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registro de autoridade

Olga Mendes

  • Pessoa
  • 1913-

Nabor Foster

  • Pessoa
  • 19??-

Miguel Ozório de Almeida

  • Pessoa
  • 1890-1953

Nasceu em 1 de agosto de 1890, no Rio de Janeiro, filho de Gabriel Ozório de Almeida e Carlota Cardoso Ozório de Almeida. Graduou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1911, quando defendeu a tese São os reflexos tendinosos de origem cérebro-espinhal?. Nessa instituição foi interno da cadeira de clínica médica regida por Miguel Couto (1911), preparador interino de fisiologia (1911-1912) e livre-docente de fisiologia (1912), higiene (1915) e física-biológica (1916). Iniciou suas pesquisas científicas com o irmão Álvaro Ozório de Almeida no laboratório de fisiologia por este instalado no porão da casa de seus pais, no bairro do Flamengo, que logo se transformou em um local de reuniões, consultas e estudos para pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Entre 1913 e 1917 atuou como subcomissário de Higiene e Assistência Pública no Rio de Janeiro. Na Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária foi professor de fisiologia (1917-1934), membro fundador da comissão de redação do periódico Archivos da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (1917) e diretor interino (1924). Em 1919 ingressou no Instituto Oswaldo Cruz, onde atuou como assistente (1919-1921), chefe do Laboratório de Fisiologia (1927-1942), chefe de serviço (1938-1942) e chefe da Divisão de Fisiologia (1942-1953). Ocupou também os cargos de diretor do Instituto de Biologia Animal (1933-1934), de diretor-geral da Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social (1934-1935) e de reitor da Universidade do Distrito Federal (1935-1936). Integrou a Comissão Brasileira de Cooperação Intelectual, a Comissão Internacional de Cooperação Intelectual da Liga das Nações e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Foi membro e dirigente da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Nacional de Medicina, da Academia Brasileira de Letras, da Société de Biologie de Paris, da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, da Sociedade de Biologia do Brasil e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, entre outras dentro e fora do Brasil. Morreu em 2 de dezembro de 1953, no Rio de Janeiro.

Ettore Biocca

  • Pessoa
  • 1912-2001

Academia Brasileira de Ciências (ABC)

  • Entidade coletiva
  • 1916-

Fundada como Sociedade Brasileira de Ciências no dia 3 de maio de 1916, no salão nobre da Escola Politécnica do Rio de Janeiro. A iniciativa de sua criação partiu de alguns dos professores dessa Escola, onde ficou inicialmente instalada. Neste local, reuniam-se periodicamente esses professores, assim como pesquisadores do Observatório Nacional, do Museu Nacional e do IOC, recebendo adesão também do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil. O objetivo de promover a ciência pura e desinteressada foi uma característica marcante em toda a primeira fase da Sociedade. Seu primeiro presidente foi Henrique Charles Morize. A partir de 1921 passou a denominar-se Academia Brasileira de Ciências.

