, Espírito Santo e Piauí, e chefe (1946-1950) da Circunscrição Nordeste. De 1950 a 1965, por meio de convênio celebrado entre o governo brasileiro e a Repartição Sanitária Pan-Americana, da Organização Mundial da Saúde, foi médico e consultor especializado junto a diversos países do continente americano, como Guatemala, Argentina, Colômbia, Venezuela e Jamaica. As ações empreendidas no período se concentraram em torno da supervisão e treinamento de recursos humanos para o controle da febre amarela, erradicação do Aedes aegypti e administração sanitária em geral. Em 1961 tornou-se mestre em saúde pública pela Escola de Higiene e Saúde Pública da Universidade de Johns Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos. De volta ao Brasil, trabalhou no Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERu), do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), entre 1965 e 1968. Além do cargo de chefe do Núcleo Central de Pesquisas da Guanabara (1966-1968), também respondeu pela coordenação, no bairro de Jacarepaguá, do plano piloto estabelecido pelo diretor do INERu, José Rodrigues da Silva, para o controle da esquistossomose mansônica em áreas experimentais, identificadas por seus altos índices de ocorrência da doença (1965). Na Superintendência de Campanhas de Saúde Pública, criada a partir da fusão do DNERu e das Campanhas de Erradicação da Varíola e da Malária, exerceu os seguintes postos de comando: chefe da Circunscrição Guanabara (1970), chefe da Campanha Contra a Esquistossomose e outras Verminoses, da Divisão de Campanhas (1972-1973) e diretor da Divisão de Esquistossomose do Departamento de Erradicação e Controle de Endemias (1977-1979). Após a aposentadoria, ocorrida em 1978, atuou no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de 1980 a 1985. Nesse último ano foi cedido pelo CNPq à Fiocruz, onde desenvolveu atividades de ensino e pesquisa no Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos da Escola Nacional de Saúde Pública até 1990. Integrou ainda o Colégio Médico do Norte de Santander, Colômbia (1958), a Associação Americana de Saúde Pública (1964), a Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene (1965), a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (1966) e a Sociedade Argentina de Parasitologia (1979), entre outras instituições médico-científicas. Morreu em 22 de abril de 1993, no Rio de Janeiro.

Szachna Eliasz Cynamon

  • BR RJCOC SZ
  • Pessoa
  • 1925-2007

Nasceu em 25 de abril de 1925, em Tarnobrzeg, Polônia, filho de Hersz Cynamon e Ryfka Cynamon. Imigrou com sua família para o Brasil em 1933, instalando-se no município de Petrópolis (RJ). Adolescente, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde, por intermédio de seu pai, passou a trabalhar no Departamento de Imprensa e Propaganda. Em 1951 formou-se pela Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Recém-formado iniciou estágio no escritório do conceituado engenheiro russo Greg Zaharov. Aproximou-se então do engenheiro David Grynfogiel, o que lhe valeu em 1952 a ida para o Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), onde iniciou sua trajetória profissional como engenheiro sanitário. Inicialmente trabalhou efetuando cálculos de cimento argamassa para projetos de obras de saneamento básico. Posteriormente foi admitido como engenheiro distrital no Centro de Saúde do SESP em Colatina (ES), região de extração mineral de mica, ferro e pedras preciosas da Companhia Vale do Rio Doce. Entre 1952 e 1954 trabalhou no município mineiro de Governador Valadares, região de produção de aço e ferro gusa. Como subchefe da área de engenharia do SESP coordenou projetos de obras para instalações de tratamento e abastecimento de água e esgoto sanitário. Em 1955 concluiu o curso de especialização na Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo, mesma instituição onde obteve, em 1969, o título de doutor em saúde pública com a tese Procedimentos para equacionamento e projeto de esgotos sanitários de pequenas comunidades. A carreira de engenheiro sanitário também incluiu diversas atividades no campo da educação sanitária, com treinamentos realizados em escolas rurais por diversos estados da federação. Em 1966 ingressou na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), onde criou o Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental e também idealizou a primeira patente tecnológica internacional da Fiocruz, o Valo Aeróbio-anaeróbio de Oxidação ETE – em Escala Piloto da Fiocruz (1996). Foi o principal responsável pela consolidação do ensino no campo da engenharia sanitária na instituição. Ainda no âmbito da ENSP, foi idealizador e coordenador do Projeto Articulado de Melhoria da Qualidade de Vida - Universidade Aberta (1993-2000). Fundou e presidiu a Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos do Complexo de Manguinhos (1994-2002). Entre os prêmios e homenagens que recebeu, destacam-se Personalidade Científica em Desenvolvimento Tecnológico, concedido em 1999 pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária, prêmio pelos serviços prestados à engenharia da saúde, por ocasião do centenário da Organização Pan-Americana da Saúde, e Personalidade da Engenharia Sanitária do Século XX, conferido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro, em 2001. Morreu em 10 de junho de 2007, no Rio de Janeiro.