Paulo Estevão de Berrêdo Carneiro

  • BR RJCOC PC
  • Pessoa
  • 1901-1982

Nasceu em 4 de outubro de 1901, no Rio de Janeiro, filho de Mario Barbosa Carneiro e Maria Theodora de Berrêdo Carneiro. Em 1919 ingressou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde em 1923 formou-se no curso de química industrial. Como docente atuou no Instituto de Educação do Distrito Federal (1922-1932), na Escola Politécnica do Rio de Janeiro (1923-1927) e na Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro (1932-1934). Em 1927 casou-se com Corina de Lima e Silva, tendo dois filhos: Beatriz Clotilde e Mário Augusto. Em 1931 obteve o grau de doutor em ciências pela Universidade de Paris ao apresentar a tese Le guarana et Paullinia cupana H. B. & K.: contribution à l'étude des plantes à caféine. De 1932 a 1934 trabalhou como chefe da Seção de Pesquisas Agrícolas e Industriais do Instituto de Óleos do Ministério da Agricultura, e entre 1933 e 1935 foi auxiliar técnico do gabinete do ministro da Agricultura Juarez Távora. Nesse período também exerceu os cargos de secretário de Agricultura, Indústria e Comércio de Pernambuco e de diretor do Departamento de Matérias Primas Vegetais e Animais do Instituto Nacional de Tecnologia, do qual foi chefe do Laboratório de Química e Vegetal. Entre 1938 e 1944 foi assistente técnico do Escritório de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil na França e seu vice-diretor nos dois anos seguintes. Ainda em 1944 passou a assistente técnico do gabinete de Alexandre Marcondes Filho, ministro do Trabalho, Indústria e Comércio. Em 1939 realizou o inventário completo dos arquivos de Auguste Comte e contribuiu para a difusão das ideias positivistas no Brasil com a criação da Associação Internacional Casa de Auguste Comte, que dirigiu de 1954 a 1980. No panorama internacional, foi delegado adjunto do Brasil em 1946 na Conferência das Nações Unidas. Ainda nesse ano participou da comissão preparatória da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), quando propôs a criação do Instituto Internacional da Hiléia Amazônica, que se destinaria a atividades de cooperação científica entre o Brasil e demais países. Na UNESCO teve destacada atuação como representante brasileiro (1946-1958), embaixador, chefe da delegação permanente do Brasil (1958-1966), delegado nas Conferências Gerais (1946-1964 e 1968-1978) e membro do Conselho Executivo (1946-1982). Em 1950 assumiu a presidência da Comissão Internacional para a Organização da História Científica e Cultural da Humanidade. Entre 1950 e 1980 foi vice-presidente do Centro Internacional de Crianças. Em 1955 criou em Paris a Casa do Brasil. De 1961 a 1980 presidiu o Comitê Executivo da Campanha Internacional para Salvar os Monumentos da Núbia, no Egito. Integrou a Associação Brasileira de Educação (1924), a Union Rationaliste (1938), a Academia Brasileira de Ciências (1939), a Sociedade de Beneficência Brasileira (1940), o Conselho do Institute Internacionale Philosophie Politique (1953), a Associação Montessori Internacional (1956), o Conselho Indiano de Relações Culturais (1965), o Conselho Deliberativo do Museu de Arte Moderna (1967), a Academia Brasileira de Letras (1971), entre outras. Morreu em 17 de fevereiro de 1982, no Rio de Janeiro.

Martin Spies

  • Pessoa
  • 19??-

Jadyr Vogel

  • Pessoa
  • 1914-2014

Laboratório de Febre Amarela (LAFA)

  • Entidade coletiva
  • 1939-

Quando a primeira epidemia de Febre Amarela ocorreu no Estado do Rio de Janeiro em 1849, alguns surtos da doença já tinham ocorrido no país : Recife (1685) e Salvador (1686 e 1849). De 1850 a 1899 a Febre Amarela propagou-se pelo país, seguindo os caminhos da navegação marítima, o que levou à ocorrência de epidemias em quase todas as províncias do Império. Desde então, a etiologia e a profilaxia da doença passaram a mobilizar a comunidade científica. Em 1881, o médico cubano Carlos Juan Finlay comprovou que o Aedes aegypyti era o transmissor da Febre Amarela. Esta descoberta orientou as ações das primeiras campanhas de combate à doença no Rio de Janeiro e em cidades paulistas ocorridas no início do século passado, inclusive a primeira Campanha contra a Febre Amarela comandada por Emílio Ribas na cidade de Sorocaba (SP) em 1901. O plano de combate à febre amarela no Rio de Janeiro elaborado por Oswaldo Cruz, foi apresentado ao ministro da Justiça em 1 de abril de 1903. A campanha foi desencadeada dias depois, da criação do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela em 1904 pela Diretoria Geral de Saúde Pública (Decreto n. 5.157 de 8 de maio). Em 1916, a Fundação Rockefeller, através de sua agência, a Internacional Health Board (IHB), chega ao Brasil para iniciar estudos e estabelecer contatos com autoridades nacionais visando sua participação na implementação de ações voltadas para a erradicação da febre amarela no litoral brasileiro. Em 1917, inicia-se a cooperação do IHB com governos estaduais e com o governo federal visando a realização de estudos sobre a profilaxia da ancilostomíase e para a criação de serviços de profilaxia geral. (HOCHMAN, 1998:97). Após acordo firmado entre o governo federal brasileiro e a Fundação Rockefeller em 1923, as ações voltadas para a profilaxia e para erradicação da febre amarela no país contaram com participação ativa da Fundação até 1946, quando retirou-se do país. Neste período foram criados o Serviço de Profilaxia Rural (Decreto n.13.358 de 9 de abril de 1919); o Departamento Nacional de Saúde Pública (Decreto n. 3.987 de 2 de janeiro de 1920); o Serviço de Febre Amarela ; o Serviço Cooperativo da Febre Amarela, subordinado ao DNSP; o Departamento Nacional de Saúde Pública (Decreto 19444 de 1 de dezembro de 1930) e o Serviço Nacional de Febre Amarela (Decreto n.1.975 de 23 de janeiro de 1940). Entre 1931 e 1939 a Fundação Rockefeller estreitou sua cooperação com o governo brasileiro, junto primeiramente, ao Serviço Cooperativo da Febre Amarela e posteriormente ao Serviço Nacional de Febre Amarela. Data deste período uma nova visão da etiologia da doença, que admitia sua ocorrência também no meio rural, constatada não só pela presença do mosquito, mas também através de exames post-mortem do tecido hepático. Isto levou a uma mudança nos métodos de combate à febre amarela silvestre, elevando sua eficácia. (COC, 2001, p.87) A partir de 1940, o Serviço Cooperativo de Febre Amarela (SCFA) transfere suas operações ao recém criado Serviço Nacional de Febre Amarela, vinculado ao Ministério da Educação e Saúde (MES) por intermédio de seu Departamento Nacional de Saúde. Segundo depoimento de José Fonseca da Cunha à Casa de Oswaldo Cruz: “A Fundação Rockefeller desenvolvia um trabalho cooperativo com o governo brasileiro. Depois foram para o morro da viúva, enquanto se construía um prédio no campus do Instituto Oswaldo Cruz, que ficou pronto em 1937. Abrigava o Laboratório de Histopatologia de Febre Amarela que fazia todo o trabalho de pesquisa, diagnóstico e produção de vacina contra a Febre Amarela” (HAMILTON, W.; AZEVEDO, N.,1998: p.3). Ainda segundo este depoimento a sede do Serviço de Febre Amarela localizava-se no palácio da Marquesa de Santos em São Cristóvão. Até 1934 as amostras de fígado eram enviadas para o Bahia Yellow Fever Laboratory, inaugurado em 1928 em Salvador. Este Laboratório funcionou até 1937, mas em 1934, parte de suas atividades foi transferida para espaço cedido pela Fundação Gaffré Guinle no Hospital da Tijuca. Em 1937 os laboratórios da Bahia e do Rio de janeiro foram unificados no novo prédio construído em Manguinhos (BENCHIMOL, 2001:141). Em 1936 a Rockefeller contrata e supervisiona a confecção dos primeiros mapas aéreos do interior do Brasil com o objetivo de marcar os contornos dos focos da doença que eram complementados com relatos sobre as condições de vida dos habitantes e a ecologia do lugar. (BENCHIMOL, 2001:129). No mesmo ano, Max Theiler e Henry Smith, da Fundação Rockefeller, chegam a cepa 17D da Febre Amarela. Em 1937, a vacina é testada pela primeira vez no Brasil e em 1940, novo estudo é desenvolvido no sul de Minas Gerais, com a imunização de mais de 5000 pessoas, o que permitiu ajustes para a forma final da vacina (Disponível em: http://www.bio.fiocruz.br/interna/vacinas_historia.htm. Acesso em: 2 de maio de 2007). Em 1938 é demonstrado que os mosquitos silvestres Haemagogus capricornii e Haemagogus leucocelaenus podem ser transmissores naturais da Febre Amarela. Mais tarde, comprova-se que o Haemagogus spesgazzinii, o Aedes scapularis, o o Aedes