Victor Tavares de Moura

  • BR RJCOC VT
  • Pessoa
  • 1892-1960

Nasceu em 12 de abril de 1892, em Nazareth (PE), filho de João de Moura Vasconcelos e Davina de Moura Tavares. Em 1906 ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, mas concluiu o curso em 1913 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Entre 1916 e 1918 fez cursos em Paris e Berlim, especializando-se em cirurgia, e regressou em seguida a Pernambuco, em consequência da Primeira Guerra Mundial. Em Recife foi diretor do posto de Assistência, da Diretoria de Higiene e Saúde Pública. Em 1920 foi nomeado médico da prefeitura de Garanhuns e dois anos depois coordenou a campanha contra a peste bubônica. Exerceu a profissão de médico sanitarista e foi nomeado, em 1928, diretor do Hospital Santa Francisca, em Barreiros. A essa atividade acumulou, entre 1928 e 1930, as funções de chefe do posto de Saneamento Rural e diretor do Centro de Saúde anexo ao hospital. De volta a Recife em 1930, atuou como epidemiologista até 1934. No ano seguinte transferiu-se para o Rio de Janeiro para trabalhar como médico da prefeitura do Distrito Federal. Posteriormente foi assistente de clínica sifilográfica da Diretoria Geral de Assistência Municipal e médico dos Institutos de Aposentadorias e Pensões dos Bancários (IAPB) e dos Comerciários. Em 1937 foi nomeado chefe do Albergue da Boa Vontade, pelo interventor federal cônego Olímpio de Melo. Em virtude da Lei de Desacumulação deixou o IAPB em 1938, ao optar pelo cargo que ocupava na prefeitura. Exerceu as funções de adido chefe e diretor na Secretaria Geral de Saúde e Assistência. Em 1941 constituiu uma comissão para o estudo das favelas, tornando-se um dos responsáveis pela execução do projeto piloto dos Parques Proletários, o primeiro dos quais inaugurado em 1939 no bairro carioca da Gávea. No contexto da Segunda Guerra Mundial tomou parte, em janeiro de 1943, da comissão denominada Mobilização Econômica, cujo objetivo era encaminhar trabalhadores para a extração de borracha na região amazônica. Nesse mesmo ano tornou-se chefe do Serviço Social, que, transformado em Departamento de Assistência Social, teve-o como seu primeiro diretor. Entre 1944 e 1958 foi professor das cadeiras de medicina social e sociologia da Escola de Enfermeiras Rachel Haddock Lobo. Em 1949, a convite de Euvaldo Lodi, presidente da Confederação Nacional da Indústria, assumiu o cargo de chefe de serviço para a divisão regional do Rio de Janeiro do Serviço Social da Indústria, onde permaneceu até 1953. Ainda em 1949 participou do I Congresso Americano de Medicina do Trabalho, em Buenos Aires, Argentina. Em 1951 tornou-se membro da Associação Brasileira de Medicina do Trabalho e organizou o II Congresso Americano de Medicina do Trabalho, realizado no Brasil em 1952, ocasião em que foi agraciado com a medalha de ouro. Apesar da especialização em cirurgia, trocou a medicina curativa pela preventiva e dedicou-se inteiramente à medicina social e do trabalho, à prevenção de acidentes e doenças profissionais. Morreu em 3 de novembro de 1960, no Rio de Janeiro.

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