fluvialilis e Sabethes cloropterus são também transmissores silvestres. (FUNASAfev/ 2001-p.24) Em 1940 é criado o Serviço Nacional de Febre Amarela (SNFA) pelo decreto n. 1.975 de 23 de janeiro, que determina em seu artigo 5º que a fabricação da vacina e as pesquisas científicas relativas à febre amarela seriam realizadas no Instituto Oswaldo Cruz. O regimento do SNFA (decreto n. 8.675 de 4 de fevereiro de 1942) incluía entre seus serviços, o de vacinação e de vicerotomia, sem fazer alusão à fabricação da vacina ou às pesquisas sobre febre amarela. Havia um trabalho cooperativo entre o laboratório da Rockefeller e o SNFA (HAMILTON, AZEVEDO, 1999). O laboratório fazia o trabalho de pesquisa, diagnóstico e produção da vacina contra a febre amarela e o SNFA fazia o trabalho de vacinação, de viscerotomia, além de fornecer os dados epidemiológicos das regiões. Para isto o SNFA dividia o Brasil em circunscrições e setores cujos chefes se encarregavam de organizar os postos de viscerotomia para a coleta de amostras de fígados dos indivíduos que morriam num prazo de dez dias. O laboratório de histopatologia da Rockefeller analisava e proferia o diagnóstico. Os programas de vacinação eram feitos de acordo com os dados epidemiológicos das regiões, de modo que os médicos faziam um diário de campo que deveria ser remetido para o Rio de Janeiro em duas vias, uma para o laboratório de histopatologia e outra para o SNFA a cada 15 dias. O Laboratório de Febre Amarela possuía na sua estrutura desde 1939 as seguintes seções: cartografia, laboratório de entomologia, laboratório de histopatologia, laboratório de sorologia e o laboratório de vacina antiamarílica. 2 O laboratório possuía também um serviço de vacinações que foi transferido de Manguinhos para um escritório na rua México até ser desativado em 1943, quando o SNFA criou , no seu edifício central na avenida Pedro II, em são Cristóvão, um posto de vacinação. Até 1946 o Laboratório da Febre Amarela permaneceu sob o controle da Fundação Rockefeller sob a denominação de Serviço de Estudos e Pesquisas sobre Febre Amarela (SEPFA) (BENCHIMOL, 2001:216). Quando a Rockefeller se retira do Brasil em janeiro de 1946, a Seção de Vacina do Laboratório passou a fazer parte do Serviço Nacional de Febre Amarela (SNFA), sob o nome de Laboratório de Vacina Antiamarílica, graças às articulações de Waldemar Antunes, então diretor do SNFA e ex-funcionário da Rockefeller, e do Ministro Clemente Mariani, ministro da Educação e Saúde, que consideravam que o laboratório deveria estar vinculado ao Serviço de Vacinação. Em 1949, Henrique Beaurepaire Rohan de Aragão demitiu-se da direção do Instituto Oswaldo Cruz por não aceitar a decisão de submeter os laboratórios ao SNFA. Quando Olympio Oliveira Ribeiro da Fonseca assumiu a direção do IOC, o governo revogou a decisão de passar os Laboratórios para o SNFA e o Laboratório de Vacina Antiamalarílica tornou-se a 2º Seção da Divisão de Vírus do Instituto Oswaldo Cruz em janeiro de 1950. O acervo do Laboratório de Histopatologia de Febre Amarela foi transferido para a Divisão de Patologia do IOC em 1949 e, mais tarde foi incorporado à Coleção de Febre Amarela localizada no Departamento de Patologia (assim denominado a partir de 1970). Em 1952, o laboratório produziu 11 milhões de doses da vacina, uma quantidade, na época, extraordinária para deter uma nova onda de febre amarela silvestre, que se aproximou dos centros urbanos do Sudeste. Durante parte deste período, o laboratório antiamarílico, além de fornecer vacinas ao Serviço de Febre Amarela, manteve em atividade as pesquisas e exames relacionados à doença. A partir de meados dos anos 50, os relatórios do Laboratório de Vacina Antiamarílica deixaram de mencionar as atividades de pesquisa no Pavilhão Rockefeller. A partir de então supomos que as atividades de pesquisa foram absorvidas por outras seções e departamentos do IOC. Quando houve a separação das pastas da educação e da saúde, o Ministério da Saúde teve seu regulamento aprovado pelo decreto n. 34.595 de 16 de novembro de 1953. Os seguintes órgãos passaram a compor a estrutura do ministério: Conselho Nacional de Saúde, Departamento Nacional de Saúde e Instituto Oswaldo Cruz. Compunham o Departamento Nacional de Saúde, o Serviço de Biometria Médica; o Serviço de Febre Amarela e as Delegacias Federais de Saúde. O Instituto Oswaldo Cruz ficou com a seguinte estrutura: Divisão de Endemias, Divisão de Fisiologia, Divisão de Higiene, Divisão de Microbiologia e Imunologia, Divisão de Patologia, Divisão de Química e Farmacologia e Divisão de Vírus. A Lei n. 2743, de 6 de março de 1956 criou o Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNRu) ao qual competia organizar e executar pesquisas e promover o combate à malária, leishmaniose, doença de Chagas, febre amarela, esquistossomose, peste, brucelose, ancilostomose, filariose, hidatidose, bouba, bócio endêmico, tracoma, e outras endemias existentes no país. Foram incorporados ao Departamento Nacional de Endemias Rurais os Serviços Nacionais de Malária, Peste e Febre Amarela. A Competência de realizar pesquisas e estudos sobre as endemias supracitadas e aperfeiçoar os métodos profiláticos destinados a combatê-las, assim como o estabelecimento das normas para inquéritos sobre as referidas doenças e a sua realização ficou a cargo do Instituto Nacional de Endemias Rurais subordinado ao DNRu. Em 1958, o DNRu considerou erradicado o Aedes Aegypti no Brasil e reduziu a equipe da coordenação da febre amarela mantendo apenas os serviços de vacinação e vicerotomia, o de vigilância dos aeroportos, portos marítimos e fluviais e às localidades situadas nas fronteiras. Em 1960 o Laboratório de Vacina Antiamarílica transferiu-se para o Pavilhão Henrique Aragão no campus de manguinhos onde se encontra até hoje. Em 1970, foi criada a Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) através do Decreto n.º 66623 de 22 de maio, resultado da fusão do DNERu e das Campanhas de Erradicação da Varíola e da Malária. Neste mesmo ano, pelo Decreto n. 66624, a Fundação de Recursos Humanos para a Saúde foi transformada em Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), e o INERu a ela integrado. Pelo Decreto n.º 67049, de 13 de agosto de 1970, o INERu passou a se chamar Instituto de Endemias Rurais, ficando subordinado à direção do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) como órgão autônomo. Compunham a estrutura do Instituto Oswaldo Cruz no novo regimento os departamentos de Microbiologia e Imunobiologia, Zoologia Médica, Patologia e Doenças Tropicais, Química e Terapêutica Experimental eTecnologia. A Coordenação de Órgãos Autônomos, tinha por atribuição a supervisão das atividades dos Institutos de Endemias Rurais, Leprologia, Fernandes Figueira e Evandro Chagas. Foi também instituído como um dos órgãos centrais da Fiocruz em 1970 o Instituto de Produção de Medicamentos – IPROMED – resultado da fusão do Serviço de Produtos Profiláticos do DNRu com o Departamento de Soros e vacinas do Instituto Oswaldo Cruz. A extinção do IPROMED, em 1976, deu origem ao Laboratório de Tecnologia em Produtos Biológicos de Manguinhos (Bio-Manguinhos) e o Laboratório de Tecnologia em Quimioterápicos de Manguinhos (Far-Manguinhos) De acordo com a Norma Regulamentar n. 05/78, de 15 de outubro de 1978, o Laboratório de Febre Amarela passou a fazer parte da estrutura organizacional de Bio-Manguinhos. A Norma Operacional n. 02/78, de 1 de novembro de 1978, detalhou a estrutura de Bio-Manguinhos e discriminou as seguintes atribuições do Laboratório de Febre Amarela:
a) assistir e assessorar o Superintendente de Bio-Manguinhos;
b) produzir vacinas contra a Febre Amarela;
c) dirigir, coordenar e controlar a execução das atividades do processo
produtivo de vacinas contra a Febre Amarela;
d) treinar pessoal técnico;
e) elaborar e apresentar relatório de atividades;
f) manter sistemático relacionamento com as unidades da Fiocruz,
visando a integração das unidades.
Cabia ao Laboratório de Desenvolvimento e Controle de Vacinas e Matérias Primas controlar biológica e fisicoquimicamente as vacinas produzidas por Bio- Manguinhos de acordo com legislação pertinente. Por volta de 1983, o laboratório ficou subordinado a Coordenadoria de Desenvolvimento e Produção de Vacinas Virais, depois a Diretoria de Produção II e, a partir de 1987, passou a fazer parte do Departamento de Produção II (DEPRO II). O DEPRO II tinha as seguintes atribuições: procedimentos e processos de planejamento,
produção, análise, desenvolvimento tecnológico, controle, acompanhamento e bom andamento das atividades ligadas as vacinas contra a Febre Amarela, Sarampo e outras atividades dentro de sua área de atuação. O Laboratório de Febre Amarela era composto pelos setores de Produção de Vírus; de Lavagem e Preparo de Materiais e de Preparo de Vacinas. Desenvolvia as seguintes atividades: planejamento, desenvolvimento de processos e procedimentos de produção de células, vírus-semente, insumos, ajustes de concentração de vírus, estocagem de concentrados virais, titulação durante processo, formulação de vacinas, processos de envasamento, liofilização e recravamento de envasados, e outras atividades típicas de sua área de atuação. Ao Setor de Produção de Vírus cabiam as seguintes atribuições: os processos e procedimentos de produção e processamento de células e vírus necessários à produção de concentrados virais, ajuste e padronização de concentração de vírus, formulação, envase, liofilização, recravação e pré-estocagem da vacina. Ao Setor de Lavagem e Preparo de Materiais caberiam a lavagem e preparo de materiais e equipamentos necessários aos processos e procedimentos de vírus vacinal. Ao Setor de Preparo de Vacinas caberia a produção de vacinas contra a Febre Amarela. Atualmente, segundo a portaria 006/05 de Bio-Manguinhos, o Laboratório de Febre Amarela (LAFAM) encontra-se subordinado ao Departamento de Vacinas Virais, criado em 2002, que, por sua vez está subordinado à Vice-diretoria de Produção. Ao LAFAM pertencem os seguintes setores:
SEOVO - Setor de Ovoscopia;
SELPM - Setor de Lavagem e Preparo de Materiais;
SEPVI - Setor de Produção de Vírus;
SEFAM - Setor de Formulação da Febre Amarela
Hoje, a Fiocruz é responsável por 80% da produção mundial da vacina antiamarílica.

Dalton Mario Hamilton

  • Pessoa
  • 1932-2008

Nasceu em 15 de agosto de 1932, em Buenos Aires, Argentina. Formado em Medicina pela Universidade de Buenos Aires, em 1958, especializou-se em pediatria, clinicando em hospital da rede pública e participando das campanhas de combate à diarreia estival. Seu interesse pela saúde pública levou-o a realizar o curso de pós-graduação da Escola Nacional de Saúde Pública de Buenos Aires, em 1963, e o Master of Science em População na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Desde então, sua atuação profissional se desenvolveu em três áreas intimamente relacionadas: sistemas de informação, investigação e planejamento em saúde. Ainda em 1963, foi contratado pelo Ministério da Saúde Pública para implantar, na província de Tucumán, o Programa de Estatísticas Vitales e Información Básica para los Servicios Públicos de Salud, experiência que foi estendida a todo o território argentino. De 1969 a 1973, participou do Projeto Estudio sobre Salud y Educación Médica, inicialmente como chefe da equipe de demografia e depois como diretor executivo, desenvolvendo pesquisas relacionadas ao planejamento global de atenção médica, estudos sobre a formação e oferta de recursos humanos e sobre a rede de serviços de saúde. A crise política na Argentina e o consequente golpe militar, ocorrido em 1976, levou-o a exilar-se no Brasil onde, após uma rápida passagem como consultor da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), foi convidado pela Unidade de Planificação, Pesquisa e Programas Especiais (PAPPE) do Ministério da Saúde, para assessorar a programação do Sistema Integrado de Prestação de Serviços de Saúde de Montes Claros, em Minas Gerais, e de Caruaru, em Pernambuco. De setembro de 1978 a 1986, foi pesquisador titular da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz, exercendo atividades de pesquisa e docência na área de planejamento em saúde. Entre 1986 e 1989, ocupou os cargos de superintendente de administração geral e superintendente de planejamento da FIOCRUZ. Foi vice-diretor da ENSP em 1991 e 1992 e vice-presidente de desenvolvimento institucional da FIOCRUZ de 1993 a 1996. Faleceu em 25 de julho de 2008.

Celso Barroso Leite

  • Pessoa
  • 1917-?

Nasceu em Santo Antônio de Pádua (RJ), em 6 de novembro de 1917. Formou-se bacharel em direito e jornalismo, e mestre em jornalismo pela Universidade de Siracuse (Estados Unidos). Funcionário do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI) através de concurso público, exerceu, entre outros cargos, o de chefe do serviço de divulgação e diretor do Departamento de Benefícios. Fundador e primeiro diretor da revista Industriários, foi secretário-geral do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS), tendo ocupado o cargo de ministro interino. Além disso, exerceu a função de secretário de Previdência Social, do Ministério de Previdência e Assistência Social (MPAS), e coordenador das comissões de Intercâmbio Internacional e de Acordos Internacionais de Previdência Social. Assessorou a Coordenação-Geral do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), e foi também diretor-executivo da Coordenação do Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES). Entre as suas principais atribuições, destacam-se a de assessor-técnico da comissão instituída para estudar a reformulação da Previdência Social, em 1964, relator da comissão que elaborou o regimento geral da Previdência Social, em 1967, membro da comissão de elaboração do projeto que, transformado em lei, incluiu o seguro de acidentes do trabalho na Previdência Social; e da comissão de sua regulamentação. Chefiou a delegação brasileira na reunião de ministros responsáveis pelo bem-estar social, em 1968, e foi membro das delegações brasileiras na Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra, em 1968 e 1974. Presidiu ainda a reunião de peritos sobre prevenção e reparação dos acidentes de trabalho, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1979, coordenou o grupo que preparou a Consolidação das Leis da Previdência Social, em 1977, e sua atualização em 1984. Participou da comissão que preparou o desdobramento do Ministério do Trabalho e Previdência Social em dois ministérios (MT e MPAS). Foi pesquisador bolsista do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), membro do Comitê Consultivo sobre pesquisas em seguridade social, da Associação Internacional de Seguridade Social (AISS).

Demisthóclides Baptista

  • Pessoa
  • 1925-1993

Nasceu em Cachoeiro de Itapemirim (ES), em 18 de outubro de 1925. Batistinha, como era mais conhecido, era filho de um ferroviário da Estrada de Ferro Leopoldina e teve 11 irmãos, dos quais sete morreram de tuberculose na infância. Aos 16 anos, ingressou na Estrada de Ferro Leopoldina, onde trabalhou até ser demitido por motivos políticos, em 1964. Foi eleito presidente do Sindicato dos Ferroviários da Leopoldina, em 1954, quando então comandou uma greve que resultou na intervenção do sindicato pelo Ministério do Trabalho. Participou também da articulação do Pacto da Unidade e Ação (PUA), movimento que congregou portuários, ferroviários e marítimos, e posteriormente o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Com a promulgação da Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS), em 1960, e a instituição da direção colegiada nos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs), atuou como representante dos trabalhadores na Junta de Julgamento e Revisão (JJR) do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários e Empregados do Serviço Público (IAPFESP). Em Cachoeiro do Itapemirim, além de atuar no movimento sindical, foi também professor secundário, diretor da Casa do Estudante e jornalista do Correio do Sul, o Arauto e Sete Dias. Eleito deputado federal com 38 mil votos, por uma coligação integrada pelo Movimento Trabalhista Renovador (MTR), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e pelo Partido Social Trabalhista (PST), cumpriu apenas 14 meses de mandato. Cassado em abril de 1964, foi incluído no Inquérito Policial Militar (IPM) da Leopoldina, entre outros processos. Formado em direito pela Universidade Federal de Vitória, em 1958, passou a exercer advocacia no Rio de Janeiro, durante o regime militar. Atuou ainda na reorganização do movimento sindical dos ferroviários e, nas eleições de 1986, foi candidato ao Senado Federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Morreu no dia 5 de julho de 1993, assassinado em sua casa no Rio de Janeiro, em circunstâncias não esclarecidas.

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